ENCICLOPÉDIA MINEIRA: Prof. Marcos Tadeu Cardoso

Um projeto do Prof. Marcos Tadeu Cardoso, um livro publicado narrando a história das principais cidades Mineiras.
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ceará
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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de Ceará, veja Ceará (desambiguação).

Coordenadas: 05º 11' S 39º 17' W
Estado do Ceará
Bandeira do Ceará
Brasão do Ceará
(Bandeira) (Brasão)
Lema: Terra da Luz
Hino: Hino do Ceará
Gentílico: cearense

Localização do Ceará no Brasil

Localização
- Região Nordeste
- Estados limítrofes Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco
- Mesorregiões 7
- Microrregiões 33
- Municípios 184
Capital Brasao Fortaleza Ceara Brasil.svg Fortaleza
Governo 2007 a 2010
- Governador(a) Cid Gomes (PSB)
- Vice-governador(a) Professor Pinheiro (PT)
- Deputados federais 22
- Deputados estaduais 46
- Senadores Inácio Arruda (PC do B)
Patrícia Saboya (PSB)
Tasso Jereissati (PSDB)
Área
- Total 148 825,602 km² (17º) [1]
População 2009
- Estimativa 8 547 809 hab. (8º)[2]
- Densidade 57,44 hab./km² (11º)
Economia 2009[3]
- PIB R$60,79 bilhões (12º)
- PIB per capita R$7.112 (23º)
Indicadores 2009[4]
- Esper. de vida 71,0 anos (20º)
- Mort. infantil 27,6‰ nasc. (19º)
- Analfabetismo 18,6% (23º)
- IDH (2005) 0,723 (22º) – médio[5]
Fuso horário UTC-3
Clima tropical e semi-árido Bs'h
Cód. ISO 3166-2 BR-CE
Site governamental www.ceara.gov.br

Mapa do Ceará

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O Ceará é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Nordeste e tem por limites o Oceano Atlântico a norte e nordeste, Rio Grande do Norte e Paraíba a leste, Pernambuco a sul e Piauí a oeste. Sua área total é de 146.348,30 km²,[6] ou 9,37% da área do Nordeste e 1,7% da superfície do Brasil. A população do estado estimada para o ano de 2008 foi de 8.450.527 habitantes, conferindo ao território a oitava colocação entre as unidades federativas mais populosas.

A capital e maior cidade é Fortaleza, sede da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Outras cidades importantes fora da RMF são: Juazeiro do Norte e Crato na Região Metropolitana do Cariri, Sobral na região noroeste, Itapipoca na região norte, Iguatu na região centro-sul e Quixadá no sertão.[7] Ao todo são 184 municípios.

O estado é conhecido nacionalmente pela beleza de seu litoral, pela religiosidade popular e pela imagem de berço de talentos humorísticos. A jangada, ainda comum ao longo da costa, é considerada um dos maiores símbolos do povo e da cultura cearenses. O Ceará concentra 85% de toda caatinga do Brasil, bioma relacionado às estiagens que, aliado a políticas ineficientes, castigam a população do campo, da qual a maioria ainda é pobre.[8]

O Ceará é conhecido como "Terra da Luz", numa referência à grande quantidade de dias ensolarados, mas que também remonta ao fato de o estado ter sido o primeiro da federação a abolir a escravidão, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. Por esse fato, o jornalista José do Patrocínio considerou o estado como "a terra da luz".[9]
Índice
[esconder]

* 1 Etimologia
* 2 História
o 2.1 Ceará pré-colonial
o 2.2 Ceará Colonial
o 2.3 Capitania do Siará Grande
o 2.4 Ceará no Império
o 2.5 Primeira República e Estado Novo
o 2.6 República Nova
o 2.7 Governo militar
o 2.8 Nova República
* 3 Geografia
o 3.1 Hidrografia
o 3.2 Litoral
o 3.3 Proteção ao meio ambiente
o 3.4 Clima
o 3.5 Secas
* 4 Demografia
o 4.1 Etnias
* 5 Política
* 6 Subdivisões
o 6.1 Litígio territorial
* 7 Economia
o 7.1 Setor primário
o 7.2 Setor secundário
o 7.3 Setor terciário
* 8 Infraestrutura
o 8.1 Ciência e Tecnologia
o 8.2 Educação
o 8.3 Energia
o 8.4 Mídia
o 8.5 Saúde
o 8.6 Segurança pública
o 8.7 Transporte
* 9 Cultura
o 9.1 Arte popular
o 9.2 Artes plásticas
o 9.3 Humor
o 9.4 Literatura
o 9.5 Música
o 9.6 Religião
o 9.7 Maçonaria
o 9.8 Esporte
o 9.9 Festas e eventos
o 9.10 Pontos turísticos
* 10 Bibliografia
* 11 Referências
* 12 Referências
* 13 Ligações externas

[editar] Etimologia

O nome Ceará significa, literalmente, canto da jandaia.[10] Segundo o escritor José de Alencar, Ceará é nome composto de cemo - cantar forte, clamar, e ara - pequena arara ou periquito (em língua indígena). Há também teorias de que o nome do estado derivaria de Siriará, referência aos caranguejos do litoral.[10]
[editar] História

Ver artigo principal: História do Ceará

Ceará a partir do mapa de 1629 por Albernaz I.

