Denomina-se cultura afro-brasileira o conjunto de manifestações culturais do Brasil que sofreram algum grau de influência da cultura africana desde os tempos do Brasil colônia até a atualidade. A cultura da África chegou ao Brasil, em sua maior parte, trazida pelos escravos negros na época do tráfico transatlântico de escravos. No Brasil a cultura africana sofreu também a influência das culturas europeia (principalmente portuguesa) e indígena, de forma que características de origem africana na cultura brasileira encontram-se em geral mescladas a outras referências culturais.
Traços fortes da cultura africana podem ser encontrados hoje em variados aspectos da cultura brasileira, como a música popular, a religião, a culinária, o folclore e as festividades populares. Os estados do Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul foram os mais influenciados pela cultura de origem africana, tanto pela quantidade de escravos recebidos durante a época do tráfico como pela migração interna dos escravos após o fim do ciclo da cana-de-açúcar na região Nordeste.
Ainda que tradicionalmente desvalorizados na época colonial e no século XIX, os aspectos da cultura brasileira de origem africana passaram por um processo de revalorização a partir do século XX que continua até os dias de hoje.
Índice
[esconder]
* 1 Evolução histórica
* 2 Estudos afro-brasileiros
* 3 Religião
* 4 Arte
* 5 Culinária
* 6 Música e dança
* 7 Ver também
* 8 Referências
* 9 Ligações externas
Evolução histórica
Escravos africanos no Brasil, oriundos de várias nações (Rugendas, c. 1830).
De maneira geral, tanto na época colonial como durante o século XIX a matriz cultural de origem europeia foi a mais valorizada no Brasil, enquanto que as manifestações culturais afro-brasileiras foram muitas vezes desprezadas, desestimuladas e até proibidas. Assim, as religiões afro-brasileiras e a arte marcial da capoeira foram frequentemente perseguidas pelas autoridades. Por outro lado, algumas manifestações de origem folclórico, como as congadas, assim como expressões musicais como o lundu, foram toleradas e até estimuladas.
Entretanto, a partir de meados do século XX, as expressões culturais afro-brasileiras começaram a ser gradualmente mais aceitas e admiradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas genuinamente nacionais. Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura afro-brasileira a ser admirada quando ocupou posição de destaque na música popular, no início do século XX.
Posteriormente, o governo da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas desenvolveu políticas de incentivo do nacionalismo nas quais a cultura afro-brasileira encontrou caminhos de aceitação oficial. Por exemplo, os desfiles de escolas de samba ganharam nesta época aprovação governamental através da União Geral das Escolas de Samba do Brasil, fundada em 1934.
Outras expressões culturais seguiram o mesmo caminho. A capoeira, que era considerada própria de bandidos e marginais, foi apresentada, em 1953, por mestre Bimba ao presidente Vargas, que então a chamou de "único esporte verdadeiramente nacional".
A partir da década de 1950 as perseguições às religiões afro-brasileiras diminuíram e a Umbanda passou a ser seguida por parte da classe média carioca[1]. Na década seguinte, as religiões afro-brasileiras passaram a ser celebradas pela elite intelectual branca.
Em 2003, foi promulgada a lei nº 10.639 que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), passando-se a exigir que as escolas brasileiras de ensino fundamental e médio incluam no currículo o ensino da história e cultura afro-brasileira.
Estudos afro-brasileiros
Bloco afro Ilê Aiyê na Bahia
O interesse pela cultura afro-brasileira manifesta-se pelos muitos estudos nos campos da sociologia, antropologia, etnologia, música e linguística, entre outros, centrados na expressão e evolução histórica da cultura afro-brasileira.
Muitos estudiosos brasileiros como o advogado Edison Carneiro, o médico legista Nina Rodrigues, o escritor Jorge Amado, o poeta e escritor mineiro Antonio Olinto, o escritor e jornalista João Ubaldo, o antropólogo e museólogo Raul Lody, entre outros, além de estrangeiros como o sociólogo francês Roger Bastide, o fotografo Pierre Verger, a pesquisadora etnóloga estadunidense Ruth Landes, o pintor argentino Carybé, dedicaram-se ao levantamento de dados sobre a cultura afro-brasileira, a qual ainda não tinha sido estudada em detalhe[2].
Alguns infiltraram-se nas religiões afro-brasileiras, como é o caso de João do Rio, com esse propósito; outros foram convidados a fazer parte do Candomblé como membros efetivos, recebendo cargos honorificos como Obá de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá e Ogan na Casa Branca do Engenho Velho, Terreiro do Gantois, e ajudavam financeiramente a manter esses Terreiros.
Muitos sacerdotes leigos em literatura se dispuseram a escrever a história das religiões afro-brasileiras, recebendo a ajuda de acadêmicos simpatizantes ou membros dos candomblés. Outros, por já possuírem formação acadêmica, tornaram-se escritores paralelamente à função de sacerdote, como é caso dos antropólogos Júlio Santana Braga e Vivaldo da Costa Lima, as Iyalorixás Mãe Stella e Giselle Cossard, também conhecida como Omindarewa a francesa, o professor Agenor Miranda, a advogada Cléo Martins e o professor de sociologia Reginaldo Prandi, entre outros.
Ver:Anexo:Lista de livros com tema afro-brasileiro
Religião
Ver artigo principal: Religiões afro-brasileiras
Os negros trazidos da África como escravos geralmente eram imediatamente batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. A conversão era apenas superficial e as religiões de origem africana conseguiram permanecer através de prática secreta ou o sincretismo com o catolicismo.
Algumas religiões afro-brasileiras ainda mantém quase que totalmente suas raízes africanas, como é o caso do Candomblé e do Xangô do Nordeste; outras formaram-se através do sincretismo religioso, como o Batuque, o Xambá e a Umbanda. Em maior ou menor grau, as religiões afro-brasileiras mostram influências do Catolicismo e da encataria europeia, assim como da pajelança ameríndia[3]. O sincretismo manifesta-se igualmente na tradição do batismo dos filhos e o casamento na Igreja Católica, mesmo quando os fiéis seguem abertamente uma religião afro-brasileira.
Já no Brasil colonial os negros e mulatos, escravos ou forros, muitas vezes associavam-se em irmandades religiosas católicas. A Irmandade da Boa Morte e a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foram das mais importantes, servindo também como ligação entre o catolicismo e as religiões afro-brasileiras. A própria prática do catolicismo tradicional sofreu influência africana no culto de santos de origem africana como São Benedito, Santo Elesbão, Santa Efigênia e Santo Antônio de Noto (Santo Antônio do Categeró ou Santo Antônio Etíope); no culto preferencial de santos facilmente associados com os orixás africanos como São Cosme e Damião (ibejis), São Jorge (Ogum no Rio de Janeiro), Santa Bárbara (Iansã); na criação de novos santos populares como a Escrava Anastácia; e em ladainhas, rezas e festas religiosas (como a Lavagem do Bonfim onde as escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim em Salvador, Bahia são lavadas com água de cheiro pelas filhas-de-santo do candomblé).
As igrejas pentencostais do Brasil, que combatem as religiões de origem africana, na realidade têm várias influências destas como se nota em práticas como o batismo do Espírito Santo e crenças como a de incorporação de entidades espirituais (vistas como maléficas). Enquanto o Catolicismo nega a existência de orixás e guias, as igrejas pentencostais acreditam na sua existência, mas como demônios.
Segundo o IBGE, 0,3% dos brasileiros declaram seguir religiões de origem africana, embora um número maior de pessoas sigam essas religiões de forma reservada.
Inicialmente desprezadas, as religiões afro-brasileira foram ou são praticadas abertamente por vários intelectuais e artistas importantes como Jorge Amado, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia (que freqüentavam o terreiro de Mãe Menininha), Gal Costa (que foi iniciada para o Orixá Obaluaye), Mestre Didi (filho da iyalorixá Mãe Senhora), Antonio Risério, Caribé, Fernando Coelho, Gilberto Freyre e José Beniste (que foi iniciado no candomblé ketu).
Filhas-de-santo do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá na Bahia
Religiões afro-brasileiras
* Babaçuê - Pará
* Batuque - Rio Grande do Sul
* Cabula - Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
* Candomblé - Em todos estados do Brasil
* Culto aos Egungun - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
* Culto de Ifá - Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo
* Macumba - Rio de Janeiro
* Omoloko - Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo
* Quimbanda - Rio de Janeiro, São Paulo
* Tambor-de-Mina - Maranhão
* Terecô - Maranhão
* Umbanda - Em todos estados do Brasil
* Xambá - Alagoas, Pernambuco
* Xangô do Nordeste - Pernambuco
* Confraria
* Irmandade dos homens pretos
* Sincretismo
Arte
Tecelã do terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, Salvador, Bahia
O Alaká africano, conhecido como pano da costa no Brasil é produzido por tecelãs do terreiro de Candomblé Ilê Axé Opô Afonjá em Salvador, no espaço chamado de Casa do Alaká[4]. Mestre Didi, Alapini (sumo sacerdote) do Culto aos Egungun e Assògbá (supremo sacerdote) do culto de Obaluaiyê e Orixás da terra, é também escultor e seu trabalho é voltado inteiramente para a mitologia e arte yorubana.[5] Na pintura foram muitos os pintores e desenhistas que se dedicaram a mostrar a beleza do Candomblé, Umbanda e Batuque em suas telas. Um exemplo é o escultor e pintor argentino Carybé que dedicou boa parte de sua vida no Brasil esculpindo e pintando os Orixás e festas nos mínimos detalhes, suas esculturas podem ser vistas no Museu Afro-Brasileiro e tem alguns livros publicados do seu trabalho. Na fotografia o francês Pierre Fatumbi Verger, que em 1946 conheceu a Bahia e ficou até o último dia de vida, retratou em preto e branco o povo brasileiro e todas as nuances do Candomblé, não satisfeito só em fotografar passou a fazer parte da religião, tanto no Brasil como na África onde foi iniciado como babalawo, ainda em vida iniciou a Fundação Pierre Verger em Salvador, onde se encontra todo seu acervo fotográfico.
Culinária
A feijoada brasileira, considerada o prato nacional do Brasil, é frequentemente citada como tendo sido criada nas senzalas e ter servido de alimento para os escravos na época colonial. Atualmente, porém, considera-se a feijoada brasileira uma adaptação tropical da feijoada portuguesa que não foi servida normalmente aos escravos. Apesar disso, a cozinha brasileira regional foi muito influenciada pela cozinha africana, mesclada com elementos culinários europeus e indígenas.
A culinária baiana é a que mais demonstra a influência africana nos seus pratos típicos como acarajé, vatapá e moqueca. Estes pratos são preparados com o azeite-de-dendê, extraído de uma palmeira africana trazida ao Brasil em tempos coloniais. Na Bahia existem duas maneiras de se preparar estes pratos "afros". Numa, mais simples, as comidas não levam muito tempero e são feita nos terreiros de candomblé para serem oferecidas aos orixás. Na outra maneira, empregada fora dos terreiros, as comidas são preparadas com muito tempero e são mais saborosas, sendo vendidas pelas baianas do acarajé e degustadas em restaurantes e residências.
Música e dança
A música criada pelos afro-brasileiros é uma mistura de influências de toda a África subsaariana com elementos da música portuguesa e, em menor grau, ameríndia, que produziu uma grande variedade de estilos.
A música popular brasileira é fortemente influenciada pelos ritmos africanos. As expressões de música afro-brasileira mais conhecidas são o samba, maracatu, ijexá, coco, jongo, carimbó, lambada e o maxixe.
Como aconteceu em toda parte do continente americano onde houve escravos africanos, a música feita pelos afro-descendentes foi inicialmente desprezada e mantida na marginalidade, até que ganhou notoriedade no início do século XX e se tornou a mais popular nos dias atuais.[6]
Instrumentos afro-brasileiros
* Afoxé
* Agogô
* Atabaque
* Berimbau
* Tambor
Ver também
* Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora
* Conferência Mundial da Tradição dos Orixás e Cultura
* Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais
* Congresso Afro-Brasileiro
* Alaiandê Xirê
* Festival de Verão de Salvador
Referências
1. ↑ BERABA, Marcelo. O Terreiro da Contradição. Folha de São Paulo; 30 de março de 2008
2. ↑ Herança Cultural e Inovação Religiosa -Revista de Estudos da Religião - REVER - PUCSP
3. ↑ Encantaria maranhense: um encontro do negro, do índio e do branco na cultura afro-brasileira arq.Doc
4. ↑ Casa do Alaka
5. ↑ Mitologia e Arte
6. ↑ Estudo acerca dos elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras de Vinícius de Moraes
Ligações externas
* História e Cultura Afro-Brasileira: Parâmetros e Desafios
* Cultura africana e afro-brasileira
* Museu Afro-Brasileiro
* Bibliografia da Arte afro-brasileira
* Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira
* O Ensino da História Africana
* Jornal de Angola Quem eram os escravos de Jó?
* Mídia e cultura africana
* Pré-Conferência Nacional de Cultura Afro-Brasileira
ENCICLOPÉDIA MINEIRA: Prof. Marcos Tadeu Cardoso
Um projeto do Prof. Marcos Tadeu Cardoso, um livro publicado narrando a história das principais cidades Mineiras.
Entre em contato com o prof. Marcos T. C. pelo e-mail,
marcostcj@yahoo.com.br ou mar.cj@hotmail.com Acesse seu website oficial, http://marcostadeucardoso.blogspot.com
Entre em contato com o prof. Marcos T. C. pelo e-mail,
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Movimentos Emancipacionistas
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Os movimentos emancipacionistas, ou rebeliões coloniais, foram movimentos conspirativos, de bases iluministas, que objetivavam a conquista da independência do Brasil eram rebeliões cuja seu objetivo erade separação politica , diferentemente dos Movimentos Nativistas que tinham um caráter local e um baixo grau de definição ideológica, não revelavam uma consciência mais ampla da dominação colonial e nem apresentavam propostas alternativas a elas, mas talvez tenham sido elas o impulso[carece de fontes?]. Durante o século XVII, iniciaram-se as primeiras manifestações contra a metrópole, dando origem aos movimentos emancipacionistas.
A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta de natureza separatista abortada pela Coroa portuguesa em 1789, na então capitania de Minas Gerais, no Estado do Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português.
Índice
[esconder]
* 1 História
o 1.1 Antecedentes
o 1.2 A conjuração
o 1.3 Consequências
* 2 A execução de Tiradentes e exposição pública do seu corpo
* 3 Galeria
* 4 Ver também
* 5 Notas
* 6 Bibliografia
* 7 Ligações externas
História
Antecedentes
Na segunda metade do século XVIII a Coroa portuguesa intensificou o seu controle fiscal sobre a sua colônia na América do Sul, proibindo, em 1785, as atividades fabris e artesanais na Colônia e taxando severamente os produtos vindos da Metrópole. Desde 1783 fora nomeado para governador da capitania de Minas Gerais D. Luís da Cunha Meneses, reputado pela sua arbitrariedade e violência. Somando-se a isto, desde o meado do século as jazidas de ouro em Minas Gerais começavam a se esgotar, fato não compreendido pela Coroa, que instituiu a cobrança da "derrama" na região, uma taxação compulsória em que a população de homens-bons deveria completar o que faltasse da cota imposta por lei de 100 arrobas de ouro (1.500 kg) anuais quando esta não era atingida.
A conjuração
O poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga, uma das figuras do movimento.
Estes fatos atingiram expressivamente a classe mais abastada de Minas Gerais (proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares) que, descontentes, começaram a se reunir para conspirar. Entre esses descontentes destacavam-se, entre outros, o capitão José de Resende Costa e seu filho José de Resende Costa Filho, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, os padres José da Silva e Oliveira Rolim, Manuel Rodrigues da Costa e Carlos Correia de Toledo e Melo, o cônego Luís Vieira da Silva, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de "Tiradentes".
A conjuração pretendia eliminar a dominação portuguesa das Minas Gerais e estabelecendo ali um país livre. Não havia a intenção de libertar toda a colônia brasileira, pois naquele momento uma identidade nacional ainda não havia se formado. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas ideias iluministas da França e da recente independência norte-americana. Destaque-se que não havia uma intenção clara de libertar os escravos, já que muitos dos participantes do movimento eram detentores dessa mão-de-obra.
Óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911) retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes. Essa tela foi encomendada pela Câmara Municipal de Ouro Preto, no final do século XIX, para homenagear Tiradentes, o Mártir da Inconfidência, como passou a ser retratado após à Proclamação da República.
Entre outros locais, as reuniões aconteciam em casa de Cláudio Manuel da Costa e de Tomás Antônio Gonzaga, onde se discutiram os planos e as leis para a nova ordem, tendo sido desenhada a bandeira da nova República, – uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina Libertas Quæ Sera Tamen - , cujo dístico foi aproveitado de parte de um verso da primeira écloga de Virgílio e que os poetas inconfidentes interpretaram como "liberdade ainda que tardia".
O governador da capitania de Minas Gerais, Luís António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, Visconde de Barbacena, estava determinado a lançar a derrama, razão pela qual os conspiradores acertaram que a revolução deveria irromper no dia em que fosse decretado o lançamento da mesma. Esperavam que nesse momento, como apoio do povo descontente e da tropa sublevada, o movimento fosse vitorioso.
A conspiração foi desmantelada em 1789, ano da Revolução Francesa. O movimento foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, que fez a denúncia para obter perdão de suas dívidas com a Coroa. O Visconde de Barbacena mandou abrir em junho de 1789 a sua Devassa com base nas denúncias de Silvério dos Reis, Basílio de Brito, Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona, tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Domingos de Abreu Vieira e de Domingos Vidal de Barbosa Laje.
Os réus foram sentenciados pelo crime de "lesa-majestade" nas Ordenações Filipinas, Livro V, título 6, e definidas como "traição contra o rei":
"Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa."[1]
Por igual crime de lesa-majestade, em 1759, no reinado de D. José I de Portugal, a família Távora, no processo dos Távora, havia padecido de morte cruel: tiveram os membros quebrados e foram queimados vivos, mesmo sendo os nobres mais importantes de Portugal. A Rainha Dona Maria I sofria pesadelos devido à cruel execução dos Távoras ordenado por seu pai D. José I e terminou por enlouquecer.
Jornada dos Mártires, por Antônio Parreiras. Retrata a passagem, em Matias Barbosa, dos inconfidentes presos.
Os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro onde responderam pelo crime de lesa-majestade, materializado em inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Cláudio Manuel da Costa faleceu na prisão, ainda em Vila Rica (hoje Ouro Preto), onde acredita-se que tenha sido assassinado, suspeitando-se, atualmente, que a mando do próprio Governador. Durante o inquérito judicial, todos negaram a sua participação no movimento, menos o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que assumiu a responsabilidade de chefia do movimento.
Em 18 de Abril de 1792 foi lida a sentença no Rio de Janeiro. Doze dos inconfidentes foram condenados à morte. Mas, em audiência no dia seguinte, foi lido decreto de D. Maria I pelo qual todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena comutada para degredo em colônias portuguesas na África.
Consequências
A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada por Minas Gerais.
A execução de Tiradentes e exposição pública do seu corpo
Ver artigo principal: Tiradentes
Tiradentes esquartejado (Pedro Américo, 1893).
Tiradentes, o conjurado de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento, sendo a sentença executada publicamente a 21 de abril de 1792 no Campo da Lampadosa. Outros inconfidentes haviam sido condenados à morte, mas tiveram suas penas reduzidas para degredo, na segunda sentença. A casa onde ele viveu foi destruída.
Após a execução, o corpo foi levado em uma carreta do Exército para a Casa do Trem (hoje parte do Museu Histórico Nacional), onde foi esquartejado. O tronco do corpo foi entregue à Santa Casa de Misericórdia, sendo enterrado como indigente. A cabeça e os quatro pedaços do corpo foram salgados, para não apodrecerem rapidamente, acondicionados em sacos de couro e enviados para as Minas Gerais, sendo pregados em pontos do Caminho Novo onde Tiradentes pregou suas ideias revolucionárias. A cabeça foi exposta em Vila Rica (atual Ouro Preto), no alto de um poste defronte à sede do governo. O castigo era exemplar, a fim de dissuadir qualquer outra tentativa de questionamento do poder da metrópole.