O povo cearense foi formado pela miscigenação de indígenas catequizados e aculturados após longa resistência, colonizadores europeus e negros que viviam como trabalhadores livres ou escravos.[11] O povoamento do território foi bastante influenciado pelo fenômeno natural da seca.

Era uma sociedade rural baseada sobretudo na pecuária, principalmente no sertão, e na agricultura, em especial nas serras e vales. A elite latifundiária, mediante o poder econômico e complexas relações de parentesco e afilhadagem, possuía controle de quase todos os aspectos da vida social. Os "coronéis" mantinham em suas propriedades muitos dependentes que lhes prestavam serviços ou entregavam parte de sua produção em troca da posse de um lote de terra, além de trabalhadores assalariados.[12]

O desenvolvimento independente do Ceará aconteceu apenas depois de sua desagregação de Pernambuco em 1799,[13] e sua história foi marcada por lutas políticas e movimentos armados. Essa instabilidade se prolongou durante o Império e a Primeira República, normalizando-se depois da reconstitucionalização do País em 1945.
[editar] Ceará pré-colonial

O Ceará era habitado ancestralmente por indígenas dos troncos Tupi (Tabajara, Potiguara, Tapeba, entre outros) e Jê (Kariri, Inhamum, Jucá, Kanindé, Tremembé, entre outros), cujas tribos ainda hoje denominam vários topônimos no Ceará.[14] Estes povos já negociavam Tatajuba, ambar, algodão bravo e outros produtos com os estrangeiros que aportavam nas costas cearenses, antes que os colonizadores portugueses chegaram em 1603 através do litoral. O povoamento pelos protugueses foi bastante dificultado nas primeiras décadas de colonização, devido à intensa resistência dos nativos e à interveniência de secas.

Os navegadores espanhóis Vicente Yáñez Pinzón e Diego de Lepe desembarcaram na costa cearense antes da viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.[15] Pinzón chegou a um cabo identificado como "Porto Formoso", que se acredita ser o Mucuripe, e Lepe, à barra do rio Ceará, em Fortaleza. Essas descobertas não puderam ser oficializadas devido ao Tratado de Tordesilhas (1494).

As terras equivalentes à Capitania do Ceará foram doadas a Antônio Cardoso de Barros, que, porém, não se interessou em colonizá-las.[16] Ficaram assim entregues à ação de corsários, notadamente franceses, que em 1590 estabeleceram a Feitoria da Ibiapaba, para explorar o âmbar-gris, as madeiras de lei, a pimenta e o algodão nativo. Os holandeses também já negociavam com os nativos cerearense, um bom exemplo disso e capitão Jean Baptista Sijens, que esteve no Mucuripe em 1600.[17] Os esforços de povoamento pelos portugueses visavam principalmente a vencer a resistência indígena e garantir o domínio luso contra estrangeiros.

Em 1597/98 um ramo da etnia Potyguara que habiatava a região ao redor do Forte dos Reis Magos, migrou e estabeleceu-se na região entre as margens dp rio Cocó, rio Ceará e ao fundo as serras de Pacatuba e Maranguape[18].
[editar] Ceará Colonial

Graças ao contatos mantidos entre os índios Potyguara e portugueses, estes últimos planejaram chegar ao Ceará e estabelecer um ponto de apoio na jornada para os Maranhão. Desta forma a primeira tentativa efetiva de colonização portuguesa ocorreu com Pero Coelho de Sousa em 1603, que na sua fundou o Forte de São Tiago na Barra do Ceará. Em 1605, porém, sobreveio a primeira seca registrada na história cearense, fazendo que Pero Coelho e sua família abandona-se o Ceará.

Depois do fracasso de Pero Coelho, os padres jesuítas Francisco Pinto e Pereira Figueira chegaram ao Ceará com o intuito de evangelizar os silvícolas. Avançaram até a Chapada da Ibiapaba, onde ficaram até a morte do padre Francisco Pinto em outubro do mesmo ano. O padre Pereira Figueira retornou a Pernambuco em 1608, sem grandes sucessos.[19]

Em 1612, nova expedição foi enviada como parte dos esforços de conquista do Maranhão, então dominado pelos franceses. Fazia parte desta jornada Martim Soares Moreno, que funda o Fortim de São Sebastião, também na Barra do Ceará. Ao retornar, em 1621, encontrou o forte destruído, mas lançou as bases para o início da exploração econômica pelos portugueses e o apaziguamento dos nativos.[20][21]

Os holandeses, já estabelecidos em Pernambuco desde 1630, tentaram invadir o Ceará já em 1631, atendendo ao pedido das nações índigenas cearenses. Sendo que a primeira tentativa de conquista holandesa fracassou.

Em 1637, o território foi tomado pelos holandeses, graças um trabalho conjunto com os índios nativos, no qual os portugueses foram feitos prisioneiros e levados para Recife. Os holandeses estabelceram-se e também chegaram usar o Ceará com ponto de apoio a conquista holandesa do Maranhão, em 1641.

Nesta época de ocupação holandesa (1637-1644), o forte da Barra do Ceará foi reformado, foi construído um forte em Camocim, as pesquisas para a exploração das salinas foram feitas e em 1639, George Marcgraf vem ao Ceará numa expedição. Uma expedição que se deu partindo do Fortim de São Sebastião percorreu o oeste cearense até a região dos Imhamuns.[22]

Os holandeses ficaram no Ceará até 1644, quando Gideon Morris e sua tropa, que retornavam das batalhas no Maranhão, foram mortos numa emboscada organizada pelos próprios índios. Com a emboscada de 1644, o Fortim de São Sebastião também foi destruído.

Entre 1644 até 1649, o Ceará ficou sendo administrado pelas etnias existentes. A presença européia só retorna em 1649, depois de contatos e negociações feitas entres os nativos e Antônio Paraupaba em 1648.[23]

Com a chegada de Matias Beck, em 1649, o Siará Grande entrou num novo período histórico: na embocadura do riacho Pajeú, o Forte Schoonenborch foi construído, os trabalhos de busca das supostas minas de prata foram iniciadas e os holandeses procuraram mais uma vez se estabelecer na região, sob forte hostilidade dos indígenas.[24]

Após a capitulação holandesa em Pernambuco, o forte foi entregue aos portugueses, restabelecendo-se assim o poderio português, rebatizando-o de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção.[25] Neste período muitas das nações índigenas que apoiaram os holandeses, que não estavam protegidas pelo Tratado de Taborda, fugiram para o Ceará, procurando refúgio das retaliações lusas.[26] Desta forma, o Ceará acabou sendo o centro de batalhas na Guerra dos Bárbaros.

Na continuação da colonização pelos portugueses[20] a influência dos jesuítas foi determinante, resultando na criação de aldeamentos (Porangaba, Paupina, Viçosa e outros), muitos deles fortemente militarizados, onde os indígenas eram concentrados para serem catequizados e assimilados à cultura lusitana. Tribos tupis aliadas dos portugueses também vieram se instalar em vilas militarizadas na capitania. Dessas reduções surgiram às primeiras cidades da capitania, como Aquiraz e Crato. O processo de aculturação, no entanto, não se deu sem grandes influências de crenças e produtos nativos. A intensa resistência levou a episódios sangrentos, destacando-se a Guerra dos Bárbaros, ao longo de várias décadas do século XVIII, que resultou na fuga dos habitantes da capital Aquiraz, em 1726, para Fortaleza, que passou a ser a capital.[27]
Primeiro mapa de Fortaleza de 1730.

Outras frentes colonizadoras surgiram com a instalação da pecuária na capitania através dos "sertões de dentro" e "sertões de fora", com levas oriundas respectivamente da Bahia e de Pernambuco.[28] Vilas como Icó, Aracati, Sobral e outras surgiram do encontro de rotas do gado tangerino, que era levado até as feiras ou fregueses. Mais tarde, o custoso transporte do gado perdeu importância para a produção da carne de charque que, no final do século XVIII, se disseminou também para a Região Sul do Brasil. Nas regiões serranas, houve grande afluxo de pessoas que se dedicaram à agricultura policultora, o que veio a caracterizá-las pela maior diversificação da produção e pela estrutura menos latifundiária que a do sertão. O vale do Cariri assentou-se menos na pecuária e mais na cultura da cana-de-açúcar, propiciando a entrada de maiores levas de escravos africanos. O litoral, refúgio de muitos indígenas e negros livres ou fugitivos, povoou-se de vários vilarejos de pescadores.

As principais vilas da capitania da época charqueana eram Aracati, Crato, Icó, e Sobral. A que mais ganhou destaque foi Aracati, devido ao comércio de couro e carne de charque. Entre os anos de 1750 a 1800, Aracati viveu seu apogeu,[29] mas com uma grande seca na região entre os anos de 1790 até 1793, os rebanhos bovinos morreram e a produção de charque transferiu-se para o Rio Grande do Sul, que assumiu a posição de abastecedor principal das outras regiões.
[editar] Capitania do Siará Grande
Mapa do Ceará feito por Mariano Gregório do Amaral em 1800.

Em 1799 o Ceará adquiriu independência em relação à Pernambuco, e Bernardo Manuel de Vasconcelos foi nomeado seu primeiro governador, sendo o responsável pelo início da urbanização de Fortaleza.[13] No final do século XVIII, especialmente com a Guerra de Independência norte-americana, o algodão foi tomando relevante papel na pauta de exportações do Ceará. Com o declínio do charque, cuja distribuição era centrada em Aracati, Fortaleza se tornou a principal cidade cearense devido à sua condição de destino dos produtos agrícolas cultivados nas diversas serras que se elevam nas vizinhanças do município.