Tiradentes, ao contrário do que se pensa, não tinha barba e cabelos longos quando foi enforcado, na prisão, onde ficou por algum tempo antes de cumprir sua pena, teve o cabelo e barba raspados para evitar a proliferação de piolhos, a própria posição de alfere não permitia tal aparência. Após a decapitação e exposição pública, a cabeça de Tiradentes foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até os dias de hoje.
Foi alçado posteriormente, pela República Brasileira, à condição de um dos maiores mártires da independência do Brasil e como um dos precursores da República no país.
Galeria
*
Bandeira dos inconfidentes (1789)
*
Bandeira dos inconfidentes (atual Bandeira de Minas Gerais)
A bandeira da Inconfidência Mineira tinha, originalmente, o triângulo verde porém a bandeira que virou símbolo do movimento e atualmente é a bandeira oficial do estado de Minas Gerais tem o triângulo vermelho.
Ver também
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* Commons
* Wikisource
* Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, em Salvador, no Estado do Brasil, em 1798.
* Conjuração dos Pintos, em Goa, no Estado Português da Índia, em 1787.
* Hipólita Jacinta Teixeira de Melo
* Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes
* Museu da Inconfidência
* Romanceiro da Inconfidência, conjunto de poemas sobre a Inconfidência Mineira.
Notas
1. ↑ Ordenações Filipinas, crime de lesa-majestade
Bibliografia
* AQUINO, Rubim Santos Leão de; BELLO, Marco Antônio Bueno; DOMINGUES, Gilson Magalhães. Um sonho de liberdade: a conjuração de Minas. São Paulo: Editora Moderna, 1998. 176p. il. ISBN 8516021009
* CHIAVENATO, Júlio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. São Paulo: Contexto, 1989. 88p. il. ISBN 8585134429
* JARDIM, Márcio. A Inconfidência Mineira: uma síntese factual. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1989. 416p. ISBN 857011141X
* MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
* MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira: Brasil-Portugal - 1750-1808. São Paulo: Paz e Terra, 1985. 318p. mapas, tabelas. ISBN 8521903979
* Tiradentes: a sentença. Rio de Janeiro: ALERJ, 1992. 54p.
* Tiradentes: os caminhos do ouro. Brasília: Imprensa Nacional, 1992. 26p. il.
Ligações externas
* Tirandentes e seus juízes
* Tetraneta de Tiradentes tem pensões mantidas pelo STF
* A DERRAMA E OS QUINTOS in MGQUILOMBO - O QUILOMBO MINAS GERAIS.
* O QUILOMBO DO CAMPO GRANDE E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA
A chamada Inconfidência Carioca foi o nome pelo qual ficou conhecida a repressão a uma associação de intelectuais que se reuniam, no Rio de Janeiro, em torno de uma sociedade literária, no fim do século XVIII.
Fundada desde 1771, sob o nome de Academia Científica do Rio de Janeiro, a sociedade se reunia desde o governo de Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790). Na academia se discutiam assuntos filosóficos e políticos, à semelhança do que estava em voga na Europa. Em suas últimas reuniões, a figura de destaque era Manuel Inácio da Silva Alvarenga, poeta e professor de Retórica, formado na Universidade de Coimbra.
Os acontecimentos envolvendo a Inconfidência Mineira (1789), além da evolução da Revolução Francesa, tornaram a discussão desses assuntos e a posse de determinados livros, comprometedora aos olhos das autoridades coloniais. Desse modo, o novo vice-rei, conde de Resende (1790-1801), resolveu em 1794 fechar a Sociedade e processar seus membros. À semelhança das conjurações anteriores, os seus participantes foram delatados em função de suas idéias Iluministas e suspeita de envolvimento com a Maçonaria, tendo suas atividades suspensas. Já que as reuniões prosseguiam reservadamente na residência de um dos implicados, novas denúncias conduziram à detenção pelas autoridades de um total de dez pessoas.
Um processo de devassa foi aberto e se estendeu de 1794 a 1795, sem que fossem encontradas provas conclusivas de que uma conspiração se encontrava em curso, além de livros de circulação proibida. Desse modo, os implicados detidos foram libertados.
A chamada Inconfidência Carioca foi o nome pelo qual ficou conhecida a repressão a uma associação de intelectuais que se reuniam, no Rio de Janeiro, em torno de uma sociedade literária, no fim do século XVIII.
Fundada desde 1771, sob o nome de Academia Científica do Rio de Janeiro, a sociedade se reunia desde o governo de Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790). Na academia se discutiam assuntos filosóficos e políticos, à semelhança do que estava em voga na Europa. Em suas últimas reuniões, a figura de destaque era Manuel Inácio da Silva Alvarenga, poeta e professor de Retórica, formado na Universidade de Coimbra.
Os acontecimentos envolvendo a Inconfidência Mineira (1789), além da evolução da Revolução Francesa, tornaram a discussão desses assuntos e a posse de determinados livros, comprometedora aos olhos das autoridades coloniais. Desse modo, o novo vice-rei, conde de Resende (1790-1801), resolveu em 1794 fechar a Sociedade e processar seus membros. À semelhança das conjurações anteriores, os seus participantes foram delatados em função de suas idéias Iluministas e suspeita de envolvimento com a Maçonaria, tendo suas atividades suspensas. Já que as reuniões prosseguiam reservadamente na residência de um dos implicados, novas denúncias conduziram à detenção pelas autoridades de um total de dez pessoas.
Um processo de devassa foi aberto e se estendeu de 1794 a 1795, sem que fossem encontradas provas conclusivas de que uma conspiração se encontrava em curso, além de livros de circulação proibida. Desse modo, os implicados detidos foram libertados.
A Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício), foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789), se reveste de caráter popular.
Índice
[esconder]
* 1 Antecedentes
* 2 Ideias
* 3 A revolta
* 4 A repressão
* 5 Conclusão
* 6 Bibliografia
[editar] Antecedentes
Sendo a então Capitania da Bahia governada por D. Fernando José de Portugal e Castro (1788-1801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o governo, cuja política elevava os preços das mercadorias mais essenciais, causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os açougues, ante a ausência de carne.
O clima de insubordinação contaminou os quartéis, e as ideias nativistas que já haviam animado Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco sobretudo nas classes mais humildes.
A todos influenciava o exemplo da independência das Treze Colônias Inglesas, e idéias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas também por uma parte da elite culta, reunida em associações como a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz
Os 5 pontos da conjuração baiana eram:
1. Proclamação da República;
2. Diminuição dos Impostos;
3. Abertura dos Portos;
4. Fim do Preconceito;
5. Aumento Salarial.
[editar] Ideias
Seu principal lider foi Cipriano Barata, conhecido como médico dos pobres e revolucionário de todas a revoluções. Há grande influência da sociedade maçônica (cavaleiros da luz) e do processo de independência do Haiti ou haitianismo.
Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma república na Bahia e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados. Tais ideias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e pelos panfletos de Cipriano Barata, médico e filósofo.
[editar] A revolta
Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos.
Um desses panfletos declarava:
"Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)
[editar] A repressão
Bandeira da Conjuração Baiana. as cores da bandeira do movimento (Azul, branca e vermelha) são até hoje as cores da Bahia.
Durante a fase de repressão, centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência.
Finalmente, no dia 8 de Novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados à pena capital, por enforcamento, na seguinte ordem:
1. soldado Lucas Dantas do Amorim Torres;
2. aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira;
3. soldado Luís Gonzaga das Virgens; e
4. mestre alfaiate João de Deus Nascimento.
O quinto condenado à pena capital, o ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi localizado. Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e memórias "malditos" até à 3a. geração. Os despojos dos executados foram expostos da seguinte forma:
* a cabeça de Lucas Dantas ficou espetada no Campo do Dique do Desterro;
* a de Manuel Faustino, no Cruzeiro de São Francisco;
* a de João de Deus, na Rua Direita do Palácio (atual Rua Chile); e
* a cabeça e as mãos de Luís Gonzaga ficaram pregadas na forca, levantada na Praça da Piedade, então a principal da cidade.
Esses despojos ficaram à vista, para exemplo da população, por cinco dias, tendo sido recolhidos no dia 13 pela Santa Casa de Misericórdia (instituição responsável pelos cemitérios à época do Brasil Colônia), que os fez sepultar em local desconhecido.
Os demais envolvidos foram condenados à pena de degredo, agravada com a determinação de ser sofrido na costa Ocidental da África, fora dos domínios de Portugal, o que equivalia à morte. Foram eles:
* José de Freitas Sacota e Romão Pinheiro, deixados em Acará, sob domínio holandês;
* Manuel de Santana em Aquito, então domínio dinamarquês;
* Inácio da Silva Pimentel, no Castelo da Mina, sob domínio holandês;
* Luís de França Pires em Cabo Corso;
* José Félix da Costa em Fortaleza do Moura;
* José do Sacramento em Comenda, sob domínio inglês.
Cada um recebeu publicamente 500 chibatadas no Pelourinho, à época no Terreiro de Jesus, e foram depois conduzidos para assistir a execução dos sentenciados à pena capital. A estes degredados acrescentavam-se os nomes de:
* Pedro Leão de Aguilar Pantoja degredado no Presídio de Benguela por 10 anos;
* o escravo Cosme Damião Pereira Bastos, degredado por cinco anos em Angola;
* os escravos Inácio Pires e Manuel José de Vera Cruz, condenados a 500 chibatadas, ficando seus senhores obrigados a vendê-los para fora da Capitania da Bahia;
* José Raimundo Barata de Almeida, degredado para a ilha de Fernando de Noronha;
* os tenentes Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja e José Gomes de Oliveira Borges, permaneceram detidos por seis meses em Salvador;
* Cipriano Barata, detido a 19 de Setembro de 1798, solto em Janeiro de 1800.
[editar] Conclusão
O movimento envolveu indivíduos de setores urbanos e marginalizados na produção da riqueza colonial, que se revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que tornava as suas reivindicações particularmente perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos mais radicais do período colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitária e democrática. Foi barbaramente punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, entretanto, deixou profundas marcas na sociedade soteropolitana, a ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela Independência da Bahia, concretizada em 2 de julho de 1823, formando parte da nação que emancipara-se a 7 de setembro do ano anterior, sob império de D. Pedro I.
[editar] Bibliografia
* TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia (10a. ed.). São Paulo: Editora UNESP; Salvador (BA): EDUFBA, 2001. 544p. il. mapas. ISBN 8571393702
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Os movimentos emancipacionistas, ou rebeliões coloniais, foram movimentos conspirativos, de bases iluministas, que objetivavam a conquista da independência do Brasil eram rebeliões cuja seu objetivo erade separação politica , diferentemente dos Movimentos Nativistas que tinham um caráter local e um baixo grau de definição ideológica, não revelavam uma consciência mais ampla da dominação colonial e nem apresentavam propostas alternativas a elas, mas talvez tenham sido elas o impulso[carece de fontes?]. Durante o século XVII, iniciaram-se as primeiras manifestações contra a metrópole, dando origem aos movimentos emancipacionistas.
A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta de natureza separatista abortada pela Coroa portuguesa em 1789, na então capitania de Minas Gerais, no Estado do Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português.
Índice
[esconder]
* 1 História
o 1.1 Antecedentes
o 1.2 A conjuração
o 1.3 Consequências
* 2 A execução de Tiradentes e exposição pública do seu corpo
* 3 Galeria
* 4 Ver também
* 5 Notas
* 6 Bibliografia
* 7 Ligações externas
História
Antecedentes
Na segunda metade do século XVIII a Coroa portuguesa intensificou o seu controle fiscal sobre a sua colônia na América do Sul, proibindo, em 1785, as atividades fabris e artesanais na Colônia e taxando severamente os produtos vindos da Metrópole. Desde 1783 fora nomeado para governador da capitania de Minas Gerais D. Luís da Cunha Meneses, reputado pela sua arbitrariedade e violência. Somando-se a isto, desde o meado do século as jazidas de ouro em Minas Gerais começavam a se esgotar, fato não compreendido pela Coroa, que instituiu a cobrança da "derrama" na região, uma taxação compulsória em que a população de homens-bons deveria completar o que faltasse da cota imposta por lei de 100 arrobas de ouro (1.500 kg) anuais quando esta não era atingida.
A conjuração
O poeta árcade Tomás Antônio Gonzaga, uma das figuras do movimento.
Estes fatos atingiram expressivamente a classe mais abastada de Minas Gerais (proprietários rurais, intelectuais, clérigos e militares) que, descontentes, começaram a se reunir para conspirar. Entre esses descontentes destacavam-se, entre outros, o capitão José de Resende Costa e seu filho José de Resende Costa Filho, os poetas Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, os coronéis Domingos de Abreu Vieira e Francisco Antônio de Oliveira Lopes, os padres José da Silva e Oliveira Rolim, Manuel Rodrigues da Costa e Carlos Correia de Toledo e Melo, o cônego Luís Vieira da Silva, o sargento-mor Luís Vaz de Toledo Pisa, o minerador Inácio José de Alvarenga Peixoto e o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de "Tiradentes".
A conjuração pretendia eliminar a dominação portuguesa das Minas Gerais e estabelecendo ali um país livre. Não havia a intenção de libertar toda a colônia brasileira, pois naquele momento uma identidade nacional ainda não havia se formado. A forma de governo escolhida foi o estabelecimento de uma República, inspirados pelas ideias iluministas da França e da recente independência norte-americana. Destaque-se que não havia uma intenção clara de libertar os escravos, já que muitos dos participantes do movimento eram detentores dessa mão-de-obra.
Óleo sobre tela de Leopoldino de Faria (1836-1911) retratando a Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes. Essa tela foi encomendada pela Câmara Municipal de Ouro Preto, no final do século XIX, para homenagear Tiradentes, o Mártir da Inconfidência, como passou a ser retratado após à Proclamação da República.
Entre outros locais, as reuniões aconteciam em casa de Cláudio Manuel da Costa e de Tomás Antônio Gonzaga, onde se discutiram os planos e as leis para a nova ordem, tendo sido desenhada a bandeira da nova República, – uma bandeira branca com um triângulo e a expressão latina Libertas Quæ Sera Tamen - , cujo dístico foi aproveitado de parte de um verso da primeira écloga de Virgílio e que os poetas inconfidentes interpretaram como "liberdade ainda que tardia".
O governador da capitania de Minas Gerais, Luís António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, Visconde de Barbacena, estava determinado a lançar a derrama, razão pela qual os conspiradores acertaram que a revolução deveria irromper no dia em que fosse decretado o lançamento da mesma. Esperavam que nesse momento, como apoio do povo descontente e da tropa sublevada, o movimento fosse vitorioso.
A conspiração foi desmantelada em 1789, ano da Revolução Francesa. O movimento foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, que fez a denúncia para obter perdão de suas dívidas com a Coroa. O Visconde de Barbacena mandou abrir em junho de 1789 a sua Devassa com base nas denúncias de Silvério dos Reis, Basílio de Brito, Malheiro do Lago, Inácio Correia Pamplona, tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Domingos de Abreu Vieira e de Domingos Vidal de Barbosa Laje.
Os réus foram sentenciados pelo crime de "lesa-majestade" nas Ordenações Filipinas, Livro V, título 6, e definidas como "traição contra o rei":
"Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa."[1]
Por igual crime de lesa-majestade, em 1759, no reinado de D. José I de Portugal, a família Távora, no processo dos Távora, havia padecido de morte cruel: tiveram os membros quebrados e foram queimados vivos, mesmo sendo os nobres mais importantes de Portugal. A Rainha Dona Maria I sofria pesadelos devido à cruel execução dos Távoras ordenado por seu pai D. José I e terminou por enlouquecer.
Jornada dos Mártires, por Antônio Parreiras. Retrata a passagem, em Matias Barbosa, dos inconfidentes presos.
Os líderes do movimento foram detidos e enviados para o Rio de Janeiro onde responderam pelo crime de lesa-majestade, materializado em inconfidência (falta de fidelidade ao rei), pelo qual foram condenados. Cláudio Manuel da Costa faleceu na prisão, ainda em Vila Rica (hoje Ouro Preto), onde acredita-se que tenha sido assassinado, suspeitando-se, atualmente, que a mando do próprio Governador. Durante o inquérito judicial, todos negaram a sua participação no movimento, menos o alferes Joaquim José da Silva Xavier, que assumiu a responsabilidade de chefia do movimento.
Em 18 de Abril de 1792 foi lida a sentença no Rio de Janeiro. Doze dos inconfidentes foram condenados à morte. Mas, em audiência no dia seguinte, foi lido decreto de D. Maria I pelo qual todos, à exceção de Tiradentes, tiveram a pena comutada para degredo em colônias portuguesas na África.
Consequências
A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada por Minas Gerais.
A execução de Tiradentes e exposição pública do seu corpo
Ver artigo principal: Tiradentes
Tiradentes esquartejado (Pedro Américo, 1893).
Tiradentes, o conjurado de mais baixa condição social, foi o único condenado à morte por enforcamento, sendo a sentença executada publicamente a 21 de abril de 1792 no Campo da Lampadosa. Outros inconfidentes haviam sido condenados à morte, mas tiveram suas penas reduzidas para degredo, na segunda sentença. A casa onde ele viveu foi destruída.
Após a execução, o corpo foi levado em uma carreta do Exército para a Casa do Trem (hoje parte do Museu Histórico Nacional), onde foi esquartejado. O tronco do corpo foi entregue à Santa Casa de Misericórdia, sendo enterrado como indigente. A cabeça e os quatro pedaços do corpo foram salgados, para não apodrecerem rapidamente, acondicionados em sacos de couro e enviados para as Minas Gerais, sendo pregados em pontos do Caminho Novo onde Tiradentes pregou suas ideias revolucionárias. A cabeça foi exposta em Vila Rica (atual Ouro Preto), no alto de um poste defronte à sede do governo. O castigo era exemplar, a fim de dissuadir qualquer outra tentativa de questionamento do poder da metrópole.
Tiradentes, ao contrário do que se pensa, não tinha barba e cabelos longos quando foi enforcado, na prisão, onde ficou por algum tempo antes de cumprir sua pena, teve o cabelo e barba raspados para evitar a proliferação de piolhos, a própria posição de alfere não permitia tal aparência. Após a decapitação e exposição pública, a cabeça de Tiradentes foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até os dias de hoje.
Foi alçado posteriormente, pela República Brasileira, à condição de um dos maiores mártires da independência do Brasil e como um dos precursores da República no país.
Galeria
*
Bandeira dos inconfidentes (1789)
*
Bandeira dos inconfidentes (atual Bandeira de Minas Gerais)
A bandeira da Inconfidência Mineira tinha, originalmente, o triângulo verde porém a bandeira que virou símbolo do movimento e atualmente é a bandeira oficial do estado de Minas Gerais tem o triângulo vermelho.
Ver também
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* Wikisource
* Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, em Salvador, no Estado do Brasil, em 1798.
* Conjuração dos Pintos, em Goa, no Estado Português da Índia, em 1787.
* Hipólita Jacinta Teixeira de Melo
* Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes
* Museu da Inconfidência
* Romanceiro da Inconfidência, conjunto de poemas sobre a Inconfidência Mineira.
Notas
1. ↑ Ordenações Filipinas, crime de lesa-majestade
Bibliografia
* AQUINO, Rubim Santos Leão de; BELLO, Marco Antônio Bueno; DOMINGUES, Gilson Magalhães. Um sonho de liberdade: a conjuração de Minas. São Paulo: Editora Moderna, 1998. 176p. il. ISBN 8516021009
* CHIAVENATO, Júlio José. As várias faces da Inconfidência Mineira. São Paulo: Contexto, 1989. 88p. il. ISBN 8585134429
* JARDIM, Márcio. A Inconfidência Mineira: uma síntese factual. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1989. 416p. ISBN 857011141X
* MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
* MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira: Brasil-Portugal - 1750-1808. São Paulo: Paz e Terra, 1985. 318p. mapas, tabelas. ISBN 8521903979
* Tiradentes: a sentença. Rio de Janeiro: ALERJ, 1992. 54p.