Em 1812 foi nomeado governador do Ceará o português Manuel Inácio de Sampaio e Pina Freire, o qual reuniu os literatos no palácio do governo e deu incentivo às artes e à urbanização da capital por meio dos projetos de Silva Paulet. No começo do século XIX o Ceará passou por movimentos rebeldes, como a República do Crato, em 1813, e também influências da Revolução Pernambucana de 1817, movimentos de cunho republicano-liberal liderados pela família cratense dos Alencar. Tais movimentos foram reprimidos com dureza pelo governador provincial do Ceará, Inácio de Sampaio.[30]
[editar] Ceará no Império
Imagem de um moinho de vento, em Aracati, da Comissão Científica de Exploração em 1859.

Em 1825 o Ceará tomou parte na Confederação do Equador, com o liberal Tristão Gonçalves aplicando um golpe e tornando-se chefe do governo.[31] A Confederação foi frustrada pela forças imperiais, e Tristão morreu durante os combates contra as forças legalistas do Império. O ciclo de conflitos terminou com a Insurreição de Pinto Madeira, "coronel" de Jardim, que visava ao retorno da monarquia absolutista e representava interesses regionais opostos aos da cidade do Crato, de inspiração marcantemente liberal.

Em meados de 1860, devido à Guerra de Secessão norte-americana, houve um surto de crescimento da produção do algodão. Tal florescimento não durou muito tempo, mas deu grande impulso à modernização da infra-estrutura da Província como exemplo a Estrada de Ferro de Baturité, inaugurada em 1873. Em 1877, tem início a chamada Grande Seca de 1877-1879, um dos mais severos períodos de seca prolongada da história cearense, levando à morte milhares de pessoas e acarretando emigração maciça de retirantes. Fortaleza recebeu uma população de fugitivos da seca quatro vezes maior que a sua própria.[32]
Jornal abolicionista "Libertador"[33] de 25 de março de 1884.

Logo após, a produção da borracha explode na Amazônia, e muitos cearenses vítimas da seca migram para esta região.[34]

A gravidade dessa estiagem chamou a atenção do governo central e mesmo de cientistas, havendo então a produção de textos científicos e propostas de melhoramento da situação da população cearense,[35] cuja maior parte não foi posta em prática ou se relevou ineficaz. Por outro lado, houve um aceleramento nas obras do Açude do Cedro, em Quixadá, o primeiro do Nordeste, que só ficou pronto em 1906.[36] A Grande Seca e as estiagens seguintes impulsionaram o surgimento da indústria da seca e geraram uma tradição migratória no estado.[37] Entre 1869 e 1900, 300 mil cearenses abandonaram sua terra, 85% deles indo para a Amazônia.[38]

Anos antes da proclamação da República notabilizou-se a campanha abolicionista no Ceará, que logrou abolir a escravidão no estado em 25 de março de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. O movimento contou com a participação de várias sociedades libertárias, inclusive a maçonaria, mas o maior destaque ficou com Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, jangadeiro que impulsionou o abolicionismo ao comandar seus companheiros, em 1881, numa total recusa a transportar escravos para dentro ou fora da província.[9] A primeira cidade brasileira a abolir a escravatura foi Acarape, atual Redenção, em 1º de janeiro de 1883. Devido a isso, o Ceará recebeu a alcunha de Terra da Luz, de início por José do Patrocínio. A escravidão, que jamais fora dominante no estado, estava praticamente extinta nos anos de 1880, de forma que não houve resistência à abolição mesmo por parte da elite agrícola.
[editar] Primeira República e Estado Novo
Soldados das forças juazeirenses.

No início da Primeira República, apesar das estiagens que assolaram o Ceará, Fortaleza continuou a desenvolver-se econômica e politicamente, ao contrário do resto do estado. Ocorre nas primeiras décadas do século XX um afluxo de imigrantes, embora pequeno em relação ao de outras regiões, consistindo principalmente de portugueses e sírio-libaneses.[39] Os descendentes destes, em particular, ganharam grande destaque no comércio, como mascates, e, futuramente, na política cearenses.[40]

Começou a ganhar destaque a atividade dos cangaceiros, que, agindo em grupos organizados e promovendo saques em cidades e propriedades rurais, desestabilizaram o interior do Nordeste por décadas. A forte religiosidade popular e a grande miséria estimulavam uma profusão de líderes messiânicos e formas de fanatismo religioso. O cearense Antônio Conselheiro, de Quixeramobim, chegou a formar, na Bahia, o arraial de Canudos, cuja forte atração populacional e ideológica, contrária aos interesses da elite fundiária, deflagrou a Guerra de Canudos.[41] Isso, porém, não extinguiu a influência dos líderes religiosos.

Entre 1896 e 1912, a hegemonia política foi monoliticamente concentrada nas mãos do comendador Nogueira Accioly e de sua família, que estabeleceram uma poderosa oligarquia que comandava a maior parte dos escalões do poder estadual. Em 1912, Accioly apontara como seu candidato Domingos Carneiro, contra Franco Rabelo, representante da política do salvacionismo do presidente Hermes da Fonseca, gerando uma conturbada campanha eleitoral. A dura repressão policial a uma passeata de crianças em favor de Rabelo, que causou a morte de algumas delas e feriram outras, desencadeou uma revolta de três dias da população fortalezense, forçando o governador Accioly a renunciar, evento conhecido como Sedição de Fortaleza. Franco Rabelo passou a governar o Ceará.[42]
A Rede de Viação Cearense surgiu em 1909 e foi federalizada em 1915 para ajudar no combate à seca.

No fim do século XIX o carismático Padre Cícero passou a atrair milhares de sertanejos para um pequeno distrito do Crato, que se tornaria Juazeiro do Norte em 1911, persuadidos pela sua fama de milagreiro, atribuída à suposta transformação em sangue da hóstia recebida do padre pela beata Maria de Araújo. Mesmo após a perda de sua ordenação, em virtude de controvérsias sobre o milagre, o Padre Cícero tornou-se cada vez mais conhecido e, apesar de seu caráter messiânico, foi hábil em evitar grandes conflitos com a elite local, tornando-se ele próprio um poderoso chefe político. Em 1914 irrompeu a Sedição de Juazeiro, opondo o governador interventor Franco Rabelo e o Padre Cícero, que havia conquistado os postos de prefeito de Juazeiro do Norte e vice-governador.[43] Rabelo iniciou uma perseguição ao líder religioso. Com isso, liderados por Floro Bartolomeu, os sertanejos fiéis ao Padim Ciço reuniram-se para lutar contra as tropas estaduais, conseguindo derrotá-las em sua cidade e fazê-las recuar até Fortaleza, onde, vencendo, destituíram o governador. Estabeleceu-se um relativo equilíbrio entre as oligarquias cearenses, que durou até a Revolução de 30.
Sobreviventes do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, um dos eventos mais cruéis da história cearense.

Em 1915 o Ceará sofreu com uma gravíssima seca levando a novo êxodo da população cearense para a Amazônia, região que, devido às intermitentes, mas significativa emigração recebeu grande afluxo e influência de cearenses. A gravidade da seca inspirou a escritora Rachel de Queiroz em sua famosa obra O Quinze. O sertão sofreu mais uma estiagem em 1932, e o governo estadual não pôde dispor mais da Amazônia como refúgio para os flagelados.

Diante disso, os campos de Concentração no Ceará que já foram usados na estiagem de 1915, foram recriados.[44] [45] Conhecidos como Currais do Governo, [46] tinham como objetivo, impedir que os retirantes que fugiam da seca e da fome, chegassem às grandes cidades. A instabilidade política e social foi crescendo no Estado. Nos anos 1930, surgiu no Crato o movimento messiânico do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, liderado pelo beato José Lourenço.[47] Igualitária e agrária, a comunidade do Caldeirão perseguia a auto-suficiência, passando a ser vista pelo governo e pelos fazendeiros poderosos da região como uma má influência. Em 1937 o Caldeirão foi invadido e alvo de bombardeio aéreo, resultando no massacre de aproximadamente 400 indivíduos.

Após a Revolução de 1930, o Ceará passou a ser governado por interventores do Governo Federal.[48] Ascenderam duas organizações políticas que dominaram o cenário estadual: a Legião Cearense do Trabalho, com nítida influência fascista, e a Liga Eleitoral Católica, fortemente religiosa, representante da elite tradicional e de grande apelo popular. Nos anos 1940 mais uma seca (1943) assolou o Ceará, e, com a Segunda Guerra Mundial e os Acordos de Washington, o governo de Getúlio Vargas incluiu o Ceará no seu projeto político. A instalação de uma base norte-americana em Fortaleza trouxe ideais democráticos e antifascistas que passaram a ser defendidos em várias manifestações. Sob uma forte propaganda governamental de migração (SEMTA), cerca de 30 mil cearenses tornaram-se Soldados da Borracha, produzindo esse produto na Amazônia para abastecer os exércitos aliados.[49]
[editar] República Nova
Vista da atual sede do Banco do Nordeste, instalado em Fortaleza em 1954.

A República Nova no Ceará tem início com a nomeação sucessiva de seis interventores até as eleições de 1947, seguindo-se a eleição de Faustino de Albuquerque pela UDN. Durante seu governo, nas eleições presidenciais de 1950, o candidato udenista Eduardo Gomes obteve a maior votação, e Getúlio Vargas ficou na 3ª colocação no estado.[50] Para a direção do governo estadual é eleito Raul Barbosa. Durante seu governo houve a instalação do Banco do Nordeste do Brasil (1952) em Fortaleza. No mesmo ano o governo federal inaugurou oficialmente o Porto do Mucuripe, em cujo entorno foram instaladas várias usinas termoelétricas.