* Tiradentes: os caminhos do ouro. Brasília: Imprensa Nacional, 1992. 26p. il.
Ligações externas
* Tirandentes e seus juízes
* Tetraneta de Tiradentes tem pensões mantidas pelo STF
* A DERRAMA E OS QUINTOS in MGQUILOMBO - O QUILOMBO MINAS GERAIS.
* O QUILOMBO DO CAMPO GRANDE E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA
A chamada Inconfidência Carioca foi o nome pelo qual ficou conhecida a repressão a uma associação de intelectuais que se reuniam, no Rio de Janeiro, em torno de uma sociedade literária, no fim do século XVIII.
Fundada desde 1771, sob o nome de Academia Científica do Rio de Janeiro, a sociedade se reunia desde o governo de Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790). Na academia se discutiam assuntos filosóficos e políticos, à semelhança do que estava em voga na Europa. Em suas últimas reuniões, a figura de destaque era Manuel Inácio da Silva Alvarenga, poeta e professor de Retórica, formado na Universidade de Coimbra.
Os acontecimentos envolvendo a Inconfidência Mineira (1789), além da evolução da Revolução Francesa, tornaram a discussão desses assuntos e a posse de determinados livros, comprometedora aos olhos das autoridades coloniais. Desse modo, o novo vice-rei, conde de Resende (1790-1801), resolveu em 1794 fechar a Sociedade e processar seus membros. À semelhança das conjurações anteriores, os seus participantes foram delatados em função de suas idéias Iluministas e suspeita de envolvimento com a Maçonaria, tendo suas atividades suspensas. Já que as reuniões prosseguiam reservadamente na residência de um dos implicados, novas denúncias conduziram à detenção pelas autoridades de um total de dez pessoas.
Um processo de devassa foi aberto e se estendeu de 1794 a 1795, sem que fossem encontradas provas conclusivas de que uma conspiração se encontrava em curso, além de livros de circulação proibida. Desse modo, os implicados detidos foram libertados.
A chamada Inconfidência Carioca foi o nome pelo qual ficou conhecida a repressão a uma associação de intelectuais que se reuniam, no Rio de Janeiro, em torno de uma sociedade literária, no fim do século XVIII.
Fundada desde 1771, sob o nome de Academia Científica do Rio de Janeiro, a sociedade se reunia desde o governo de Luís de Vasconcelos e Sousa (1779-1790). Na academia se discutiam assuntos filosóficos e políticos, à semelhança do que estava em voga na Europa. Em suas últimas reuniões, a figura de destaque era Manuel Inácio da Silva Alvarenga, poeta e professor de Retórica, formado na Universidade de Coimbra.
Os acontecimentos envolvendo a Inconfidência Mineira (1789), além da evolução da Revolução Francesa, tornaram a discussão desses assuntos e a posse de determinados livros, comprometedora aos olhos das autoridades coloniais. Desse modo, o novo vice-rei, conde de Resende (1790-1801), resolveu em 1794 fechar a Sociedade e processar seus membros. À semelhança das conjurações anteriores, os seus participantes foram delatados em função de suas idéias Iluministas e suspeita de envolvimento com a Maçonaria, tendo suas atividades suspensas. Já que as reuniões prosseguiam reservadamente na residência de um dos implicados, novas denúncias conduziram à detenção pelas autoridades de um total de dez pessoas.
Um processo de devassa foi aberto e se estendeu de 1794 a 1795, sem que fossem encontradas provas conclusivas de que uma conspiração se encontrava em curso, além de livros de circulação proibida. Desse modo, os implicados detidos foram libertados.
A Conjuração Baiana, também denominada como Revolta dos Alfaiates (uma vez que seus líderes exerciam este ofício), foi um movimento de caráter emancipacionista, ocorrido no ocaso do século XVIII, na então Capitania da Bahia, no Estado do Brasil. Diferentemente da Inconfidência Mineira (1789), se reveste de caráter popular.
Índice
[esconder]
* 1 Antecedentes
* 2 Ideias
* 3 A revolta
* 4 A repressão
* 5 Conclusão
* 6 Bibliografia
[editar] Antecedentes
Sendo a então Capitania da Bahia governada por D. Fernando José de Portugal e Castro (1788-1801), a capital, Salvador, fervilhava com queixas contra o governo, cuja política elevava os preços das mercadorias mais essenciais, causando a falta de alimentos, chegando o povo a arrombar os açougues, ante a ausência de carne.
O clima de insubordinação contaminou os quartéis, e as ideias nativistas que já haviam animado Minas Gerais, foram amplamente divulgadas, encontrando eco sobretudo nas classes mais humildes.
A todos influenciava o exemplo da independência das Treze Colônias Inglesas, e idéias iluministas, republicanas e emancipacionistas eram difundidas também por uma parte da elite culta, reunida em associações como a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz
Os 5 pontos da conjuração baiana eram:
1. Proclamação da República;
2. Diminuição dos Impostos;
3. Abertura dos Portos;
4. Fim do Preconceito;
5. Aumento Salarial.
[editar] Ideias
Seu principal lider foi Cipriano Barata, conhecido como médico dos pobres e revolucionário de todas a revoluções. Há grande influência da sociedade maçônica (cavaleiros da luz) e do processo de independência do Haiti ou haitianismo.
Os revoltosos pregavam a libertação dos escravos, a instauração de um governo igualitário (onde as pessoas fossem vistas de acordo com a capacidade e merecimento individuais), além da instalação de uma república na Bahia e da liberdade de comércio e o aumento dos salários dos soldados. Tais ideias eram divulgadas sobretudo pelos escritos do soldado Luiz Gonzaga das Virgens e pelos panfletos de Cipriano Barata, médico e filósofo.
[editar] A revolta
Em 12 de Agosto de 1798, o movimento precipitou-se quando alguns de seus membros, distribuindo os panfletos na porta das igrejas e colando-os nas esquinas da cidade, alertaram as autoridades que, de pronto, reagiram, detendo-os. Tal como na Conjuração Mineira, interrogados, acabaram delatando os demais envolvidos.
Um desses panfletos declarava:
"Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais." (in: RUY, Afonso. A primeira revolução social do Brasil. p. 68.)
[editar] A repressão
Bandeira da Conjuração Baiana. as cores da bandeira do movimento (Azul, branca e vermelha) são até hoje as cores da Bahia.
Durante a fase de repressão, centenas de pessoas foram denunciadas - militares, clérigos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. Destas, quarenta e nove foram detidas, a maioria tendo procurado abjurar a sua participação, buscando demonstrar inocência.
Finalmente, no dia 8 de Novembro de 1799, procedeu-se à execução dos condenados à pena capital, por enforcamento, na seguinte ordem:
1. soldado Lucas Dantas do Amorim Torres;
2. aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira;
3. soldado Luís Gonzaga das Virgens; e
4. mestre alfaiate João de Deus Nascimento.
O quinto condenado à pena capital, o ourives Luís Pires, fugitivo, jamais foi localizado. Pela sentença, todos tiveram os seus nomes e memórias "malditos" até à 3a. geração. Os despojos dos executados foram expostos da seguinte forma:
* a cabeça de Lucas Dantas ficou espetada no Campo do Dique do Desterro;
* a de Manuel Faustino, no Cruzeiro de São Francisco;
* a de João de Deus, na Rua Direita do Palácio (atual Rua Chile); e
* a cabeça e as mãos de Luís Gonzaga ficaram pregadas na forca, levantada na Praça da Piedade, então a principal da cidade.
Esses despojos ficaram à vista, para exemplo da população, por cinco dias, tendo sido recolhidos no dia 13 pela Santa Casa de Misericórdia (instituição responsável pelos cemitérios à época do Brasil Colônia), que os fez sepultar em local desconhecido.
Os demais envolvidos foram condenados à pena de degredo, agravada com a determinação de ser sofrido na costa Ocidental da África, fora dos domínios de Portugal, o que equivalia à morte. Foram eles:
* José de Freitas Sacota e Romão Pinheiro, deixados em Acará, sob domínio holandês;
* Manuel de Santana em Aquito, então domínio dinamarquês;
* Inácio da Silva Pimentel, no Castelo da Mina, sob domínio holandês;
* Luís de França Pires em Cabo Corso;
* José Félix da Costa em Fortaleza do Moura;
* José do Sacramento em Comenda, sob domínio inglês.
Cada um recebeu publicamente 500 chibatadas no Pelourinho, à época no Terreiro de Jesus, e foram depois conduzidos para assistir a execução dos sentenciados à pena capital. A estes degredados acrescentavam-se os nomes de:
* Pedro Leão de Aguilar Pantoja degredado no Presídio de Benguela por 10 anos;
* o escravo Cosme Damião Pereira Bastos, degredado por cinco anos em Angola;
* os escravos Inácio Pires e Manuel José de Vera Cruz, condenados a 500 chibatadas, ficando seus senhores obrigados a vendê-los para fora da Capitania da Bahia;
* José Raimundo Barata de Almeida, degredado para a ilha de Fernando de Noronha;
* os tenentes Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja e José Gomes de Oliveira Borges, permaneceram detidos por seis meses em Salvador;
* Cipriano Barata, detido a 19 de Setembro de 1798, solto em Janeiro de 1800.
[editar] Conclusão
O movimento envolveu indivíduos de setores urbanos e marginalizados na produção da riqueza colonial, que se revoltaram contra o sistema que lhes impedia perspectivas de ascensão social. O seu descontentamento voltava-se contra a elevada carga de impostos cobrada pela Coroa portuguesa e contra o sistema escravista colonial, o que tornava as suas reivindicações particularmente perturbadoras para as elites. A revolta resultou em um dos projetos mais radicais do período colonial, propondo idealmente uma nova sociedade igualitária e democrática. Foi barbaramente punida pela Coroa de Portugal. Este movimento, entretanto, deixou profundas marcas na sociedade soteropolitana, a ponto tal que o movimento emancipacionista eclodiu novamente, em 1821, culminando na guerra pela Independência da Bahia, concretizada em 2 de julho de 1823, formando parte da nação que emancipara-se a 7 de setembro do ano anterior, sob império de D. Pedro I.
[editar] Bibliografia
* TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia (10a. ed.). São Paulo: Editora UNESP; Salvador (BA): EDUFBA, 2001. 544p. il. mapas. ISBN 8571393702
Montes Claros é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais. Pertence à microrregião homônima e Mesorregião do Norte de Minas, localizando-se a norte da capital do estado, distando desta cerca de 422 km.[2] Ocupa uma área de 3 582,034 km², sendo que 38,7000 km² estão em perímetro urbano e os 3543,334 km² restantes constituem a zona rural.[7] Em 2010 sua população foi contada pelo IBGE em 361 971 habitantes,[4] sendo então o sexto mais populoso de Minas Gerais e o 62º de todo o país.
A sede tem uma temperatura média anual de 22,65 °C e na vegetação do município predomina uma mistura entre cerrado e caatinga. Em relação à frota automobilística, em 2009 foram contabilizados 120 436 veículos.[8] Com uma taxa de urbanização da ordem de 90 %, o município contava em 2009 com 224 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,783, considerando-se assim como médio em relação ao país.[4]
Montes Claros foi emancipada no século XIX, tendo, há bastante tempo, a indústria e o comércio como importantes atividades econômicas, sendo considerada um polo industrial regional. Atualmente é formada por dez distritos, sendo que é subdivida ainda em cerca de 200 bairros e povoados.[9] Conta com diversos atrativos naturais, históricos ou culturais, como os Parques Municipal Milton Prates, Guimarães Rosam e Sapucaia, que são importantes áreas verdes, e construções como a Catedral de Nossa Senhora Aparecida e a Igrejinha dos Morrinhos, além dos vários sítios arqueológicos.[10]
Índice
* 1 História
o 1.1 Origens e pioneirismo
o 1.2 Evolução administrativa
o 1.3 Após a fundação
o 1.4 Crescimento econômico e demográfico
* 2 Geografia
o 2.1 Relevo e hidrografia
o 2.2 Clima
o 2.3 Ecologia e meio ambiente
* 3 Subdivisões
* 4 Demografia
o 4.1 Pobreza e desigualdade
o 4.2 Religião
* 5 Política e administração
* 6 Economia
o 6.1 Setores
o 6.2 Incentivos fiscais e financeiros
* 7 Estrutura urbana
o 7.1 Saúde
o 7.2 Educação
o 7.3 Segurança pública e criminalidade
o 7.4 Serviços e comunicações
o 7.5 Transportes
* 8 Cultura
o 8.1 Artes e artesanato
o 8.2 Turismo e eventos
o 8.3 Esportes
o 8.4 Feriados
* 9 Ver também
* 10 Referências
o 10.1 Bibliográficas
* 11 Ligações externas
[editar] História
[editar] Origens e pioneirismo
As terras do atual município de Montes Claros eram, até a década de 1760, habitadas apenas pelos índios Anais e Tapuias. Por volta do ano de 1768, uma expedição composta por 12 bandeirantes espanhóis e portugueses, a Expedição Espinosa, desbravou a região à procura de pedras preciosas, e embrenharam-se pelo sertão do Norte da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Fernão Dias Pais, o governador, organizou uma bandeira, para conquistar aquela região.[11]
Antônio Gonçalves Figueira, que pertencia à Bandeira de Fernão Dias, acompanhou-a até às margens do Rio Paraopeba, onde, com Matias Cardoso de Almeida, abandonou o chefe, que voltou para São Paulo, chegando lá dois anos depois. Naquele lugar, Antônio e Matias construíram fazendas, cujas sedes foram crescendo e se transformando em cidades, caçando índios e continuaram a explorar as riquezas da região. Pelo alvará de 12 de abril de 1707, Antônio Gonçalves Figueira obteve a sesmaria de uma légua de largura por três comprimentos, que constituiu a Fazenda de Montes Claros (uma das três fazendas), situada nas cabeceiras do Rio Verde Grande, pela margem esquerda. Formigas foi o segundo povoado da Fazenda Montes Claros. Gonçalves Figueira, para alcançar mercado para o gado, construiu estradas para Tranqueiras na Bahia, e para o Rio São Francisco.[11]
[editar] Evolução administrativa
124 anos após obtenção da Sesmaria, por Antônio Gonçalves Figueira, o arraial já estava suficientemente desenvolvido para tornar-se independente, desmembrando-se de Serro Frio (atual Serro). Pelo esforço dos líderes políticos o Arraial foi elevado à categoria de Vila pela Lei de 13 de outubro de 1831, recebendo o nome de "Vila de Montes Claros de Formigas". Em 1857, a estão Vila Montes Claros de Formigas possuía pouco mais de 2 mil habitantes, mas os políticos já pleiteavam a elevação à cidade, pois os melhoramentos existentes eram os mesmos de quase todos os municípios da Província. Assim, pela Lei 802 de 3 de julho daquele ano, a Vila passou à cidade - com o nome de Montes Claros.[11]
Pela lei provincial nº 1398, de 27 de novembro de 1867 e lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, foi criado o distrito de Brejos das Almas (ex-povoado de São Gonçalo do Brejo das Almas), primeiro distrito do município. Com o passar do tempo, o território monteclarense sofreu diversas perdas territoriais e reformulações administrativas, até que na década de 80 passou a compor-se dos atuais distritos: Aparecida do Mundo Novo, Ermidinha, Miralta, Nova Esperança, Panorâmica, Santa Rosa de Lima, São João da Vereda, São Pedro de Garça e Vila Nova de Minas.[12]
[editar] Após a fundação
Após a emancipação política, com o cerscimento populacional, houve a necessidade de investimentos na infraestrutura urbana municipal.[11] Em 1871, foi criado o Hospital de Caridade, depois chamado "Santa Casa de Caridade". Em 2 de fevereiro de 1880 foi instalada a Escola Normal de Montes Claros. Em 24 de fevereiro de 1884 saiu o primeiro número do Semanário "Correio do Norte". Dia 14 de setembro de 1886 foi a data da inauguração da Capela de Santa Cruz, conhecida simplesmente por Capela do Morrinho. E em 27 de outubro de 1892 foi criada a primeira "linha telegráfica" da cidade.[11]
Primeiros automóveis da cidade, em 1920.
A indústria em Montes Claros começou com a fábrica de tecidos do Cedro, em 1882, sendo que em 25 de julho de 1889 foi destruída por grande incêndio. Contava com ensino primário para instrução de funcionários.[13] No comércio destacou-se a criação do Mercado Municipal, cuja inauguração ocorreu no dia 3 de setembro de 1899. Situado no largo de cima, hoje praça Dr. Carlos Versiani, era construção imponente com uma torre bem alta, onde o relógio, doado por Dona Carlota Versiani, tocava a cada hora.[11] No decorrer do século XX destacaram-se a chegada da energia elétrica à cidade, em 20 de janeiro de 1917, a chegada do primeiro automóvel, em 10 de novembro de 1920, a criação do serviço de água potável, em 18 de dezembro de 1938, e a Instalação do Serviço de Telefone Interurbano, em 30 de junho de 1956.[11]
[editar] Crescimento econômico e demográfico
Em Montes Claros houve um grande processo de industrialização a partir da década de 1970. A atividade industrial, implantada a partir de incentivos fiscais e financeiros do poder público (federal, estadual e municipal) através da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), fez com que a cidade se tornasse foco de um intenso fluxo migratório, o que gerou um crescimento urbano desordenado. Assim, o rápido processo de urbanização, agravado pela falta de planejamento, resultou numa diferenciação espacial intra-urbana, com várias áreas demarcadas por focos de pobreza.[14] Na década de 1980 alterações importantes ocorreram na malha urbana com a ocupação de vazios urbanos na região sul, reforma de avenidas para permitir um melhor fluxo de veículos, verticalização na área central e suas proximidades, alteração na distribuição espacial de diversas atividades e dispersão da periferia.[14]
Com o passar do tempo, novas melhorias foram feitas, com fim de deminuir o índice de pobreza. Em 1970, 74,79% da população se encontrava em nível de pobreza, enquanto que em 2001 esta taxa era de 33,17%.[14] Hoje a predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústria, comércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.[11][15]
[editar] Geografia
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 3 582,034 km², sendo que 38,7000 km² constituem a zona urbana e os 3543,334 km² restantes constituem a zona rural.[7] Situa-se a 16°44'06" de latitude sul e 43° 51' 43" de longitude oeste. Está a uma distância de 422 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são São João da Ponte, a norte; Capitão Enéas, a nordeste; Francisco Sá, a leste; Juramento e Glaucilândia, a sudeste; Bocaiuva e Engenheiro Navarro, a sul; Claro dos Poções, a sudoeste; São João da Lagoa e Coração de Jesus, a oeste; e Mirabela e Patis, a noroeste.[2][16]
[editar] Relevo e hidrografia
Pastagens em terreno ondulado na zona rural de Montes Claros.
O ponto central da cidade tem uma altitude média de 655,21 metros. O ponto culminante do município é o Morro Vermelho, onde a altitude chega aos 1 075 metros. Em Montes Claros predomina um relevo ondulado, com mares de morros e montanhas. A altitude mínima, que é de 502 metros, encontra-se na foz do Ribeirão do Ouro.[2] 60% do terreno municipal é ondulado, 30% são de áreas planas e os 10 % restantes são zonas montanhosas.[2]
O município pertence à Bacia do rio São Francisco, além de ser banhado pelos rios do Vieira, do Cedro,[2] Verde Grande, Pacuí, São Lamberto[16] e Riachão.[17] Ainda há as lagoas: Tiriricas, Lagoão, Periperi, São João, Brejão, Garça, Vereda dos Caetanos, Mombuca, São Jorge, Freitas, Matos e Barreiro. No solo de Montes Claros predomina uma formação Pré-cambriana antiga, com ocorrência de siltito, ardósia, calcários, filitos, calcita, galena, minério de ferro, azotato de potássio, cristal de rocha e ouro de aluvião.[16]
[editar] Clima
Entardecer na cidade.