Durante a década de 1950 surgiram ou se consolidaram vários dos maiores grupos econômicos do Ceará, como Deib Otoch, J. Macêdo, M. Dias Branco, Edson Queiroz e Jereissati. Paulo Sarasate foi o terceiro governador eleito no período. Ainda nessa década tem início uma nova onda migratória para vários estados e regiões. Entre as décadas de 1950 e 1960, a população cearense passou de 5,1% para 4,5% do total da população brasileira.[51] Em 1958 foi eleito Parsifal Barroso que teve a ajuda do governo federal para combater as mazelas decorrentes da seca daquele ano, sendo a principal obra o Açude Orós, inaugurado em 1961. Em Fortaleza o Grupo Severiano Ribeiro inaugurou o Cine São Luis. Em 1962, foi criado o Banco do Estado do Ceará (BEC).[52]

Em 1963 Virgílio Távora foi eleito governador do Ceará, exercendo o mandato até 1966, mesmo com o surgimento da ditadura militar em 1964. Seu governo foi marcado pela criação do "PLAMEG I" - Plano de Metas do Governo - que visou à modernização da estrutura do estado com a ampliação do porto do Mucuripe e a transmissão da energia de Paulo Afonso para a capital.[53] Foram criados ou instalados, também, o Distrito Industrial de Maracanaú, a CODEC e a Companhia DOCAS do Ceará. Com o AI-2, Virgílio aderiu à ARENA, e seu vice Figueiredo Correia ao MDB.
[editar] Governo militar
Vista do litoral de Fortaleza na década de 1980 vendo-se o monumento ao Interceptor oceânico.

Plácido Castelo foi eleito pela Assembleia Legislativa em 1966. Durante seu governo houve perseguição política a deputados e várias manifestações, acarretando a prisão e tortura de estudantes e trabalhadores, assim como atentados a bomba em Fortaleza.[54] Foi criado o Banco de Desenvolvimento do Ceará (BANDECE) e pavimentada a rodovia CE-060, a "estrada do algodão". Também tiveram início as obras do estádio Castelão.

Durante o governo de César Cals (1971-1975) se sucedeu o auge da repressão militar. Vários cearenses de esquerda estiveram envolvidos na Guerrilha do Araguaia.[55] Cals procurou governar tecnocraticamente, formando sua própria facção política e rompendo com Virgílio Távora. Seu sucessor, Adauto Bezerra (mandato de 1975 a 1978) não acontecem grandes mudanças. Adauto volta-se politicamente para o interior com a criação de uma secretaria de assuntos municipais. Renuncia seu mandato para se eleger deputado federal. O vice-governador Waldemar Alcântara toma posse e termina o mandato.

Virgilio Távora retorna ao governo em 1979, sendo o último eleito indiretamente, e resgata seu primeiro governo com a criação do PLAMEG II. Estabelece o Fundo de Desenvolvimento Industrial para complementar o sistema de incentivos regionais à indústria, impulsionando uma industrialização muito concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza.[56] Criou-se o PROMOVALE (projetos de irrigação), e sua esposa, Luiza Távora, programou projetos sociais como a Central de Artesanato do Ceará. Seu governo foi marcado pela ausência, quase que total, de oposição na Assembleia, nomeações aproximadas de 16.000 pessoas para cargos públicos e várias greves. Em 1983, Gonzaga Mota foi eleito pelo voto popular, rompendo com os coronéis anteriores para criar seu próprio grupo político. Seu rompimento rendeu-lhe ataques do regime militar com a suspensão de verbas federais.
[editar] Nova República
Tasso Jereissati foi governador por três vezes e liderou o chamado "Governo das Mudanças" no Ceará.

A Nova República coincide no Ceará com a eleição de Maria Luiza para o cargo de prefeita de Fortaleza em 1985. Foi a primeira prefeita de capital estadual eleita pelo Partido dos Trabalhadores e a primeira mulher a ser eleita para esse cargo após o regime militar. A insatisfação com a política praticada durante a ditadura militar e o movimento de redemocratização impulsionaram as transformações no poder político, com a decadência da hegemonia tradicional do coronelismo.[57]

Gonzaga Mota deixou o governo com pagamentos atrasados ao funcionalismo e descontrole nas contas públicas.[58] Rompido com os antigos aliados, Mota, junto com partidos de esquerda e o PMDB, apóia a candidatura oposicionista liderada pelo jovem empresário Tasso Jereissati, que conseguiu se eleger com a promessa de modernizar a administração pública e as finanças, combater o clientelismo dos governos anteriores, moralizar a administração pública e desenvolver a economia estadual. A nova gestão se autodenominou como "Governo das Mudanças".[59] Nas duas décadas seguintes, o projeto avançou com a eleição de Ciro Gomes, seguida de um segundo mandato de Tasso Jereissati. Com a instituição da reeleição no país, Tasso ainda governou o Estado pela terceira vez, tornando-se o primeiro político a conseguir tal fato em mais de 100 anos de história republicana.[57] Nas duas décadas seguintes, Jereissati e seus aliados passaram a deter a hegemonia política no Estado, e rapidamente perdem a aliança com partidos mais à esquerda.[57] Ciro Gomes, então prefeito de Fortaleza, se candidatou e foi eleito em 1990 para o cargo de governador, apoiado por Tasso.