O clima montes-clarense é caracterizado tropical (tipo Aw segundo Köppen),[18] com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 22,65 °C, tendo invernos secos e amenos (raramente frios em excesso) e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, conta com temperatura média de 24,5 °C, sendo a média máxima de 30,0°C e a mínima de 19,0°C. E o mês mais frio, julho, de 19,5 °C, sendo 27,0°C e 12,0°C a média máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.[19]
A precipitação média anual é de 1085,0 mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas 3 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 236,0 mm.[19] Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 30 °C, especialmente entre junho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Montes Claros não passou dos 0 mm.[20] Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.[21]
A temperatura mínima que já foi registrada na cidade foi de 2,5 °C, no dia 18 de julho de 2000.[22] Já a máxima observada foi de 41,5 °C, no dia 28 de outubro de 2008.[23] O maior acumulado de chuva em menos de 24 horas foi de 175 mm, que ocorreram em 2 de fevereiro de 1979.[24] Em julho de 1924 houve registro de geada em alguns pontos da cidade, fato raro no norte mineiro.[25] Em alguns dias do ano o índice de umidade relativa do ar (URA) chega a cair a valores abaixo de 10%,[24] sendo que o recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de no mínimo 30%.[26]
Médias de temperatura do ar e precipitação para Montes Claros
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 39,0 39,8 37,8 38,8 39,6 37,8 34,5 37,0 39,5 41,5 41,0 39,5 41,5
Temperatura máxima média (°C) 29,0 30,0 30,0 29,0 28,0 28,0 27,0 29,0 30,0 30,0 29,0 28,0 28,9
Temperatura mínima média (°C) 18,0 19,0 18,0 17,0 15,0 13,0 12,0 13,0 16,0 18,0 19,0 19,0 16,4
Temperatura mínima registrada (°C) 11,0 12,4 12,0 6,2 4,2 2,6 2,5 4,0 6,8 9,0 10,0 10,6 2,5
Precipitação (mm) 193,0 117,0 124,0 41,0 15,0 5,0 3,0 8,0 20,0 112,0 211,0 236,0 1 085,0
Dias de chuva 9,6 8,6 7,2 3,2 1,2 0,6 0,5 0,7 2,1 5,1 8,7 10,7 58,2
Fonte: The Weather Channel[19] (médias climatológicas) e Weather Base[27] (dias de chuva)
Fonte #2: Portal de Tecnologia da Informação Para MeteorologiaPortal de Tecnologia da Informação Para Meteorologia[28] e Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo)[24] (recordes)
[editar] Ecologia e meio ambiente
Montes Claros pertece ao domínio do cerrado, onde há ocorrências do cerrado caducifólio e do cerrado sub-caducifólio, com ligeiras ocorrências de cerrado superemifólio Também há trechos com registros de caatinga hipogerófila. Na flora regional é comum o desenvolvimento da tabebuia (pau-d'arco), do pequizeiro, do bloco de Juriti, do jatobá, da macambira, do schinopsis brasiliensis (Braúna) e da paineira (barriguda), além de possuir uma flora rica em plantas medicinais.[16]
Segundo a Lei nº 3754, de 15 de junho de 2007, que institui a política municipal de proteção, preservação, conservação, controle e recuperação do meio ambiente de Montes Claros, o Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (CODEMA) é o órgão público responsável pela proteção, conservação e melhoria do meio ambiente da cidade. Também é a encarregada de monitorar o uso das Áreas de Proteção Ambiental do município.[29]
[editar] Subdivisões
Como já foi citado anteriormente, Montes Claros é subdividida em dez distritos, sendo eles Aparecida do Mundo Novo, Ermidinha, Miralta, Montes Claros (Sede), Nova Esperança, Panorâmica, Santa Rosa de Lima, São João da Vereda, São Pedro de Garça e Vila Nova de Minas.[12] No ano de 2000, possuíam, respectivamente, população de 953, 1 614, 827, 293 903, 2 718, 222, 2 873, 1 386, 1 051 e 1 400 habitantes, segundo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) daquele ano.[30] Durante o século XX, houve a criação, elevação à cidade ou mesmo a extinção de diversos distritos do município, sendo que a última alteração foi feita em 8 de outubro de 1982, quando da criação do distrito de Aparecida do Mundo Novo.[12]
Atualmente há aproximadamente 160 bairros em Montes Claros, segundo o portal "Grande Brasil".[9] Um dos mais populosos é o Major Prates, onde moram aproximadamente 25 mil habitantes, sendo que é considerado também como uma das regiões mais violentas da cidade.[31]
[editar] Demografia
Crescimento populacional de
Montes Claros[14]
Ano População
1960 102 117
1970 116 486
1980 177 302
1991 250 062
2000 306 947
2010 361 971
Em 2010, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 361 971 habitantes, sendo o sexto mais populoso do estado e o 62º do país, apresentando uma densidade populacional de 101,05 habitantes por km².[4] Segundo o censo de 2010, 174 281 habitantes eram homens e 187 690 habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 344 479 habitantes viviam na zona urbana e 17 492 na zona rural.[4] Em 2000, segundo dados do Censo IBGE daquele ano, a população montes-clarense era composta por 131 231 brancos (42,75%); 16 691 pretos (5,44%); 156 126 pardos (50,86%); 260 amarelos (0,08%); 1 153 indígenas (0,38%); além dos 1 485 sem declaração (0,48%).[32]
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Montes Claros é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor é de 0,783, sendo o 101° maior de todo o estado de Minas Gerais (em 853 municípios); 415° de toda Região Sudeste do Brasil (em 1666) e o 969° de todo país (entre 5 507).[5] A cidade possui a maioria dos indicadores médios e parecidos com os da média nacional segundo o PNUD.[33]
[editar] Pobreza e desigualdade
Como citado anteriormente, Em Montes Claros, assim como em grande parte do país, o crescimento desordenado da população, causado pelo intenso fluxo migratório sofrido na década de 70, aliado à falta de planejamento, resultou numa diferenciação espacial intra-urbana, com várias áreas demarcadas por focos de pobreza.[14] Até por volta de 1970, a ocupação urbana se restringia à região central da cidade e bairros adjacentes. A partir dessa data, a área urbana passou a sofrer alterações significativas, sendo que as zonas norte, leste e sul tiveram uma expansão populacional mais intensa do que a zona oeste, que é ocupada por uma população de maior renda. O processo de ocupação não ocorreu de forma homogênea, existindo, ainda hoje, muitas áreas caracterizadas como vazios urbanos, em contraste com bairros subdesenvolvidos e favelas.[14]
Na área urbana, a distribuição espacial da população está diretamente relacionada à condição social dos moradores, gerando desigualdade econômica na cidade. Bairros localizados próximos ao centro possuem população com maior poder aquisitivo, enquanto que a periferia é onde estão localizados os mais subdesenvolvidos.[14] De acordo com o IBGE, em 2002, o Índice de Condições de Vida (ICV) era maior nos bairros Cidade Santa Maria (0,81), Todos os Santos (0,68) e São Luís (0,73), ambos situados na região central. E era menor no Vila Mauricéia (0,31), Vera Cruz (0,37) e Vila Atlântida (0,27), todos localizados em áreas afastadas do centro.[14]
No ano de 2009, de acordo com o IBGE, o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,41, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.[34] A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 31,37%, o limite inferior da incidência de pobreza é de 21,74%, o superior é de 41,00% e a incidência da pobreza subjetiva é de 26,03%.[34]
[editar] Religião
Igreja Matriz de Montes Claros, templo Católico.
Tal como a variedade cultural em Montes Claros, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes.[35]
O município de Montes Claros está localizado no país mais católico do mundo em números absolutos. A Igreja Católica teve seu estatuto jurídico reconhecido pelo governo federal em outubro de 2009,[36] ainda que o Brasil seja atualmente um estado oficialmente laico.[37]
A cidade possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Assembleia de Deus, a Igreja Cristã Maranata, a Igreja Presbiteriana, as igrejas batistas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Igreja Universal do Reino de Deus, entre outras. De acordo com dados do censo de 2000 realizado pelo IBGE, a população de Montes Claros vestá composta por: Católicos (77,13%), evangélicos (15,58%), pessoas sem religião (4,02%), espíritas (0,66%) e 2,61% estão divididas entre outras religiões.[35]
[editar] Política e administração
De acordo com a Constituição de 1988, Montes Claros está localizada em uma república federativa presidencialista. Foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito positivo.[38] A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo.[39]
Antes de 1930 os municípios eram dirigidos pelos presidentes das câmaras municipais, também chamados de agentes executivos ou intendentes. Somente após a Revolução de 1930 é que foram separados os poderes municipais em executivo e legislativo.[40] O primeiro intendente do município foi José Pinheiro Neves e o primeiro líder do poder executivo e prefeito do município foi Orlando Ferreira Pinto. Em vinte e nove mandatos, 25 prefeitos passaram pela prefeitura de Montes Claros, além dos 22 agentes executivos.[41] Em 2009, o prefeito que venceu as Eleições municipais no Brasil foi Luiz Tadeu Leite, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sendo eleito com 96 374 votos (52,58% dos votos válidos) no segundo turno das votações, realizados pelo fato de a cidade ter mais de 200 mil eleitores e de Tadeu não ter conseguido mais de 50% das intenções no primeiro turno.[42]
O Poder legislativo é constituído pela câmara, composta por 15 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição[43]) e está composta da seguinte forma:[44] três cadeiras do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB); duas cadeiras do Partido Popular Socialista (PPS); duas cadeiras do Partido Democrático Trabalhista (PDT); uma cadeira do Partido Progressista (PP); uma do Partido Verde; uma do Partido dos Trabalhadores (PT); uma do Partido Democrático Trabalhista (PDT); uma do Partido Trabalhista Nacional (PTN); uma do Partido da República (PR); uma do Partido Social Cristão (PSC); e uma do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
O município de Montes Claros se rege por lei orgânica, criada em 1° de fevereiro de 2007.[45] A cidade também é ainda a sede de uma Comarca.[46] O município possuía em 2010 238 405 eleitores, um aumento de 10,9% em comparação a 2006.[47]
Vista panorâmica de Montes Claros.
[editar] Economia
O Produto Interno Bruto - PIB - de Montes Claros é o maior de sua microrregião,[6] destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2008, o PIB do município era de R$ 3 462 739,125 mil.[6] 390 147 mil são de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes.[6] O PIB per capita é de R$ 9 665,14[6] e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de renda é de 0,691, sendo que o do Brasil é de 0,723.[33]
De acordo com o IBGE, a cidade possuía, no ano de 2008, 9 497 unidades locais, 9 127 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes e 130 045 trabalhadores, sendo 70 691 pessoal ocupado total e 59 354 ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam 691 296 reais e o salário médio mensal de todo município era de 2,2 salários mínimos.[48]
[editar] Setores
A economia de Montes Claros é diversificada pelas atividades agropecuárias, industriais e de prestação de serviços. A principal fonte econômica está centrada no setor terciário, com seus diversos segmentos de comércio e prestação de serviços de várias áreas, como na educação e saúde. Em seguida, destaca-se o setor secundário, com complexos industriais de grande porte, além das unidades produtivas de pequeno e médio portes.[49]
Primário
Produção de cana-de-açúcar, mandioca e milho[50]
Produto Área colhida (Hectares) Produção (Tonelada)
Cana-de-açúcar 480 38 400
Mandioca 470 5 640
Milho 2 720 5 440
A agricultura é o setor menos relevante da economia de Montes Claros. De todo o PIB da cidade 77 393 mil reais é o valor adicionado bruto da agropecuária.[6] Segundo o IBGE, em 2009 o município possuía um rebanho de 159 830 bovinos, 14 810 suínos, 6 596 equinos, 1 130 muares, 620 caprinos, 210 asinos, 630 ovinos e 2 202 300 aves, entre estas 1 618 000 galinhas e 584 300 galos, frangos e pintinhos.[51] Em 2009 a cidade produziu 25 603 mil litros de leite de 20 120 vacas. Foram produzidos 38 879 dúzias de ovos de galinha e 11 100 quilos de mel-de-abelha.[51] Na lavoura temporária são produzidos principalmente a cana-de-açúcar (38 400 toneladas), a mandioca (5 640 toneladas) e o milho (5 440 toneladas).[52]
Secundário
A indústria, atualmente, é o segundo setor mais relevante para a economia do município. 774 539 reais do PIB municipal são do valor adicionado bruto da indústria (setor secundário).[6] A cidade conta com um distrito industrial, composto por diversas empresas, que possui área de 5,2 milhões de m²[49] e é administrado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG).[2] Atualmente, estuda-se a implantação do Distrito Industrial 2, com área prevista de 1,5 milhões de m². Também se destaca na área industrial uma Usina de Biodiesel da Petrobras, que foi implantada em 2008 e atualmente encontra-se em funcionamento.[49]
Segundo dados da prefeitura de Montes Claros, havia, na cidade, 954 estabelecimentos e empresas e 9 912 trabalhadores com foco para o setor industrial do município.[49] São algumas das principais empresas com empreendimentos industriais no município a Coteminas, a Lafarge, o Novo Nordisk e a Nestlé.[49]
Terciário
Interior do Mercado Municipal de Montes Claros.
A prestação de serviços rende 2 220 660 reais ao PIB municipal.[6] O setor terciário atualmente é, como citado acima, a maior fonte geradora do PIB montes-clarense. Grande parte do valor do setor terciário vem do comércio. Segundo estatísticas da prefeitura, no ano de 2009 a cidade contava com 617 estabelecimentos e 3 185 trabalhadores na área da construção civil; 6 777 estabelecimentos e 14 997 trabalhadores no comércio; e 5 091 estabelecimentos e 24 473 trabalhadores no setor de serviços.[49]
A cidade conta com diversos núcleos ou centros comerciais, como o Mercado Municipal de Montes Claros, inaugurado em 1899;[11] o Ibituruna Center, criado em 18 de março de 2009;[53] o Montes Claros Shopping, fundado em 8 de novembro de 1997;[54] e o Shopping Popular Mário Ribeiro, inaugurado em 2003.[55] Assim como em grande parte do Brasil o maior período de vendas é o Natal.[56]
[editar] Incentivos fiscais e financeiros
Embora situado na região Sudeste do país, o município de Montes Claros, devido às suas características edafo-climáticas, econômicas, sociais e culturais, está inserido na região mineira da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), recebendo incentivos fiscais e financeiros concedidos por essa agência de desenvolvimento regional. Através dela a cidade é contemplada com projetos de investimentos com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste – (FNDE), até o limite de 60% do total dos investimentos fixos e circulantes.[49] Por meio da SUDENE é ainda possível obter isenção do Adicional de Frete para Marinha Mercante Brasileira (AFRMM), bem como do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF).[49]
A cidade é servida por ampla rede bancária. Além das várias instituições financeiras privadas e cooperativas de crédito que atuam no município, Montes Claros conta ainda com agências do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Nordeste.[49] Funcionando várias modalidades de crédito sob amparo do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Banco do Nordeste é, de acordo com a prefeitura, a principal instituição financeira de beneficiamento às atividades econômicas da região.[49]
[editar] Estrutura urbana
Praça da Matriz, no centro da cidade.
O município conta com boa infraestrutura. No ano de 2000, tinha 75 676 domicílios entre apartamentos, casas, e cômodos. Desse total 59 703 eram imóveis próprios, sendo 56 714 próprios já quitados (74,94%), 2 989 em aquisição (3,95%), 10 103 alugados (13,35%); 5 553 imóveis foram cedidos, sendo 1 190 por empregador (1,57%) e 4 363 cedidos de outra maneira (5,77%). 317 foram ocupados de outra forma (0,40%).[57] O município conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. Em 2000, 92,77% dos domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água;[58] 90,04% das moradias possuíam lixo coletado por serviço de limpeza[59] e 85,52% das residências possuíam rede geral de esgoto ou pluvial.[60]
[editar] Saúde
Em 2009, o município possuía 224 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 83 deles públicos e 141 privados. Neles a cidade possuía 921 leitos para internação, sendo que 241 estão nos públicos e os 680 restantes estão nos privados.[61] Na cidade existem seis hospitais gerais, sendo um público, dois privados e três filantrópicos. Montes Claros conta ainda com 8 780 profissionais de saúde. No ano de 2008 foram registrados 5 167 de nascidos vivos, sendo que 7,7% nasceram prematuros, 38,5% foram de partos casarios e 16,8% foram de mães entre 10 e 19 anos (0,5% entre 10 e 14 anos). A taxa bruta de natalidade naquele ano era de 14,4.[62] O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da longevidade em Montes Claros é de 0,787 (o brasileiro é 0,638), com expectativa de vida de 72,25 anos.[33]
São exemplos de hospitais da cidade o Aroldo Tourinho, Clemente de Farias (Universitário), Fundação Hospitalar Dilson de Quadros Godinho (São Lucas), Alpheu de Quadros e Santa Casa.[63] A Santa Casa de Monte Claros, denominação comum do hospital Irmandade Nossa Senhora das Mercês, é considerado como o maior estabelecimento de saúde da região do norte de Minas Gerais.[64]
[editar] Educação
O município conta com escolas em todas as suas regiões. A população da zona rural tem fácil acesso a escolas em bairros urbanos próximos em razão da alta taxa de urbanização. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre as escolas públicas de Montes Claros era, no ano de 2009, de 4,85; valor acima ao das escolas municipais e estaduais de todo o Brasil, que é de 4,0%.[65] O município contava, em 2009, com aproximadamente 83 846 matrículas, 4 586 docentes e 342 escolas nas redes públicas e particulares.[66] O valor do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da educação era de 0,872 (classificado como elevado), enquanto o do Brasil é 0,849.[33]
Considerada um polo universitário, Montes Claros também conta com a presença de duas universidades públicas e diversas faculdades privadas que oferecem cursos nas diversas áreas. São elas a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)[67] e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Instituto de Ciências Agrárias (ICA).[68]
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e do Ministério da Educação (MEC), o índice de analfabetismo no ano de 2000 entre pessoas de 18 a 24 anos de idade era de 2,510%,[69] enquanto que a taxa de alfabetização adulta naquele ano era de 90,08% (a do Brasil era de 84%[70]).[33] A taxa bruta de frequência à escola naquele ano era de 74,410%,[71] sendo que no país esse índice era de 81,5%.[72] 10 169 habitantes possuíam menos de 1 ano de estudo ou não contava com instrução alguma.[73] Em 2010, 241 alunos frequentavam o sistema de educação especial e 2 321 crianças estudavam em creches, sendo que 130 alunos de creches possuíam aulas em tempo integral.[74]
Educação de Montes Claros em números[66]
Nível Matrículas Docentes Escolas (total)
Ensino pré-escolar 8 997 458 126
Ensino fundamental 56 792 2 973 169
Ensino médio 18 057 1 155 47
[editar] Segurança pública e criminalidade
Brasão do 55° BI.
Como na maioria dos municípios médios e grandes brasileiros, a criminalidade ainda é um problema em Montes Claros. Em 2008, a taxa de homicídios no município foi de 28,7 para cada 100 mil habitantes, ficando no 34° lugar a nível estadual e no 534° lugar a nível nacional.[75] O índice de suicídios naquele ano para cada 100 mil habitantes foi de 8,1, sendo o 81° a nível estadual e o 570° a nível nacional.[76] Já em relação à taxa de óbitos por acidentes de transito, o índice foi de 33,8 para cada 100 mil habitantes, ficando no 45° a nível estadual e no 389° lugar a nível nacional.[77]
Segundo dados da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o batalhão da cidade atende ainda a outros 23 municípios do Norte do Estado, o que força um aumento nas reivindicações por efetivos policiais em Montes Claros. Também de acordo com a PMMG, em 2009 os jovens representavam 74% da população carcerária, sendo que grande parte desses detidos são por causas relacionadas ao narcotráfico.[78] O município também é sede do 55º Batalhão de Infantaria (Batalhão Dionísio Cerqueira, ou 55° BI), unidade militar do Exército Brasileiro que foi criada em 19 de abril de 1851, sendo subordinada à 4ª Região Militar.[79]
[editar] Serviços e comunicações
O serviço de abastecimento de água, assim como em toda a região, é feito pela Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), mesma responsável pela coleta de esgoto. No município, assim como em quase todo o estado de Minas Gerais, o serviço de abastecimento de energia elétrica é feito pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). No ano de 2003 existiam 101 502 consumidores e foram consumidos 368 217 506 KWh de energia.[2]
Ainda há serviços de internet discada e banda larga (ADSL) sendo oferecidos por diversos provedores de acesso gratuitos e pagos. O serviço telefônico móvel, por telefone celular, também é feito por várias operadoras. O código de área (DDD) de Montes Claros é o 038.[80] O Código de Endereçamento Postal (CEP) da cidade vai de 39400-001 até 39409-999.[81] No dia 10 de novembro de 2008 a região de Montes Claros passou a ser servida pela portabilidade, assim como as outras cidades de DDD 38. A portabilidade é um serviço que possibilita a troca da operadora sem a necessidade de se trocar o número do aparelho.[82]
O município conta ainda com jornais em circulação. No ano de 2004 havia quatro no total. Em 2001 existiam oito emissoras de rádio, de acordo com a Associação Mineira de Rádio e TV e a Telecomunicações de Minas Gerais S.A.[2] Porém esse número aumentou ao longo dos anos. São exemplos de emissoras da cidade a 98 FM, primeira a instalar-se no Norte de Minas, em maio de 1981;[83] a Rádio Unimontes 101,1 FM;[84] e a Rádio Transamérica Pop 95,1 FM.[85]
[editar] Transportes
Estrada de terra na zona rural.
Vista aérea do Aeroporto de Montes Claros, o principal do norte mineiro.
Por não possuir rios em abundância, o município não possui muita tradição no transporte hidroviário. Montes Claros também era servida pela Estrada de Ferro Central do Brasil, que operou entre 1858 e 1969, sendo que a antiga estação da cidade ainda funcionou até 1996, ligando o município a Monte Azul.[86] O município possui fácil acesso à BR-135, que liga o meio norte do Brasil (Maranhão) à capital mineira; à BR-365, que liga Montes Claros a Uberlândia; à BR-251, que se estende do estado da Bahia até o estado de Mato Grosso; e à BR-122, que começa no estado do Ceará, em Fortaleza, e termina em Montes Claros, no trevo da BR-251.[2][87] Em Montes Claros está situado o Aeroporto Mário Ribeiro, que foi inaugurado em 18 de dezembro de 1939 e hoje possui pista de pouso asfaltada de 45 metros de largura e 2 100 metros de extensão, com capacidade anual de 70 000 passageiros.[88] Há ainda outros dois pequenos aeroportos, de administração privada, sendo que ambos possuem pista de 1 150 metros de comprimento.[2]
A frota municipal no ano de 2009 era de 120 436 veículos, sendo 53 200 automóveis, 3 769 caminhões, 398 caminhões trator, 8 079 caminhonetes, 204 micro-ônibus, 47 095 motocicletas, 6 765 motonetas, 917 ônibus e nove tratores de roda.[8] As avenidas duplicadas e pavimentadas e diversos semáforos facilitam o trânsito da cidade, mas o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente na Sede do município. Além disso, tem se tornado difícil encontrar vagas para estacionar no centro comercial da cidade, o que vem gerando alguns prejuízos ao comércio.[89]
A Empresa Municipal de Planejamento, Gestão e Educação em Trânsito e Transportes de Montes Claros (McTrans) regulamenta e regulariza o sistema de transporte público, gerencia o trânsito e, através de seus Agentes de Trânsito, aplica autuações aos motoristas que cometem infrações de trânsito.[90] Já as encarregadas pela exploração do transporte transporte público coletivo de Montes Claros são a Transmoc e Alprino.[91] A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Montes Claros (ATCMC), fundada em 23 de fevereiro de 1988, é uma associação de empresas destinada a congregar as empresas com a atividade do transporte público municipal.[92] O município também conta com o Terminal Rodoviário Hildeberto Alves de Freitas, que é um dos principais terminais rodoviários da região, inaugurado em 3 de outubro de 1980.[93]
[editar] Cultura
A responsável pelo setor cultural de Montes Claros é a Secretaria Municipal de Cultura, que tem como objetivo planejar e executar a política cultural do município por meio da elaboração de programas, projetos e atividades que visem ao desenvolvimento cultural. Está vinculada ao Gabinete do Prefeito, integra a administração pública indireta do município e possui autonomia administrativa e financeira, assegurada, especialmente, por dotações orçamentárias, patrimônio próprio, aplicação de suas receitas e assinatura de contratos e convênios com outras instituições.[94]
[editar] Artes e artesanato
Atualmente, segundo a prefeitura, Montes Claros não possui Casas de Espetáculos, a não ser salas de teatro, como a do Colégio Imaculada Conceição. Há também o Centro Cultural de Montes Claros, inaugurado em fevereiro de 2010, que abriga uma biblioteca de temáticas sertanejas, uma livraria dirigida pela Editora UFMG e um escritório da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep).[95] Algumas instituições cuidam da área das artes cênicas de Montes Claros, como o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez e a Faculdade de Educação Artística, que pertence à Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), oferecendo cursos com foco para o setor artístico e realizando peças para o público, além de organizarem movimentos para a construção de uma Casa de Espetáculos.[96] Um dos principais eventos é o Festival de Cinema de Montes Claros, que acontece todo mês de maio, desde 2010, onde há a exibição de filmes produzidos por diversos diretores brasileiros, assim como de diretores da região norte de Minas Gerais. São realizadas as Mostras "Digital Norte Mineira", "de Filmes Infantis" e "Competitiva de Curtas e Longas".[97] No cenário artístico montes-clarense também se destacaram diversas personalidades, como Beto Guedes, violonista, cantor e compositor;[98] Ciro dos Anjos, cronista, romancista, ensaísta e memorialista;[99] e Tião Carreiro, cantor sertanejo.[100]
O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural montes-clarense. Em várias partes do município é possível encontrar uma produção artesanal diferenciada, feita com matérias-primas regionais e criada de acordo com a cultura e o modo de vida local. Alguns grupos reúnem diversos artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato.[101] Neste setor da cultura, se destacaram personalidades como a artista plástica Yara Tupynambá.[102]
[editar] Turismo e eventos
Vista noturna da Praça da Matriz.
Igreja dos Morrinhos.
Montes Claros ainda conta com diversos pontos turísticos, como: o Parque Municipal Milton Prates, que possui uma grande área verde e é onde está situado o Zoológico Municipal; o Parque Sapucaia, que está localizado na Serra do Ibituruna, sendo uma reserva florestal com relevo montanhoso, propícia para prática de esportes radicais; o Parque Guimarães Rosa, criado pela Lei Municipal nº. 793 de 7 de agosto de 1989, é uma das maiores áreas verdes do perímetro urbano municipal; a Lapa Encantada, cachoeiras com 1 km de rios subterrâneos; a Gruta do Engenho, aberta para visitação; o Conjunto Lapa Grande, onde insere-se a gruta de mesmo nome que, com seus 3 km, está entre as maiores de Minas Gerais, além de abrigar em seus sedimentos restos de animais fósseis; além de construções como a Catedral de Nossa Senhora Aparecida, a Igreja Matriz e a Igrejinha dos Morrinhos.[10] Também possuem destaque os 164 sítios arqueológicos catalogados, tendo como principal o Complexo Espeleológico da Lapa Grande, dada a sua importância arqueológica, sendo onde aparece a formação do vulcão espeleotema de pouquíssima ocorrência no Brasil.[10]
Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Montes Claros, juntamente ou não com empresas locais, investe no segmento de festas e eventos. Essas festas, muitas vezes atraem pessoas de outras cidades, exigindo uma melhor infraestrutura no município e estimulando a profissionalização do setor, o que é benéfico não só aos turistas, mas também a toda população da cidade. As atividades ocorrem durante o ano inteiro. Há: o Festival do Pequi, em janeiro; o Carnamontes, em fevereiro ou março; o Festival Internacional de Danças Folclóricas, em maio; as Festas Juninas, em junho ou julho; a Exposição Agropecuária, no Parque de Exposição João Alencar Athayde, em julho; a Festa de Agosto (Catopês), em agosto; a Feira Nacional da Indústria, Comércio e de Serviços de Montes Claros (FENICS), em agosto; e o Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, em outubro.[96]
[editar] Esportes
Assim como em grande parte do Brasil, o esporte mais popular em Montes Claros é o futebol. Na cidade há diversos clubes, se destacando o Montes Claros Futebol Clube, fundado 28 de agosto de 1990; o Funorte Esporte Clube, fundado a 4 de maio de 2007; a Associação Atlética Cassimiro de Abreu, fundado em 28 de maio de 1948; e a Associação Desportiva Ateneu, criada em 1º de maio de 1947. Também existem diversos estádios de futebol, como o Estádio João Rebello, com capacidade para 6 000 pessoas; o Estádio José Maria de Melo, com capacidade para 5 000 pessoas; o Estádio Dr. Rubens Durães Peres, 1 000 pessoas; o Estádio Ivani Martins Pereira, 1 000 pessoas, além de pequenos campos distribuídos pela cidade.[103]
Montes Claros também possui destaques em outros esportes, como o voleibol. A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Educacional de Montes Claros (FUNADEM) foi criada em 2009, tendo já no final desse ano conseguido visibilidade nacional após ter vencido o Circuito Internacional de Vôlei, evendo amistoso realizado na cidade que reuniu alguns times de outros países.[104] No município também há, de acordo com a prefeitura, cinco ginásios, sendo o maior o Ginásio Poliesportivo Presidente Tancredo Neves, com capacidade para 12 mil pessoas; seis logradouros próprios para serem usados como pistas de caminhada; e 15 clubes sociais.[103]
[editar] Feriados
Em Montes Claros há dois feriados municipais, oito feriados nacionais e três pontos facultativos. Os feriados municipais são: o Corpus Christi, que sempre é realizado na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade; e o aniversário da emancipação da cidade, dia 3 de julho. De acordo com a lei federal n.º 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais, já incluso neste a Sexta-Feira Santa.[105][106]
[editar] Ver também
* Anexo:Lista de municípios de Minas Gerais
* Anexo:Lista de municípios da região Sudeste do Brasil
* Anexo:Lista de municípios do Brasil
* Arquidiocese de Montes Claros
* Naturais de Montes Claros
Referências
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3. ↑ IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
4. ↑ a b c d e Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
5. ↑ a b Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
6. ↑ a b c d e f g h i Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
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8. ↑ a b Cidades@ - IBGE (2009). Frota 2009. Página visitada em 19 de maio de 2011.
9. ↑ a b Grande Brasil. Município de Montes Claros, estado de Minas Gerais (MG). Página visitada em 20 de maio de 2011.
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11. ↑ a b c d e f g h i Prefeitura. História. Página visitada em 11 de maio de 2011.
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14. ↑ a b c d e f g h Marcos Esdras Leite e Anete Marília Pereira (26 de março de 2005). Expansão territorial e os espaços de pobreza na cidade de Montes Claros. Observatório Geográfico América Latina. Página visitada em 6 de junho de 2011.
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21. ↑ Paula Machado (17 de setembro de 2009). Queimadas preocupam no Norte de Minas. Jornal Gazeta Norte Mineira. Página visitada em 14 de maio de 2011.
22. ↑ CPTEC/INPE. Temperaturas mínimas registradas em julho de 2000 (Montes Claros - BRA). BDC (Bancos de Dados Climatológicos). Página visitada em 14 de maio de 2011.
23. ↑ CPTEC/INPE. Temperaturas máximas registradas em outubro de 2008 (Montes Claros - BRA). BDC (Bancos de Dados Climatológicos). Página visitada em 14 de maio de 2011.
24. ↑ a b c Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo). Dados Meteorológicos - Minas Gerais. Página visitada em 15 de agosto de 2011.
25. ↑ Carlos Alberto (4 de agosto de 2010). 07 de julho de 1924: Geadas em MG, até em Montes Claros. Meteorologia e Clima. Página visitada em 15 de agosto de 2011.
26. ↑ Climatempo (13 de julho de 2011). Tempo de seca no Brasil: atenção com a baixa umidade do ar. Página visitada em 15 de agosto de 2011.
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28. ↑ Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Busca por cidade. Portal de Tecnologia da Informação Para Meteorologia (Protim). Página visitada em 13 de maio de 2011.
29. ↑ Prefeitura (15 de junho de 2007). Lei nº 3754 de 15 de junho de 2007. Página visitada em 14 de maio de 2011.
30. ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2001). Censo Demografico 2000 - Microrregiões, distritos, subdistritos e bairros. Página visitada em 20 de maio de 2011.
31. ↑ In360. Major Prates pede mais segurança. Página visitada em 20 de maio de 2011.
32. ↑ Sidra (Sistema IBGE de Recuperação de Dados Automática) (2000). População de Gravataí por raça e cor. Página visitada em 21 de maio de 2011.
33. ↑ a b c d e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) (26 de abril de 2005). Montes Claros (MG). Página visitada em 15 de maio de 2011.
34. ↑ a b IBGE. Indicadores sociais dos municípios brasileiros. Página visitada em 15 de maio de 2011.
35. ↑ a b Religião. Página visitada em 15 de maio de 2011.
36. ↑ Cristiane Agostine (8 de outubro de 2009). Senado aprova acordo com o Vaticano (em Português). O Globo. Página visitada em 15 de maio de 2011.
37. ↑ Fernando Fonseca de Queiroz (Outubro de 2005). Brasil: Estado laico e a inconstitucionalidade da existência de símbolos religiosos em prédios públicos. Jus Navigandi. Página visitada em 15 de maio de 2011.
38. ↑ Organization of American States (OAS). The Brazilian Legal System (em Inglês). Página visitada em 15 de maio de 2011.
39. ↑ Flávio Henrique M. Lima (8 de fevereiro de 2006). O Poder Público Municipal à frente da obrigação constitucional de criação do sistema de controle interno. JusVi. Página visitada em 15 de maio de 2011.
40. ↑ Câmara Municipal de Bragança Paulista. Câmara Municipal de Bragança Paulista. Página visitada em 15 de maio de 2011.
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42. ↑ G1 (26 de outubro de 2008
A sede tem uma temperatura média anual de 22,65 °C e na vegetação do município predomina uma mistura entre cerrado e caatinga. Em relação à frota automobilística, em 2009 foram contabilizados 120 436 veículos.[8] Com uma taxa de urbanização da ordem de 90 %, o município contava em 2009 com 224 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,783, considerando-se assim como médio em relação ao país.[4]
Montes Claros foi emancipada no século XIX, tendo, há bastante tempo, a indústria e o comércio como importantes atividades econômicas, sendo considerada um polo industrial regional. Atualmente é formada por dez distritos, sendo que é subdivida ainda em cerca de 200 bairros e povoados.[9] Conta com diversos atrativos naturais, históricos ou culturais, como os Parques Municipal Milton Prates, Guimarães Rosam e Sapucaia, que são importantes áreas verdes, e construções como a Catedral de Nossa Senhora Aparecida e a Igrejinha dos Morrinhos, além dos vários sítios arqueológicos.[10]
Índice
* 1 História
o 1.1 Origens e pioneirismo
o 1.2 Evolução administrativa
o 1.3 Após a fundação
o 1.4 Crescimento econômico e demográfico
* 2 Geografia
o 2.1 Relevo e hidrografia
o 2.2 Clima
o 2.3 Ecologia e meio ambiente
* 3 Subdivisões
* 4 Demografia
o 4.1 Pobreza e desigualdade
o 4.2 Religião
* 5 Política e administração
* 6 Economia
o 6.1 Setores
o 6.2 Incentivos fiscais e financeiros
* 7 Estrutura urbana
o 7.1 Saúde
o 7.2 Educação
o 7.3 Segurança pública e criminalidade
o 7.4 Serviços e comunicações
o 7.5 Transportes
* 8 Cultura
o 8.1 Artes e artesanato
o 8.2 Turismo e eventos
o 8.3 Esportes
o 8.4 Feriados
* 9 Ver também
* 10 Referências
o 10.1 Bibliográficas
* 11 Ligações externas
[editar] História
[editar] Origens e pioneirismo
As terras do atual município de Montes Claros eram, até a década de 1760, habitadas apenas pelos índios Anais e Tapuias. Por volta do ano de 1768, uma expedição composta por 12 bandeirantes espanhóis e portugueses, a Expedição Espinosa, desbravou a região à procura de pedras preciosas, e embrenharam-se pelo sertão do Norte da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Fernão Dias Pais, o governador, organizou uma bandeira, para conquistar aquela região.[11]
Antônio Gonçalves Figueira, que pertencia à Bandeira de Fernão Dias, acompanhou-a até às margens do Rio Paraopeba, onde, com Matias Cardoso de Almeida, abandonou o chefe, que voltou para São Paulo, chegando lá dois anos depois. Naquele lugar, Antônio e Matias construíram fazendas, cujas sedes foram crescendo e se transformando em cidades, caçando índios e continuaram a explorar as riquezas da região. Pelo alvará de 12 de abril de 1707, Antônio Gonçalves Figueira obteve a sesmaria de uma légua de largura por três comprimentos, que constituiu a Fazenda de Montes Claros (uma das três fazendas), situada nas cabeceiras do Rio Verde Grande, pela margem esquerda. Formigas foi o segundo povoado da Fazenda Montes Claros. Gonçalves Figueira, para alcançar mercado para o gado, construiu estradas para Tranqueiras na Bahia, e para o Rio São Francisco.[11]
[editar] Evolução administrativa
124 anos após obtenção da Sesmaria, por Antônio Gonçalves Figueira, o arraial já estava suficientemente desenvolvido para tornar-se independente, desmembrando-se de Serro Frio (atual Serro). Pelo esforço dos líderes políticos o Arraial foi elevado à categoria de Vila pela Lei de 13 de outubro de 1831, recebendo o nome de "Vila de Montes Claros de Formigas". Em 1857, a estão Vila Montes Claros de Formigas possuía pouco mais de 2 mil habitantes, mas os políticos já pleiteavam a elevação à cidade, pois os melhoramentos existentes eram os mesmos de quase todos os municípios da Província. Assim, pela Lei 802 de 3 de julho daquele ano, a Vila passou à cidade - com o nome de Montes Claros.[11]
Pela lei provincial nº 1398, de 27 de novembro de 1867 e lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, foi criado o distrito de Brejos das Almas (ex-povoado de São Gonçalo do Brejo das Almas), primeiro distrito do município. Com o passar do tempo, o território monteclarense sofreu diversas perdas territoriais e reformulações administrativas, até que na década de 80 passou a compor-se dos atuais distritos: Aparecida do Mundo Novo, Ermidinha, Miralta, Nova Esperança, Panorâmica, Santa Rosa de Lima, São João da Vereda, São Pedro de Garça e Vila Nova de Minas.[12]
[editar] Após a fundação
Após a emancipação política, com o cerscimento populacional, houve a necessidade de investimentos na infraestrutura urbana municipal.[11] Em 1871, foi criado o Hospital de Caridade, depois chamado "Santa Casa de Caridade". Em 2 de fevereiro de 1880 foi instalada a Escola Normal de Montes Claros. Em 24 de fevereiro de 1884 saiu o primeiro número do Semanário "Correio do Norte". Dia 14 de setembro de 1886 foi a data da inauguração da Capela de Santa Cruz, conhecida simplesmente por Capela do Morrinho. E em 27 de outubro de 1892 foi criada a primeira "linha telegráfica" da cidade.[11]
Primeiros automóveis da cidade, em 1920.