Os "Governos das Mudanças" priorizaram o aumento das receitas, visando a investimentos públicos e privados em infra-estrutura e nos setores industrial e de serviços, enquanto o agropecuário permanece à margem. Politicamente, há uma relativa diminuição de poder dos "coronéis", com ampliação do poder do grande empresariado. O saneamento das contas estaduais - atingido, em parte, pelo propósito de diminuir as despesas através de reformas administrativa e financeira, bem como de demissões e achatamento salarial no funcionalismo público - garantiu superávits entre 1988 e 1994, mas com a consolidação do Plano Real volta-se a uma predominância de déficits.[58]

Tasso foi eleito novamente em 1994 e reeleito em 1998, concentrando os esforços governamentais em grandes obras, como o Porto do Pecem, o novo Aeroporto Internacional de Fortaleza, o Açude Castanhão, o Centro Cultural Dragão do Mar e o Canal da Integração. O terceiro "Governo das Mudanças" (1994-1997) se caracterizou pela privatização de empresas algumas estatais e extinção de órgãos, enxugando a máquina, reformando a Previdência estadual e dando maior racionalidade aos gastos públicos.[58] Lúcio Alcântara, eleito com o apoio de Tasso, continuou, em linhas gerais, o modelo político anterior, mas não conseguiu se reeleger em 2006, quando rompeu com o PSDB, posteriormente mudando para o Partido da República. Cid Gomes, do PSB, ex-prefeito de Sobral e aliado histórico de Tasso, venceu a disputa, com o apoio do PT, que em Fortaleza, já havia vencido com Luizianne Lins, eleita em 2004 mesmo sem apoio real do partido, o qual, devido às alianças partidárias nacionais, apoiou o candidato Inácio Arruda, do PC do B.[60] Em 2008, Luizianne Lins foi reeleita.

O Estado se beneficiou também da guerra fiscal, que então se iniciava, o que, somada à mão-de-obra barata, atraiu várias indústrias, as quais se concentraram em algumas poucas cidades. O crescimento médio do PIB, de 4,6%, foi superior à média nacional e nordestina nos anos 1990, continuando a tendência iniciada na década de 1970.[61] As ações do governo, aliado aos esforços do empresariado local, e os incentivos de instituições de grande importância na história econômica recente do Ceará, como o BNB e a Sudene, foram determinantes para tal desempenho.

O forró eletrônico se popularizou na década de 1990, e o Ceará começou a despontar, seguindo a tendência do litoral nordestino, como grande polo de turismo. Ao longo dessa década, com ações como o Programa de Saúde da Família (PSF), o Estado também realizou grandes avanços na redução da mortalidade infantil. A migração em direção a Fortaleza segue forte.[62] A segurança pública tornou-se muito mais problemática entre 1990 e 2003, com a taxa de homicídios subindo de 8,86 para 20,15 por 100 mil habitantes.[63]

Apesar de vários avanços na saúde e educação básicas e do crescimento econômico estável, a chamada Era Tasso não alterou a estrutura socioeconômica problemática do Ceará, em especial a concentração de renda,[57] que piorou entre 1991 e 2000,[64] a má distribuição fundiária e a enorme disparidade regional (sobretudo entre a capital e o interior). Em 1999, segundo o Banco Mundial, metade dos cearenses viviam abaixo da linha de pobreza.[58] No início do século XXI, consolidou-se a tendência de queda na tradicional emigração de cearenses, que, no período 2001-2006, reverte-se para um saldo positivo de 38,3 mil pessoas, o que se atribui à melhoria das condições de vida e à maior estabilidade proporcionada por programas sociais, que permitiram a fixação do pobre em sua terra e o retorno de parte dos emigrantes.[65]
[editar] Geografia

Ver artigo principal: Geografia do Ceará

Vista da Chapada do Araripe a partir do seu sopé no Crato.

O Ceará é cercado por formações de relevo relativamente altas: chapadas e cuestas: a oeste é delimitado pela Serra da Ibiapaba; a leste, parcialmente; pela Chapada do Apodi; ao sul pela Chapada do Araripe; e ao Norte pelo Oceano Atlântico. Daí o nome de Depressão Sertaneja à área central.[66]

O estado está no domínio da caatinga, com período chuvoso restrito a cerca de quatro meses do ano e alta biodiversidade adaptada.[67] A sazonalidade característica desse bioma se reflete em uma fauna e flora adaptadas às condições semi-áridas. Consequentemente, há grande número de espécies endêmicas,[68] sobretudo nos brejos e serras, isolados pela caatinga e refúgios da flora e fauna de matas tropicais úmidas.[69] Na Serra de Baturité, por exemplo, 10% das espécies de aves são endêmicas.[70] O soldadinho-do-araripe foi descoberto em 1996 na Chapada do Araripe e só é encontrado nessa região. Dentre as aves, são ainda característicos o uirapuru-laranja e a jandaia. Destacam-se, na flora cearense, a carnaúba, considerada um dos símbolos do estado e também importante fonte econômica e a zephyranthes sylvestris,[71] flor original do habitat cearense.

As regiões mais áridas se situam na Depressão Sertaneja, a oeste e sudeste. Próximo ao litoral, a influência dos ventos alísios propicia um clima subúmido, onde surge vegetação mais densa, com forte presença de carnaubais, os quais caracterizam trechos de mata dos cocais. O clima também se torna subúmido, com caatinga mais densa e maior pluviosidade, nas adjacências das chapadas e serras.[72]
Vista panorâmica na cidade serrana de Guaramiranga, no Maciço de Baturité.