A indústria em Montes Claros começou com a fábrica de tecidos do Cedro, em 1882, sendo que em 25 de julho de 1889 foi destruída por grande incêndio. Contava com ensino primário para instrução de funcionários.[13] No comércio destacou-se a criação do Mercado Municipal, cuja inauguração ocorreu no dia 3 de setembro de 1899. Situado no largo de cima, hoje praça Dr. Carlos Versiani, era construção imponente com uma torre bem alta, onde o relógio, doado por Dona Carlota Versiani, tocava a cada hora.[11] No decorrer do século XX destacaram-se a chegada da energia elétrica à cidade, em 20 de janeiro de 1917, a chegada do primeiro automóvel, em 10 de novembro de 1920, a criação do serviço de água potável, em 18 de dezembro de 1938, e a Instalação do Serviço de Telefone Interurbano, em 30 de junho de 1956.[11]
[editar] Crescimento econômico e demográfico
Em Montes Claros houve um grande processo de industrialização a partir da década de 1970. A atividade industrial, implantada a partir de incentivos fiscais e financeiros do poder público (federal, estadual e municipal) através da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), fez com que a cidade se tornasse foco de um intenso fluxo migratório, o que gerou um crescimento urbano desordenado. Assim, o rápido processo de urbanização, agravado pela falta de planejamento, resultou numa diferenciação espacial intra-urbana, com várias áreas demarcadas por focos de pobreza.[14] Na década de 1980 alterações importantes ocorreram na malha urbana com a ocupação de vazios urbanos na região sul, reforma de avenidas para permitir um melhor fluxo de veículos, verticalização na área central e suas proximidades, alteração na distribuição espacial de diversas atividades e dispersão da periferia.[14]
Com o passar do tempo, novas melhorias foram feitas, com fim de deminuir o índice de pobreza. Em 1970, 74,79% da população se encontrava em nível de pobreza, enquanto que em 2001 esta taxa era de 33,17%.[14] Hoje a predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústria, comércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.[11][15]
[editar] Geografia
A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 3 582,034 km², sendo que 38,7000 km² constituem a zona urbana e os 3543,334 km² restantes constituem a zona rural.[7] Situa-se a 16°44'06" de latitude sul e 43° 51' 43" de longitude oeste. Está a uma distância de 422 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são São João da Ponte, a norte; Capitão Enéas, a nordeste; Francisco Sá, a leste; Juramento e Glaucilândia, a sudeste; Bocaiuva e Engenheiro Navarro, a sul; Claro dos Poções, a sudoeste; São João da Lagoa e Coração de Jesus, a oeste; e Mirabela e Patis, a noroeste.[2][16]
[editar] Relevo e hidrografia
Pastagens em terreno ondulado na zona rural de Montes Claros.
O ponto central da cidade tem uma altitude média de 655,21 metros. O ponto culminante do município é o Morro Vermelho, onde a altitude chega aos 1 075 metros. Em Montes Claros predomina um relevo ondulado, com mares de morros e montanhas. A altitude mínima, que é de 502 metros, encontra-se na foz do Ribeirão do Ouro.[2] 60% do terreno municipal é ondulado, 30% são de áreas planas e os 10 % restantes são zonas montanhosas.[2]
O município pertence à Bacia do rio São Francisco, além de ser banhado pelos rios do Vieira, do Cedro,[2] Verde Grande, Pacuí, São Lamberto[16] e Riachão.[17] Ainda há as lagoas: Tiriricas, Lagoão, Periperi, São João, Brejão, Garça, Vereda dos Caetanos, Mombuca, São Jorge, Freitas, Matos e Barreiro. No solo de Montes Claros predomina uma formação Pré-cambriana antiga, com ocorrência de siltito, ardósia, calcários, filitos, calcita, galena, minério de ferro, azotato de potássio, cristal de rocha e ouro de aluvião.[16]
[editar] Clima
Entardecer na cidade.
O clima montes-clarense é caracterizado tropical (tipo Aw segundo Köppen),[18] com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 22,65 °C, tendo invernos secos e amenos (raramente frios em excesso) e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, conta com temperatura média de 24,5 °C, sendo a média máxima de 30,0°C e a mínima de 19,0°C. E o mês mais frio, julho, de 19,5 °C, sendo 27,0°C e 12,0°C a média máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.[19]
A precipitação média anual é de 1085,0 mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas 3 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 236,0 mm.[19] Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 30 °C, especialmente entre junho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Montes Claros não passou dos 0 mm.[20] Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.[21]
A temperatura mínima que já foi registrada na cidade foi de 2,5 °C, no dia 18 de julho de 2000.[22] Já a máxima observada foi de 41,5 °C, no dia 28 de outubro de 2008.[23] O maior acumulado de chuva em menos de 24 horas foi de 175 mm, que ocorreram em 2 de fevereiro de 1979.[24] Em julho de 1924 houve registro de geada em alguns pontos da cidade, fato raro no norte mineiro.[25] Em alguns dias do ano o índice de umidade relativa do ar (URA) chega a cair a valores abaixo de 10%,[24] sendo que o recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de no mínimo 30%.[26]
Médias de temperatura do ar e precipitação para Montes Claros
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 39,0 39,8 37,8 38,8 39,6 37,8 34,5 37,0 39,5 41,5 41,0 39,5 41,5
Temperatura máxima média (°C) 29,0 30,0 30,0 29,0 28,0 28,0 27,0 29,0 30,0 30,0 29,0 28,0 28,9
Temperatura mínima média (°C) 18,0 19,0 18,0 17,0 15,0 13,0 12,0 13,0 16,0 18,0 19,0 19,0 16,4
Temperatura mínima registrada (°C) 11,0 12,4 12,0 6,2 4,2 2,6 2,5 4,0 6,8 9,0 10,0 10,6 2,5
Precipitação (mm) 193,0 117,0 124,0 41,0 15,0 5,0 3,0 8,0 20,0 112,0 211,0 236,0 1 085,0
Dias de chuva 9,6 8,6 7,2 3,2 1,2 0,6 0,5 0,7 2,1 5,1 8,7 10,7 58,2
Fonte: The Weather Channel[19] (médias climatológicas) e Weather Base[27] (dias de chuva)
Fonte #2: Portal de Tecnologia da Informação Para MeteorologiaPortal de Tecnologia da Informação Para Meteorologia[28] e Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo)[24] (recordes)
[editar] Ecologia e meio ambiente
Montes Claros pertece ao domínio do cerrado, onde há ocorrências do cerrado caducifólio e do cerrado sub-caducifólio, com ligeiras ocorrências de cerrado superemifólio Também há trechos com registros de caatinga hipogerófila. Na flora regional é comum o desenvolvimento da tabebuia (pau-d'arco), do pequizeiro, do bloco de Juriti, do jatobá, da macambira, do schinopsis brasiliensis (Braúna) e da paineira (barriguda), além de possuir uma flora rica em plantas medicinais.[16]
Segundo a Lei nº 3754, de 15 de junho de 2007, que institui a política municipal de proteção, preservação, conservação, controle e recuperação do meio ambiente de Montes Claros, o Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (CODEMA) é o órgão público responsável pela proteção, conservação e melhoria do meio ambiente da cidade. Também é a encarregada de monitorar o uso das Áreas de Proteção Ambiental do município.[29]
[editar] Subdivisões
Como já foi citado anteriormente, Montes Claros é subdividida em dez distritos, sendo eles Aparecida do Mundo Novo, Ermidinha, Miralta, Montes Claros (Sede), Nova Esperança, Panorâmica, Santa Rosa de Lima, São João da Vereda, São Pedro de Garça e Vila Nova de Minas.[12] No ano de 2000, possuíam, respectivamente, população de 953, 1 614, 827, 293 903, 2 718, 222, 2 873, 1 386, 1 051 e 1 400 habitantes, segundo censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) daquele ano.[30] Durante o século XX, houve a criação, elevação à cidade ou mesmo a extinção de diversos distritos do município, sendo que a última alteração foi feita em 8 de outubro de 1982, quando da criação do distrito de Aparecida do Mundo Novo.[12]
Atualmente há aproximadamente 160 bairros em Montes Claros, segundo o portal "Grande Brasil".[9] Um dos mais populosos é o Major Prates, onde moram aproximadamente 25 mil habitantes, sendo que é considerado também como uma das regiões mais violentas da cidade.[31]
[editar] Demografia
Crescimento populacional de
Montes Claros[14]
Ano População
1960 102 117
1970 116 486
1980 177 302
1991 250 062
2000 306 947
2010 361 971
Em 2010, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 361 971 habitantes, sendo o sexto mais populoso do estado e o 62º do país, apresentando uma densidade populacional de 101,05 habitantes por km².[4] Segundo o censo de 2010, 174 281 habitantes eram homens e 187 690 habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 344 479 habitantes viviam na zona urbana e 17 492 na zona rural.[4] Em 2000, segundo dados do Censo IBGE daquele ano, a população montes-clarense era composta por 131 231 brancos (42,75%); 16 691 pretos (5,44%); 156 126 pardos (50,86%); 260 amarelos (0,08%); 1 153 indígenas (0,38%); além dos 1 485 sem declaração (0,48%).[32]
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Montes Claros é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor é de 0,783, sendo o 101° maior de todo o estado de Minas Gerais (em 853 municípios); 415° de toda Região Sudeste do Brasil (em 1666) e o 969° de todo país (entre 5 507).[5] A cidade possui a maioria dos indicadores médios e parecidos com os da média nacional segundo o PNUD.[33]
[editar] Pobreza e desigualdade
Como citado anteriormente, Em Montes Claros, assim como em grande parte do país, o crescimento desordenado da população, causado pelo intenso fluxo migratório sofrido na década de 70, aliado à falta de planejamento, resultou numa diferenciação espacial intra-urbana, com várias áreas demarcadas por focos de pobreza.[14] Até por volta de 1970, a ocupação urbana se restringia à região central da cidade e bairros adjacentes. A partir dessa data, a área urbana passou a sofrer alterações significativas, sendo que as zonas norte, leste e sul tiveram uma expansão populacional mais intensa do que a zona oeste, que é ocupada por uma população de maior renda. O processo de ocupação não ocorreu de forma homogênea, existindo, ainda hoje, muitas áreas caracterizadas como vazios urbanos, em contraste com bairros subdesenvolvidos e favelas.[14]
Na área urbana, a distribuição espacial da população está diretamente relacionada à condição social dos moradores, gerando desigualdade econômica na cidade. Bairros localizados próximos ao centro possuem população com maior poder aquisitivo, enquanto que a periferia é onde estão localizados os mais subdesenvolvidos.[14] De acordo com o IBGE, em 2002, o Índice de Condições de Vida (ICV) era maior nos bairros Cidade Santa Maria (0,81), Todos os Santos (0,68) e São Luís (0,73), ambos situados na região central. E era menor no Vila Mauricéia (0,31), Vera Cruz (0,37) e Vila Atlântida (0,27), todos localizados em áreas afastadas do centro.[14]
No ano de 2009, de acordo com o IBGE, o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,41, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.[34] A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 31,37%, o limite inferior da incidência de pobreza é de 21,74%, o superior é de 41,00% e a incidência da pobreza subjetiva é de 26,03%.[34]
[editar] Religião
Igreja Matriz de Montes Claros, templo Católico.
Tal como a variedade cultural em Montes Claros, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes.[35]
O município de Montes Claros está localizado no país mais católico do mundo em números absolutos. A Igreja Católica teve seu estatuto jurídico reconhecido pelo governo federal em outubro de 2009,[36] ainda que o Brasil seja atualmente um estado oficialmente laico.[37]
A cidade possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Assembleia de Deus, a Igreja Cristã Maranata, a Igreja Presbiteriana, as igrejas batistas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Igreja Universal do Reino de Deus, entre outras. De acordo com dados do censo de 2000 realizado pelo IBGE, a população de Montes Claros vestá composta por: Católicos (77,13%), evangélicos (15,58%), pessoas sem religião (4,02%), espíritas (0,66%) e 2,61% estão divididas entre outras religiões.[35]
[editar] Política e administração
De acordo com a Constituição de 1988, Montes Claros está localizada em uma república federativa presidencialista. Foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito positivo.[38] A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo.[39]
Antes de 1930 os municípios eram dirigidos pelos presidentes das câmaras municipais, também chamados de agentes executivos ou intendentes. Somente após a Revolução de 1930 é que foram separados os poderes municipais em executivo e legislativo.[40] O primeiro intendente do município foi José Pinheiro Neves e o primeiro líder do poder executivo e prefeito do município foi Orlando Ferreira Pinto. Em vinte e nove mandatos, 25 prefeitos passaram pela prefeitura de Montes Claros, além dos 22 agentes executivos.[41] Em 2009, o prefeito que venceu as Eleições municipais no Brasil foi Luiz Tadeu Leite, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sendo eleito com 96 374 votos (52,58% dos votos válidos) no segundo turno das votações, realizados pelo fato de a cidade ter mais de 200 mil eleitores e de Tadeu não ter conseguido mais de 50% das intenções no primeiro turno.[42]
O Poder legislativo é constituído pela câmara, composta por 15 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição[43]) e está composta da seguinte forma:[44] três cadeiras do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB); duas cadeiras do Partido Popular Socialista (PPS); duas cadeiras do Partido Democrático Trabalhista (PDT); uma cadeira do Partido Progressista (PP); uma do Partido Verde; uma do Partido dos Trabalhadores (PT); uma do Partido Democrático Trabalhista (PDT); uma do Partido Trabalhista Nacional (PTN); uma do Partido da República (PR); uma do Partido Social Cristão (PSC); e uma do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
O município de Montes Claros se rege por lei orgânica, criada em 1° de fevereiro de 2007.[45] A cidade também é ainda a sede de uma Comarca.[46] O município possuía em 2010 238 405 eleitores, um aumento de 10,9% em comparação a 2006.[47]
Vista panorâmica de Montes Claros.
[editar] Economia
O Produto Interno Bruto - PIB - de Montes Claros é o maior de sua microrregião,[6] destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2008, o PIB do município era de R$ 3 462 739,125 mil.[6] 390 147 mil são de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes.[6] O PIB per capita é de R$ 9 665,14[6] e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de renda é de 0,691, sendo que o do Brasil é de 0,723.[33]
De acordo com o IBGE, a cidade possuía, no ano de 2008, 9 497 unidades locais, 9 127 empresas e estabelecimentos comerciais atuantes e 130 045 trabalhadores, sendo 70 691 pessoal ocupado total e 59 354 ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam 691 296 reais e o salário médio mensal de todo município era de 2,2 salários mínimos.[48]
[editar] Setores
A economia de Montes Claros é diversificada pelas atividades agropecuárias, industriais e de prestação de serviços. A principal fonte econômica está centrada no setor terciário, com seus diversos segmentos de comércio e prestação de serviços de várias áreas, como na educação e saúde. Em seguida, destaca-se o setor secundário, com complexos industriais de grande porte, além das unidades produtivas de pequeno e médio portes.[49]
Primário
Produção de cana-de-açúcar, mandioca e milho[50]
Produto Área colhida (Hectares) Produção (Tonelada)
Cana-de-açúcar 480 38 400
Mandioca 470 5 640
Milho 2 720 5 440
A agricultura é o setor menos relevante da economia de Montes Claros. De todo o PIB da cidade 77 393 mil reais é o valor adicionado bruto da agropecuária.[6] Segundo o IBGE, em 2009 o município possuía um rebanho de 159 830 bovinos, 14 810 suínos, 6 596 equinos, 1 130 muares, 620 caprinos, 210 asinos, 630 ovinos e 2 202 300 aves, entre estas 1 618 000 galinhas e 584 300 galos, frangos e pintinhos.[51] Em 2009 a cidade produziu 25 603 mil litros de leite de 20 120 vacas. Foram produzidos 38 879 dúzias de ovos de galinha e 11 100 quilos de mel-de-abelha.[51] Na lavoura temporária são produzidos principalmente a cana-de-açúcar (38 400 toneladas), a mandioca (5 640 toneladas) e o milho (5 440 toneladas).[52]
Secundário
A indústria, atualmente, é o segundo setor mais relevante para a economia do município. 774 539 reais do PIB municipal são do valor adicionado bruto da indústria (setor secundário).[6] A cidade conta com um distrito industrial, composto por diversas empresas, que possui área de 5,2 milhões de m²[49] e é administrado pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (CODEMIG).[2] Atualmente, estuda-se a implantação do Distrito Industrial 2, com área prevista de 1,5 milhões de m². Também se destaca na área industrial uma Usina de Biodiesel da Petrobras, que foi implantada em 2008 e atualmente encontra-se em funcionamento.[49]
Segundo dados da prefeitura de Montes Claros, havia, na cidade, 954 estabelecimentos e empresas e 9 912 trabalhadores com foco para o setor industrial do município.[49] São algumas das principais empresas com empreendimentos industriais no município a Coteminas, a Lafarge, o Novo Nordisk e a Nestlé.[49]
Terciário
Interior do Mercado Municipal de Montes Claros.
A prestação de serviços rende 2 220 660 reais ao PIB municipal.[6] O setor terciário atualmente é, como citado acima, a maior fonte geradora do PIB montes-clarense. Grande parte do valor do setor terciário vem do comércio. Segundo estatísticas da prefeitura, no ano de 2009 a cidade contava com 617 estabelecimentos e 3 185 trabalhadores na área da construção civil; 6 777 estabelecimentos e 14 997 trabalhadores no comércio; e 5 091 estabelecimentos e 24 473 trabalhadores no setor de serviços.[49]
A cidade conta com diversos núcleos ou centros comerciais, como o Mercado Municipal de Montes Claros, inaugurado em 1899;[11] o Ibituruna Center, criado em 18 de março de 2009;[53] o Montes Claros Shopping, fundado em 8 de novembro de 1997;[54] e o Shopping Popular Mário Ribeiro, inaugurado em 2003.[55] Assim como em grande parte do Brasil o maior período de vendas é o Natal.[56]
[editar] Incentivos fiscais e financeiros
Embora situado na região Sudeste do país, o município de Montes Claros, devido às suas características edafo-climáticas, econômicas, sociais e culturais, está inserido na região mineira da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), recebendo incentivos fiscais e financeiros concedidos por essa agência de desenvolvimento regional. Através dela a cidade é contemplada com projetos de investimentos com recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste – (FNDE), até o limite de 60% do total dos investimentos fixos e circulantes.[49] Por meio da SUDENE é ainda possível obter isenção do Adicional de Frete para Marinha Mercante Brasileira (AFRMM), bem como do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF).[49]
A cidade é servida por ampla rede bancária. Além das várias instituições financeiras privadas e cooperativas de crédito que atuam no município, Montes Claros conta ainda com agências do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Nordeste.[49] Funcionando várias modalidades de crédito sob amparo do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Banco do Nordeste é, de acordo com a prefeitura, a principal instituição financeira de beneficiamento às atividades econômicas da região.[49]
[editar] Estrutura urbana
Praça da Matriz, no centro da cidade.
O município conta com boa infraestrutura. No ano de 2000, tinha 75 676 domicílios entre apartamentos, casas, e cômodos. Desse total 59 703 eram imóveis próprios, sendo 56 714 próprios já quitados (74,94%), 2 989 em aquisição (3,95%), 10 103 alugados (13,35%); 5 553 imóveis foram cedidos, sendo 1 190 por empregador (1,57%) e 4 363 cedidos de outra maneira (5,77%). 317 foram ocupados de outra forma (0,40%).[57] O município conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. Em 2000, 92,77% dos domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água;[58] 90,04% das moradias possuíam lixo coletado por serviço de limpeza[59] e 85,52% das residências possuíam rede geral de esgoto ou pluvial.[60]
[editar] Saúde
Em 2009, o município possuía 224 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo 83 deles públicos e 141 privados. Neles a cidade possuía 921 leitos para internação, sendo que 241 estão nos públicos e os 680 restantes estão nos privados.[61] Na cidade existem seis hospitais gerais, sendo um público, dois privados e três filantrópicos. Montes Claros conta ainda com 8 780 profissionais de saúde. No ano de 2008 foram registrados 5 167 de nascidos vivos, sendo que 7,7% nasceram prematuros, 38,5% foram de partos casarios e 16,8% foram de mães entre 10 e 19 anos (0,5% entre 10 e 14 anos). A taxa bruta de natalidade naquele ano era de 14,4.[62] O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da longevidade em Montes Claros é de 0,787 (o brasileiro é 0,638), com expectativa de vida de 72,25 anos.[33]
São exemplos de hospitais da cidade o Aroldo Tourinho, Clemente de Farias (Universitário), Fundação Hospitalar Dilson de Quadros Godinho (São Lucas), Alpheu de Quadros e Santa Casa.[63] A Santa Casa de Monte Claros, denominação comum do hospital Irmandade Nossa Senhora das Mercês, é considerado como o maior estabelecimento de saúde da região do norte de Minas Gerais.[64]
[editar] Educação
O município conta com escolas em todas as suas regiões. A população da zona rural tem fácil acesso a escolas em bairros urbanos próximos em razão da alta taxa de urbanização. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre as escolas públicas de Montes Claros era, no ano de 2009, de 4,85; valor acima ao das escolas municipais e estaduais de todo o Brasil, que é de 4,0%.[65] O município contava, em 2009, com aproximadamente 83 846 matrículas, 4 586 docentes e 342 escolas nas redes públicas e particulares.[66] O valor do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da educação era de 0,872 (classificado como elevado), enquanto o do Brasil é 0,849.[33]
Considerada um polo universitário, Montes Claros também conta com a presença de duas universidades públicas e diversas faculdades privadas que oferecem cursos nas diversas áreas. São elas a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)[67] e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Instituto de Ciências Agrárias (ICA).[68]
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e do Ministério da Educação (MEC), o índice de analfabetismo no ano de 2000 entre pessoas de 18 a 24 anos de idade era de 2,510%,[69] enquanto que a taxa de alfabetização adulta naquele ano era de 90,08% (a do Brasil era de 84%[70]).[33] A taxa bruta de frequência à escola naquele ano era de 74,410%,[71] sendo que no país esse índice era de 81,5%.[72] 10 169 habitantes possuíam menos de 1 ano de estudo ou não contava com instrução alguma.[73] Em 2010, 241 alunos frequentavam o sistema de educação especial e 2 321 crianças estudavam em creches, sendo que 130 alunos de creches possuíam aulas em tempo integral.[74]
Educação de Montes Claros em números[66]
Nível Matrículas Docentes Escolas (total)
Ensino pré-escolar 8 997 458 126
Ensino fundamental 56 792 2 973 169
Ensino médio 18 057 1 155 47
[editar] Segurança pública e criminalidade
Brasão do 55° BI.
Como na maioria dos municípios médios e grandes brasileiros, a criminalidade ainda é um problema em Montes Claros. Em 2008, a taxa de homicídios no município foi de 28,7 para cada 100 mil habitantes, ficando no 34° lugar a nível estadual e no 534° lugar a nível nacional.[75] O índice de suicídios naquele ano para cada 100 mil habitantes foi de 8,1, sendo o 81° a nível estadual e o 570° a nível nacional.[76] Já em relação à taxa de óbitos por acidentes de transito, o índice foi de 33,8 para cada 100 mil habitantes, ficando no 45° a nível estadual e no 389° lugar a nível nacional.[77]
Segundo dados da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), o batalhão da cidade atende ainda a outros 23 municípios do Norte do Estado, o que força um aumento nas reivindicações por efetivos policiais em Montes Claros. Também de acordo com a PMMG, em 2009 os jovens representavam 74% da população carcerária, sendo que grande parte desses detidos são por causas relacionadas ao narcotráfico.[78] O município também é sede do 55º Batalhão de Infantaria (Batalhão Dionísio Cerqueira, ou 55° BI), unidade militar do Exército Brasileiro que foi criada em 19 de abril de 1851, sendo subordinada à 4ª Região Militar.[79]
[editar] Serviços e comunicações
O serviço de abastecimento de água, assim como em toda a região, é feito pela Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), mesma responsável pela coleta de esgoto. No município, assim como em quase todo o estado de Minas Gerais, o serviço de abastecimento de energia elétrica é feito pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). No ano de 2003 existiam 101 502 consumidores e foram consumidos 368 217 506 KWh de energia.[2]
Ainda há serviços de internet discada e banda larga (ADSL) sendo oferecidos por diversos provedores de acesso gratuitos e pagos. O serviço telefônico móvel, por telefone celular, também é feito por várias operadoras. O código de área (DDD) de Montes Claros é o 038.[80] O Código de Endereçamento Postal (CEP) da cidade vai de 39400-001 até 39409-999.[81] No dia 10 de novembro de 2008 a região de Montes Claros passou a ser servida pela portabilidade, assim como as outras cidades de DDD 38. A portabilidade é um serviço que possibilita a troca da operadora sem a necessidade de se trocar o número do aparelho.[82]
O município conta ainda com jornais em circulação. No ano de 2004 havia quatro no total. Em 2001 existiam oito emissoras de rádio, de acordo com a Associação Mineira de Rádio e TV e a Telecomunicações de Minas Gerais S.A.[2] Porém esse número aumentou ao longo dos anos. São exemplos de emissoras da cidade a 98 FM, primeira a instalar-se no Norte de Minas, em maio de 1981;[83] a Rádio Unimontes 101,1 FM;[84] e a Rádio Transamérica Pop 95,1 FM.[85]
[editar] Transportes
Estrada de terra na zona rural.
Vista aérea do Aeroporto de Montes Claros, o principal do norte mineiro.
Por não possuir rios em abundância, o município não possui muita tradição no transporte hidroviário. Montes Claros também era servida pela Estrada de Ferro Central do Brasil, que operou entre 1858 e 1969, sendo que a antiga estação da cidade ainda funcionou até 1996, ligando o município a Monte Azul.[86] O município possui fácil acesso à BR-135, que liga o meio norte do Brasil (Maranhão) à capital mineira; à BR-365, que liga Montes Claros a Uberlândia; à BR-251, que se estende do estado da Bahia até o estado de Mato Grosso; e à BR-122, que começa no estado do Ceará, em Fortaleza, e termina em Montes Claros, no trevo da BR-251.[2][87] Em Montes Claros está situado o Aeroporto Mário Ribeiro, que foi inaugurado em 18 de dezembro de 1939 e hoje possui pista de pouso asfaltada de 45 metros de largura e 2 100 metros de extensão, com capacidade anual de 70 000 passageiros.[88] Há ainda outros dois pequenos aeroportos, de administração privada, sendo que ambos possuem pista de 1 150 metros de comprimento.[2]
A frota municipal no ano de 2009 era de 120 436 veículos, sendo 53 200 automóveis, 3 769 caminhões, 398 caminhões trator, 8 079 caminhonetes, 204 micro-ônibus, 47 095 motocicletas, 6 765 motonetas, 917 ônibus e nove tratores de roda.[8] As avenidas duplicadas e pavimentadas e diversos semáforos facilitam o trânsito da cidade, mas o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente na Sede do município. Além disso, tem se tornado difícil encontrar vagas para estacionar no centro comercial da cidade, o que vem gerando alguns prejuízos ao comércio.[89]
A Empresa Municipal de Planejamento, Gestão e Educação em Trânsito e Transportes de Montes Claros (McTrans) regulamenta e regulariza o sistema de transporte público, gerencia o trânsito e, através de seus Agentes de Trânsito, aplica autuações aos motoristas que cometem infrações de trânsito.[90] Já as encarregadas pela exploração do transporte transporte público coletivo de Montes Claros são a Transmoc e Alprino.[91] A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Montes Claros (ATCMC), fundada em 23 de fevereiro de 1988, é uma associação de empresas destinada a congregar as empresas com a atividade do transporte público municipal.[92] O município também conta com o Terminal Rodoviário Hildeberto Alves de Freitas, que é um dos principais terminais rodoviários da região, inaugurado em 3 de outubro de 1980.[93]
[editar] Cultura
A responsável pelo setor cultural de Montes Claros é a Secretaria Municipal de Cultura, que tem como objetivo planejar e executar a política cultural do município por meio da elaboração de programas, projetos e atividades que visem ao desenvolvimento cultural. Está vinculada ao Gabinete do Prefeito, integra a administração pública indireta do município e possui autonomia administrativa e financeira, assegurada, especialmente, por dotações orçamentárias, patrimônio próprio, aplicação de suas receitas e assinatura de contratos e convênios com outras instituições.[94]
[editar] Artes e artesanato
Atualmente, segundo a prefeitura, Montes Claros não possui Casas de Espetáculos, a não ser salas de teatro, como a do Colégio Imaculada Conceição. Há também o Centro Cultural de Montes Claros, inaugurado em fevereiro de 2010, que abriga uma biblioteca de temáticas sertanejas, uma livraria dirigida pela Editora UFMG e um escritório da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep).[95] Algumas instituições cuidam da área das artes cênicas de Montes Claros, como o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez e a Faculdade de Educação Artística, que pertence à Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), oferecendo cursos com foco para o setor artístico e realizando peças para o público, além de organizarem movimentos para a construção de uma Casa de Espetáculos.[96] Um dos principais eventos é o Festival de Cinema de Montes Claros, que acontece todo mês de maio, desde 2010, onde há a exibição de filmes produzidos por diversos diretores brasileiros, assim como de diretores da região norte de Minas Gerais. São realizadas as Mostras "Digital Norte Mineira", "de Filmes Infantis" e "Competitiva de Curtas e Longas".[97] No cenário artístico montes-clarense também se destacaram diversas personalidades, como Beto Guedes, violonista, cantor e compositor;[98] Ciro dos Anjos, cronista, romancista, ensaísta e memorialista;[99] e Tião Carreiro, cantor sertanejo.[100]
O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural montes-clarense. Em várias partes do município é possível encontrar uma produção artesanal diferenciada, feita com matérias-primas regionais e criada de acordo com a cultura e o modo de vida local. Alguns grupos reúnem diversos artesãos da região, disponibilizando espaço para confecção, exposição e venda dos produtos artesanais. Normalmente essas peças são vendidas em feiras, exposições ou lojas de artesanato.[101] Neste setor da cultura, se destacaram personalidades como a artista plástica Yara Tupynambá.[102]
[editar] Turismo e eventos
Vista noturna da Praça da Matriz.
Igreja dos Morrinhos.
Montes Claros ainda conta com diversos pontos turísticos, como: o Parque Municipal Milton Prates, que possui uma grande área verde e é onde está situado o Zoológico Municipal; o Parque Sapucaia, que está localizado na Serra do Ibituruna, sendo uma reserva florestal com relevo montanhoso, propícia para prática de esportes radicais; o Parque Guimarães Rosa, criado pela Lei Municipal nº. 793 de 7 de agosto de 1989, é uma das maiores áreas verdes do perímetro urbano municipal; a Lapa Encantada, cachoeiras com 1 km de rios subterrâneos; a Gruta do Engenho, aberta para visitação; o Conjunto Lapa Grande, onde insere-se a gruta de mesmo nome que, com seus 3 km, está entre as maiores de Minas Gerais, além de abrigar em seus sedimentos restos de animais fósseis; além de construções como a Catedral de Nossa Senhora Aparecida, a Igreja Matriz e a Igrejinha dos Morrinhos.[10] Também possuem destaque os 164 sítios arqueológicos catalogados, tendo como principal o Complexo Espeleológico da Lapa Grande, dada a sua importância arqueológica, sendo onde aparece a formação do vulcão espeleotema de pouquíssima ocorrência no Brasil.[10]
Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Montes Claros, juntamente ou não com empresas locais, investe no segmento de festas e eventos. Essas festas, muitas vezes atraem pessoas de outras cidades, exigindo uma melhor infraestrutura no município e estimulando a profissionalização do setor, o que é benéfico não só aos turistas, mas também a toda população da cidade. As atividades ocorrem durante o ano inteiro. Há: o Festival do Pequi, em janeiro; o Carnamontes, em fevereiro ou março; o Festival Internacional de Danças Folclóricas, em maio; as Festas Juninas, em junho ou julho; a Exposição Agropecuária, no Parque de Exposição João Alencar Athayde, em julho; a Festa de Agosto (Catopês), em agosto; a Feira Nacional da Indústria, Comércio e de Serviços de Montes Claros (FENICS), em agosto; e o Salão Nacional de Poesia Psiu Poético, em outubro.[96]
[editar] Esportes
Assim como em grande parte do Brasil, o esporte mais popular em Montes Claros é o futebol. Na cidade há diversos clubes, se destacando o Montes Claros Futebol Clube, fundado 28 de agosto de 1990; o Funorte Esporte Clube, fundado a 4 de maio de 2007; a Associação Atlética Cassimiro de Abreu, fundado em 28 de maio de 1948; e a Associação Desportiva Ateneu, criada em 1º de maio de 1947. Também existem diversos estádios de futebol, como o Estádio João Rebello, com capacidade para 6 000 pessoas; o Estádio José Maria de Melo, com capacidade para 5 000 pessoas; o Estádio Dr. Rubens Durães Peres, 1 000 pessoas; o Estádio Ivani Martins Pereira, 1 000 pessoas, além de pequenos campos distribuídos pela cidade.[103]
Montes Claros também possui destaques em outros esportes, como o voleibol. A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Educacional de Montes Claros (FUNADEM) foi criada em 2009, tendo já no final desse ano conseguido visibilidade nacional após ter vencido o Circuito Internacional de Vôlei, evendo amistoso realizado na cidade que reuniu alguns times de outros países.[104] No município também há, de acordo com a prefeitura, cinco ginásios, sendo o maior o Ginásio Poliesportivo Presidente Tancredo Neves, com capacidade para 12 mil pessoas; seis logradouros próprios para serem usados como pistas de caminhada; e 15 clubes sociais.[103]
[editar] Feriados
Em Montes Claros há dois feriados municipais, oito feriados nacionais e três pontos facultativos. Os feriados municipais são: o Corpus Christi, que sempre é realizado na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade; e o aniversário da emancipação da cidade, dia 3 de julho. De acordo com a lei federal n.º 9.093, aprovada em 12 de setembro de 1995, os municípios podem ter no máximo quatro feriados municipais, já incluso neste a Sexta-Feira Santa.[105][106]
[editar] Ver também
* Anexo:Lista de municípios de Minas Gerais
* Anexo:Lista de municípios da região Sudeste do Brasil
* Anexo:Lista de municípios do Brasil
* Arquidiocese de Montes Claros
* Naturais de Montes Claros
Referências
1. ↑ a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
2. ↑ a b c d e f g h i j k Cidades.Net. Montes Claros - MG. Página visitada em 14 de maio de 2011.
3. ↑ IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
4. ↑ a b c d e Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
5. ↑ a b Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
6. ↑ a b c d e f g h i Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
7. ↑ a b Embrapa Monitoramento por Satélite. Minas Gerais. Página visitada em 14 de maio de 2011.
8. ↑ a b Cidades@ - IBGE (2009). Frota 2009. Página visitada em 19 de maio de 2011.
9. ↑ a b Grande Brasil. Município de Montes Claros, estado de Minas Gerais (MG). Página visitada em 20 de maio de 2011.
10. ↑ a b c Prefeitura. Turismo. Página visitada em 20 de maio de 2011.
11. ↑ a b c d e f g h i Prefeitura. História. Página visitada em 11 de maio de 2011.
12. ↑ a b c Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (1957). Histórico. Biblioteca IBGE. Página visitada em 11 de maio de 2011.
13. ↑ Daqui de Pitangui (26 de março de 2011). Vasco Azevedo e a Instrução primária dos operários da indústria têxtil no início do século XX em Minas Gerais. Página visitada em 11 de maio de 2011.
14. ↑ a b c d e f g h Marcos Esdras Leite e Anete Marília Pereira (26 de março de 2005). Expansão territorial e os espaços de pobreza na cidade de Montes Claros. Observatório Geográfico América Latina. Página visitada em 6 de junho de 2011.
15. ↑ Confederação Nacional dos Municípios (CNM) (2008). Demografia - População Total. Página visitada em 11 de maio de 2011.
16. ↑ a b c d Prefeitura. Geografia. Página visitada em 14 de maio de 2011.
17. ↑ Atlas da Água (2010). Impacto ambiental relevante na sub-bacia do rio Riachão, Norte de Minas Gerais. Página visitada em 7 de junho de 2011.
18. ↑ World Map of the Köppen-Geiger climate classification. World Map of the Köppen-Geiger climate classification. Institute for Veterinary Public Health. Página visitada em 14 de maio de 2011.
19. ↑ a b c The Weather Channel (Canal do Tempo). Montes Claros, Brasil (em Português). Página visitada em 13 de maio de 2011.
20. ↑ CPTEC/INPE. Precipitação acumulada em agosto de 2010 (Montes Claros - BRA). BDC (Bancos de Dados Climatológicos). Página visitada em 14 de maio de 2011.
21. ↑ Paula Machado (17 de setembro de 2009). Queimadas preocupam no Norte de Minas. Jornal Gazeta Norte Mineira. Página visitada em 14 de maio de 2011.
22. ↑ CPTEC/INPE. Temperaturas mínimas registradas em julho de 2000 (Montes Claros - BRA). BDC (Bancos de Dados Climatológicos). Página visitada em 14 de maio de 2011.
23. ↑ CPTEC/INPE. Temperaturas máximas registradas em outubro de 2008 (Montes Claros - BRA). BDC (Bancos de Dados Climatológicos). Página visitada em 14 de maio de 2011.
24. ↑ a b c Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo). Dados Meteorológicos - Minas Gerais. Página visitada em 15 de agosto de 2011.
25. ↑ Carlos Alberto (4 de agosto de 2010). 07 de julho de 1924: Geadas em MG, até em Montes Claros. Meteorologia e Clima. Página visitada em 15 de agosto de 2011.
26. ↑ Climatempo (13 de julho de 2011). Tempo de seca no Brasil: atenção com a baixa umidade do ar. Página visitada em 15 de agosto de 2011.
27. ↑ Weather Base. Montes Claros, Brazil (em Inglês). Página visitada em 24 de junho de 2011.
28. ↑ Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC). Busca por cidade. Portal de Tecnologia da Informação Para Meteorologia (Protim). Página visitada em 13 de maio de 2011.
29. ↑ Prefeitura (15 de junho de 2007). Lei nº 3754 de 15 de junho de 2007. Página visitada em 14 de maio de 2011.
30. ↑ Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2001). Censo Demografico 2000 - Microrregiões, distritos, subdistritos e bairros. Página visitada em 20 de maio de 2011.
31. ↑ In360. Major Prates pede mais segurança. Página visitada em 20 de maio de 2011.
32. ↑ Sidra (Sistema IBGE de Recuperação de Dados Automática) (2000). População de Gravataí por raça e cor. Página visitada em 21 de maio de 2011.
33. ↑ a b c d e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) (26 de abril de 2005). Montes Claros (MG). Página visitada em 15 de maio de 2011.
34. ↑ a b IBGE. Indicadores sociais dos municípios brasileiros. Página visitada em 15 de maio de 2011.
35. ↑ a b Religião. Página visitada em 15 de maio de 2011.
36. ↑ Cristiane Agostine (8 de outubro de 2009). Senado aprova acordo com o Vaticano (em Português). O Globo. Página visitada em 15 de maio de 2011.
37. ↑ Fernando Fonseca de Queiroz (Outubro de 2005). Brasil: Estado laico e a inconstitucionalidade da existência de símbolos religiosos em prédios públicos. Jus Navigandi. Página visitada em 15 de maio de 2011.
38. ↑ Organization of American States (OAS). The Brazilian Legal System (em Inglês). Página visitada em 15 de maio de 2011.
39. ↑ Flávio Henrique M. Lima (8 de fevereiro de 2006). O Poder Público Municipal à frente da obrigação constitucional de criação do sistema de controle interno. JusVi. Página visitada em 15 de maio de 2011.
40. ↑ Câmara Municipal de Bragança Paulista. Câmara Municipal de Bragança Paulista. Página visitada em 15 de maio de 2011.
41. ↑ Prefeitura. Ex-prefeitos. Página visitada em 15 de maio de 2011.
42. ↑ G1 (26 de outubro de 2008
Estrada Real
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para pelo projeto turístico, veja Estrada Real (turismo).
Ponte da Caveira próxima a entrada de Lavras Novas distrito de Ouro Preto -Minas Gerais.
Estrada Real era o nome alusivo a qualquer via terrestre que, à época do Brasil Colônia, era percorrida no processo de povoamento e exploração econômica de seus recursos, em articulação com o mercado internacional.
Índice
[esconder]
* 1 Historiografia
* 2 Os caminhos das Minas Gerais
o 2.1 Caminho da Bahia
o 2.2 Caminho do Rio de Janeiro
o 2.3 Caminho dos Diamantes
* 3 Os caminhos de São Paulo
o 3.1 Bandeiras
* 4 Os caminhos do Rio de Janeiro
o 4.1 Caminho Velho
o 4.2 Caminho Novo
o 4.3 Caminho do Proença
o 4.4 Estrada Real
* 5 Controle e fiscalização
* 6 O projeto turístico "Estrada Real"
* 7 Bibliografia
* 8 Ligações externas
[editar] Historiografia
Dentro de uma visão historiográfica tradicional em História do Brasil, o conceito de Estrada Real pressupõe:
* natureza oficial;
* exclusividade de utilização;
* vínculo com a mineração.
Nesta perspectiva, a designação "Estrada Real" reflete o fato de que era esse o caminho oficial, único autorizado para a circulação de pessoas e mercadorias. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, encontrando-se aí a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando.
Por outro lado, uma moderna visão admite:
* natureza tradicional e uma referência de bons caminhos;
* utilização geral, universal, pública;
* vínculo com outras atividades, como o comércio e a pecuária;
* existências anteriores e/ou posteriores à mineração;
* desvinculados das zonas mineradoras.
Em defesa desta última, considere-se que as Ordenações do Reino, também observadas na Colônia, estabeleciam como direitos reais ou regalias, entre outros, as vias públicas, os rios e os vieiros, e as minas de ouro e prata ou qualquer outro metal.
[editar] Os caminhos das Minas Gerais
Tropa na cidade de Pouso Alto, em Minas Gerais, no Brasil.
Entre os séculos XVII e XIX um conjunto de vias terrestres – muitas delas simples reapropriações de antigas trilhas indígenas (peabirus) – aproximou diferentes regiões do território brasileiro.
[editar] Caminho da Bahia
Ver artigo principal: Caminho da Bahia
O chamado Caminho da Bahia ou Caminho dos Currais do Sertão e suas variantes, ligando a Capitania da Bahia às Minas.
[editar] Caminho do Rio de Janeiro
O chamado Caminho do Rio de Janeiro (depois chamado de Caminho Velho do Rio de Janeiro e atualmente de Estrada Real) e suas variantes, ligando a Capitania do Rio de Janeiro às Minas.
[editar] Caminho dos Diamantes
Ver artigo principal: Caminho dos Diamantes
Ver artigo principal: Caminho de Goiás
Posteriormente, com a descoberta de diamantes no Serro, entre 1725 e 1735, um novo troço foi aberto, o chamado Caminho dos Diamantes, aos quais se uniriam a picada de Goiás e a do Mato Grosso, quando da descoberta de minerais nestas últimas regiões.
Entre os gêneros transportados registram-se:
* gado bovino em pé, dos currais do sertão entre a Capitania das Minas e a da Bahia;
* produtos de luxo e escravos, dos portos de Salvador (Bahia) e do Rio de Janeiro;
* cavalgaduras da Capitania de Pernambuco.
[editar] Os caminhos de São Paulo
Ver artigo principal: Caminhos do mar de São Paulo
Ver artigo principal: Caminho de São Paulo
Na segunda metade do século XVII, diante da crise econômica da agromanufatura açucareira suscitada na Colônia a partir da expulsão dos Holandeses (1654), tornou-se imperioso identificar novas fontes de recursos. Desse modo, uma nova leva de expedições partiu da vila de São Paulo em direção ao interior. Essas expedições ficaram conhecidas como bandeiras e os seus empreendedores como bandeirantes. Os paulistas, mestiços de Portugueses com indígenas, tinham o conhecimento, não apenas dos milenares caminhos dos nativos (peabirus), como também das suas técnicas de sobrevivência nos sertões.
[editar] Bandeiras
Ver artigo principal: Bandeirantes (história)
O chamado Caminho dos Paulistas ou Caminho Geral do Sertão, ligando a Capitania de São Paulo às Minas.
Algumas dessas bandeiras, percorrendo a chamada trilha dos Guaianases, a partir do vale do rio Paraíba do Sul, através da passagem da Garganta do Embaú, na Serra da Mantiqueira, dirigiram-se para o sertão posteriormente denominado de Minas Gerais. Com a descoberta de ouro de aluvião, ao final desse século, intensificou-se o trânsito de pessoas, animais e gêneros entre o litoral e a região, definindo-se diversas vias, as principais das quais são referidas por Antonil (Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa, 1711):
[editar] Os caminhos do Rio de Janeiro
Os caminhos do Rio de Janeiro formavam uma rede de caminhos popularmente conhecida como Estrada Real. As suas principais variantes foram:
[editar] Caminho Velho
Caminho Velho, que ia de Paraty a Vila Rica (atual Ouro Preto). A partir da descoberta de ouro na região das Minas Gerais em fins do século XVII, este caminho transformou-se na rota preferida atingir-se a região das Minas Gerais, assim como para o escoamento de ouro, que era transportado por mar de Paraty para o Rio de Janeiro, de onde embarcava para Portugal. Esta via estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, percorridos em cerca de 95 dias de viagem.
[editar] Caminho Novo
Ver artigo principal: Caminho Novo
Caminho Novo que ia do fundo da baía de Guanabara até encontrar o Caminho Velho em Ouro Branco, então arraial de Vila Rica, atual Ouro Preto. Foi aberto por Garcia Rodrigues Pais em 1707 como alternativa ao Caminho Velho para evitar a rota marítima entre Paraty e o Rio de Janeiro. Iniciava-se em portos do rio Iguaçu ou do rio Pilar, como Piedade do Iguaçu, hoje Iguaçu Velho em Nova Iguaçu, ou Pilar do Iguaçu, hoje um bairro de Duque de Caxias. Seguia dos portos fluviais até a vila de Xerém, passava pela atual Reserva Biológica do Tinguá, pela extinta freguesia, arraial e igreja de Santana das Palmeiras, subia a serra até Paty do Alferes e, dali, descia em direção a Paraíba do Sul onde cruzava o rio do mesmo nome. Daí seguia até Ouro Branco. Esse foi o caminho utilizado para escoamento do café do Vale do Paraíba, por tropas. Esse caminho foi calçado por Conrado Jacob Niemeyer, calçamento que persiste em excelente estado de conservação no interior da Reserva Biológica do Tinguá (nos municípios atuais de Nova Iguaçu e Miguel Pereira).
[editar] Caminho do Proença
Ver artigo principal: Caminho do Proença
Caminho do Proença, uma variante do Caminho Novo. que passava pela atual cidade de Petrópolis e por Santana de Cebolas (ou Sebollas), atual distrito de Inconfidência em Paraíba do Sul.
[editar] Estrada Real
Estrada Geral que unia as freguesias de Santo Antônio de Jacutinga e Nossa Senhora Conceição de Mariapicú, conectando com a Estrada Real hoje na altura da atual cidade de Belford Roxo). Hoje ele se divide em duas vias distintas: a estrada Plínio Casado e a estrada Abílio Augusto de Távora, antiga Estrada do Madureira.
[editar] Controle e fiscalização
Devido ao crescente volume de riqueza explorado na região das Gerais, a Coroa Portuguesa procurou garantir o seu controle e fiscalização de maneira severa, instalando postos de inspeção (Registros) para arrecadar os diversos tributos sobre minerais (notadamente ouro e diamantes), mercadorias, escravos e animais (cavalos, muares, bovinos) em trânsito, instituindo mais tarde as chamadas Casas de Fundição e mantendo na região dois destacamentos de cavalaria, os chamados Dragões das Minas, além de um terceiro, no Rio de Janeiro.
A partir da abertura do Caminho Novo, tornado via oficial, foram aí concentrados os Registros, proibindo-se a utilização das demais vias, consideradas como "descaminhos" e rigorosamente punidos como tal.
A partir da segunda metade do século XVIII registrou-se o declínio da produção mineral no distrito das Minas, o que, durante o consulado pombalino, levou a uma intensificação da política fiscal e a uma insatisfação que conduziu à Inconfidência Mineira. Com a proclamação da Independência do Brasil, no início do século XIX, esses caminhos tornam-se livres, vindo a constituir, com a riqueza proporcionada pela lavoura do café, os principais eixos de urbanização da região Sudeste.
[editar] O projeto turístico "Estrada Real"
Escudo do Projeto "Estrada Real".
Ver artigo principal: Estrada Real (turismo)
O Projeto Estrada Real foi formulado em 2001 pelo Instituto Estrada Real, sociedade civil, sem fins lucrativos, criada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) com a finalidade de valorizar o patrimônio histórico-cultural, estimular o turismo, a preservação e revitalização dos entornos das antigas Estradas Reais.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para pelo projeto turístico, veja Estrada Real (turismo).
Ponte da Caveira próxima a entrada de Lavras Novas distrito de Ouro Preto -Minas Gerais.
Estrada Real era o nome alusivo a qualquer via terrestre que, à época do Brasil Colônia, era percorrida no processo de povoamento e exploração econômica de seus recursos, em articulação com o mercado internacional.
Índice
[esconder]
* 1 Historiografia
* 2 Os caminhos das Minas Gerais
o 2.1 Caminho da Bahia
o 2.2 Caminho do Rio de Janeiro
o 2.3 Caminho dos Diamantes
* 3 Os caminhos de São Paulo
o 3.1 Bandeiras
* 4 Os caminhos do Rio de Janeiro
o 4.1 Caminho Velho
o 4.2 Caminho Novo
o 4.3 Caminho do Proença
o 4.4 Estrada Real
* 5 Controle e fiscalização
* 6 O projeto turístico "Estrada Real"
* 7 Bibliografia
* 8 Ligações externas
[editar] Historiografia
Dentro de uma visão historiográfica tradicional em História do Brasil, o conceito de Estrada Real pressupõe:
* natureza oficial;
* exclusividade de utilização;
* vínculo com a mineração.
Nesta perspectiva, a designação "Estrada Real" reflete o fato de que era esse o caminho oficial, único autorizado para a circulação de pessoas e mercadorias. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, encontrando-se aí a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando.
Por outro lado, uma moderna visão admite:
* natureza tradicional e uma referência de bons caminhos;
* utilização geral, universal, pública;
* vínculo com outras atividades, como o comércio e a pecuária;
* existências anteriores e/ou posteriores à mineração;
* desvinculados das zonas mineradoras.
Em defesa desta última, considere-se que as Ordenações do Reino, também observadas na Colônia, estabeleciam como direitos reais ou regalias, entre outros, as vias públicas, os rios e os vieiros, e as minas de ouro e prata ou qualquer outro metal.
[editar] Os caminhos das Minas Gerais
Tropa na cidade de Pouso Alto, em Minas Gerais, no Brasil.
Entre os séculos XVII e XIX um conjunto de vias terrestres – muitas delas simples reapropriações de antigas trilhas indígenas (peabirus) – aproximou diferentes regiões do território brasileiro.
[editar] Caminho da Bahia
Ver artigo principal: Caminho da Bahia
O chamado Caminho da Bahia ou Caminho dos Currais do Sertão e suas variantes, ligando a Capitania da Bahia às Minas.
[editar] Caminho do Rio de Janeiro
O chamado Caminho do Rio de Janeiro (depois chamado de Caminho Velho do Rio de Janeiro e atualmente de Estrada Real) e suas variantes, ligando a Capitania do Rio de Janeiro às Minas.
[editar] Caminho dos Diamantes
Ver artigo principal: Caminho dos Diamantes
Ver artigo principal: Caminho de Goiás
Posteriormente, com a descoberta de diamantes no Serro, entre 1725 e 1735, um novo troço foi aberto, o chamado Caminho dos Diamantes, aos quais se uniriam a picada de Goiás e a do Mato Grosso, quando da descoberta de minerais nestas últimas regiões.
Entre os gêneros transportados registram-se:
* gado bovino em pé, dos currais do sertão entre a Capitania das Minas e a da Bahia;
* produtos de luxo e escravos, dos portos de Salvador (Bahia) e do Rio de Janeiro;
* cavalgaduras da Capitania de Pernambuco.
[editar] Os caminhos de São Paulo
Ver artigo principal: Caminhos do mar de São Paulo
Ver artigo principal: Caminho de São Paulo
Na segunda metade do século XVII, diante da crise econômica da agromanufatura açucareira suscitada na Colônia a partir da expulsão dos Holandeses (1654), tornou-se imperioso identificar novas fontes de recursos. Desse modo, uma nova leva de expedições partiu da vila de São Paulo em direção ao interior. Essas expedições ficaram conhecidas como bandeiras e os seus empreendedores como bandeirantes. Os paulistas, mestiços de Portugueses com indígenas, tinham o conhecimento, não apenas dos milenares caminhos dos nativos (peabirus), como também das suas técnicas de sobrevivência nos sertões.
[editar] Bandeiras
Ver artigo principal: Bandeirantes (história)
O chamado Caminho dos Paulistas ou Caminho Geral do Sertão, ligando a Capitania de São Paulo às Minas.
Algumas dessas bandeiras, percorrendo a chamada trilha dos Guaianases, a partir do vale do rio Paraíba do Sul, através da passagem da Garganta do Embaú, na Serra da Mantiqueira, dirigiram-se para o sertão posteriormente denominado de Minas Gerais. Com a descoberta de ouro de aluvião, ao final desse século, intensificou-se o trânsito de pessoas, animais e gêneros entre o litoral e a região, definindo-se diversas vias, as principais das quais são referidas por Antonil (Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa, 1711):
[editar] Os caminhos do Rio de Janeiro
Os caminhos do Rio de Janeiro formavam uma rede de caminhos popularmente conhecida como Estrada Real. As suas principais variantes foram:
[editar] Caminho Velho
Caminho Velho, que ia de Paraty a Vila Rica (atual Ouro Preto). A partir da descoberta de ouro na região das Minas Gerais em fins do século XVII, este caminho transformou-se na rota preferida atingir-se a região das Minas Gerais, assim como para o escoamento de ouro, que era transportado por mar de Paraty para o Rio de Janeiro, de onde embarcava para Portugal. Esta via estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, percorridos em cerca de 95 dias de viagem.
[editar] Caminho Novo
Ver artigo principal: Caminho Novo
Caminho Novo que ia do fundo da baía de Guanabara até encontrar o Caminho Velho em Ouro Branco, então arraial de Vila Rica, atual Ouro Preto. Foi aberto por Garcia Rodrigues Pais em 1707 como alternativa ao Caminho Velho para evitar a rota marítima entre Paraty e o Rio de Janeiro. Iniciava-se em portos do rio Iguaçu ou do rio Pilar, como Piedade do Iguaçu, hoje Iguaçu Velho em Nova Iguaçu, ou Pilar do Iguaçu, hoje um bairro de Duque de Caxias. Seguia dos portos fluviais até a vila de Xerém, passava pela atual Reserva Biológica do Tinguá, pela extinta freguesia, arraial e igreja de Santana das Palmeiras, subia a serra até Paty do Alferes e, dali, descia em direção a Paraíba do Sul onde cruzava o rio do mesmo nome. Daí seguia até Ouro Branco. Esse foi o caminho utilizado para escoamento do café do Vale do Paraíba, por tropas. Esse caminho foi calçado por Conrado Jacob Niemeyer, calçamento que persiste em excelente estado de conservação no interior da Reserva Biológica do Tinguá (nos municípios atuais de Nova Iguaçu e Miguel Pereira).
[editar] Caminho do Proença
Ver artigo principal: Caminho do Proença
Caminho do Proença, uma variante do Caminho Novo. que passava pela atual cidade de Petrópolis e por Santana de Cebolas (ou Sebollas), atual distrito de Inconfidência em Paraíba do Sul.
[editar] Estrada Real
Estrada Geral que unia as freguesias de Santo Antônio de Jacutinga e Nossa Senhora Conceição de Mariapicú, conectando com a Estrada Real hoje na altura da atual cidade de Belford Roxo). Hoje ele se divide em duas vias distintas: a estrada Plínio Casado e a estrada Abílio Augusto de Távora, antiga Estrada do Madureira.
[editar] Controle e fiscalização
Devido ao crescente volume de riqueza explorado na região das Gerais, a Coroa Portuguesa procurou garantir o seu controle e fiscalização de maneira severa, instalando postos de inspeção (Registros) para arrecadar os diversos tributos sobre minerais (notadamente ouro e diamantes), mercadorias, escravos e animais (cavalos, muares, bovinos) em trânsito, instituindo mais tarde as chamadas Casas de Fundição e mantendo na região dois destacamentos de cavalaria, os chamados Dragões das Minas, além de um terceiro, no Rio de Janeiro.
A partir da abertura do Caminho Novo, tornado via oficial, foram aí concentrados os Registros, proibindo-se a utilização das demais vias, consideradas como "descaminhos" e rigorosamente punidos como tal.
A partir da segunda metade do século XVIII registrou-se o declínio da produção mineral no distrito das Minas, o que, durante o consulado pombalino, levou a uma intensificação da política fiscal e a uma insatisfação que conduziu à Inconfidência Mineira. Com a proclamação da Independência do Brasil, no início do século XIX, esses caminhos tornam-se livres, vindo a constituir, com a riqueza proporcionada pela lavoura do café, os principais eixos de urbanização da região Sudeste.
[editar] O projeto turístico "Estrada Real"
Escudo do Projeto "Estrada Real".
Ver artigo principal: Estrada Real (turismo)
O Projeto Estrada Real foi formulado em 2001 pelo Instituto Estrada Real, sociedade civil, sem fins lucrativos, criada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) com a finalidade de valorizar o patrimônio histórico-cultural, estimular o turismo, a preservação e revitalização dos entornos das antigas Estradas Reais.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Porque médicos são processados por pacientes?
Estudo mostra o motivo que levam pacientes a processarem os seus médicos, dados divulgados nos EUA, apontam que a empatia clínica, ou habilidade interpessoal, pode levar a prevenção de um futuro processo judicial, já que os pacientes desejam processar os médicos antes que eles cometam um erro médico (mas cometeram erros “corporais”) como evitar:
os pacientes desejam que o médico demonstre interesse pela causa dele ou por ele: inclinar para frente, gesticular um pouco mais(não muito).olhar para o paciente.
Não deve ficar tamborilando os dedos.
Médicos devem sentar (estudos apontam que pacientes ficam mais tempo com médicos que sentam)
cumprimentar o paciente num primeiro instante, se possível com um aperto de mão.
Não deve ficar olhando celulares, relógios, a porta de saída ou mostrar distração.
Acesse e saiba mais
Estudo aponta: QUEM É LIDER É ALTO?
Estudo mostra que liderança pode estar ligada a altura, esses são dados divulgados nos EUA, lideres de grandes CEOs, tem uma altura mais elevada que os demais. Uma vez que:
Ficar ereto
cabeça erguida
ficar firme
passos seguros ao caminhar
Demonstra competência, segurança e firmeza, empresas confiam em profissionais com esse perfil, acabando por direcionar a eles a liderança de grandes empresas.
Acesse e saiba mais com o
COMO CAUSAR UMA BOA PRIMEIRA IMPRESSÃO
Grande parte das pessoas ficam preocupadas em causar uma boa primeira impressão seja na venda, entrevista de emprego, na paquera, reunião, apresentação e ate mesmo em um ambiente familiar. Mas como causar essa primeira impressão, é sabido por algumas vertentes que a primeira impressão é criada nos primeiros setes segundos de contato, e para cria-la é necessário que:
criar um papel, ou melhor incorporar um papel antes de entrar em cena, vai para aquele lugar então pense em como você deve ser e vista desse papel ou pessoa.
Sorria: pessoas que sorriem conseguem melhor a simpatia das outras, contudo sorria e não dê gargalhadas das outras pessoas.
Olhe para as pessoas: é tão ruim quando as pessoas com quem conversamos estão distantes.
Cumprimente: cumprimentar uma pessoa é sinal de deferência, respeito e cortesia.
Inclinar: você deve inclinar para a pessoa, demonstrando que esta ligada a ela.
Acesse e saiba mais com o
Descubra quem é carismático! Por meio da L.C.
Descubra quem é carismáticos por meio da Linguagem Corporal, estudos recentes realizados em países do norte apontam para isso. Uma vez que pessoas carismáticos:
sorriem naturalmente(franzindo os olhos)
usam variedades de gestos
Tocam as pessoas com quem conversam durante o diálogo
Acesse e saiba mais com o
Prof. Marcos Tadeu Cardoso
Historiador, pesquisador e escritor
www.marcostadeucardoso.blospot.com
Participe de nossa comunidade no orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=12279497
Convite para palestras: (38) 30811571-(38) 32235534-(38) 98046580-(38) 91437699
www.consultoriacardoso.com
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