Enquanto as chapadas e cuestas são de origem sedimentar, as serras e os inselbergs que abundam em meio à Depressão Sertaneja são de formação cristalina. Dentre os relevos sedimentares, apenas a Chapada do Araripe (com altitudes que vão de 700 m até mais de 900 m) e a Serra da Ibiapaba (com altitude média de 750 m) possuem altura suficiente para permitir a ocorrência freqüente de chuvas orográficas, o que lhes confere maior pluviosidade. As pluviosidades, bem mais intensas do que na Depressão Sertaneja, variam de 1000 mm a mais de 2000 mm anuais.[73]
A carnaúba é a árvore símbolo do Ceará e ocupa grandes extensões no sertão.

Por outro lado, a altitude na Chapada do Apodi não ultrapassa os 300 m, de modo que as características semi-áridas ainda predominam nela. Dentre as serras de origem cristalina, as que têm de 600m a 800m de altitude média (caso do Maciço de Baturité, da Serra da Meruoca e da Serra de Uruburetama) também são favorecidas pelas chuvas orográficas, surgindo aí vegetação tropical densa, chuvas mais frequentes e maior umidade, em especial na sua vertente de barlavento. Em Catunda, na Serra das Matas, encontra-se o ponto mais elevado do estado, o Pico da Serra Branca, com 1.154 metros.[74] Nas serras pouco elevadas, surge vegetação semelhante às das vertentes de sotavento das serras úmidas, isto é, uma vegetação similar à caatinga mas bastante mais densa e com distinções na fauna e flora, conhecida como mata seca.

Existe ainda o carrasco, vegetação xerófila peculiar, que surge no reverso da Chapada da Ibiapaba e do Araripe, áreas mais secas, caracterizando-se por uma flora arbustiva e arbórea predominantemente lenhosa, ao contrário da caatinga. O carrasco distingue-se ainda da caatinga pela quase inexistência de cactos e bromeliáceas. Alguns se referem a essa vegetação como uma espécie de transição entre o cerrado, a floresta tropical e a caatinga.[75]
[editar] Hidrografia

Ver página anexa: Lista de rios do Ceará

O Rio Jaguaribe, com 633 km de extensão, é o principal rio cearense.

O território cearense é dividido em sete bacias hidrográficas sendo a maior delas a do rio Jaguaribe. Sua bacia hidrográfica compreende mais de 50% do estado. O rio tem 610 km de extensão. Os dois maiores reservatórios de água do Ceará são barragens que represam o Jaguaribe: Açude Orós e Açude Castanhão com as respectivas capacidades de armazenamento 2,1 e 6,7 bilhões de metros cúbicos. Os afluentes mais importantes do rio Jaguaribe são os rios Salgado e Banabuiú.[76]

As outras bacias são: do rio Acaraú com um dos maiores reservatórios do estado, o açude Araras com capacidade para um bilhão de metros cúbicos;[77] do rio Coreaú; do rio Curu; do litoral, que drena boa parte do litoral norte oeste onde os principais rios são Aracatiaçu, Aracatimirim, Mundaú e Trairi; na região metropolitana onde os principais rios são Ceará, Cocó, Pacoti e Choró; e parte da bacia do rio Parnaíba.[78]
[editar] Litoral

Ver página anexa: Lista de praias do Ceará

Praia de Águas Belas - Cascavel.

No litoral, que se estende por 573 km, predominam os mangues e restingas, vegetação litorânea típica, além de áreas sem vegetação recobertas por dunas.[79] Mesmo com altitudes muito pouco elevadas, as pluviosidades e a umidade são maiores que na Depressão Sertaneja. As temperaturas médias variam de 22 °C a 32 °C. A planície litorânea possui geografia diversificada, o que faz com que o estado possua praias com coqueirais, dunas, barreiras (também chamadas falésias por muitos) - paredões sedimentares que acompanham a faixa da costa e, em alguns trechos, possuem tons coloridos - e áreas alagadas de manguezal, onde há grande biodiversidade.

As praias mais famosas do Ceará são: a Praia de Jericoacoara, a Praia de Canoa Quebrada e a Praia de Porto das Dunas, dentre outras, as quais se destacam por alcançar fama internacional. Regionalmente, outras praias destacadas são: a Praia das Fontes, Morro Branco, Icaraí, Presídio, Baleia, Flecheiras, Cumbuco e Lagoinha. O litoral cearense é atravessado por duas rodovias, a Costa do Sol Nascente e a Costa do Sol Poente, que, a partir de Fortaleza, direcionam-se para o litoral leste e oeste, respectivamente.[80]
[editar] Proteção ao meio ambiente
A paisagem repleta de monólitos que caracteriza o sertão próximo a Quixadá.

No Ceará existem dois parques nacionais. O Parque Nacional de Ubajara criado em 30 de abril de 1959 e até recentemente era o menor parque em área, com 563 ha, passando a ter atualmente 6.299 ha. Abriga em seu interior a Gruta de Ubajara e um bonde de acesso à gruta, sua maior atração. O segundo é o Parque Nacional de Jericoacoara, criado em 2002 para preservar as praias e dunas da região, cujo principal atrativo é a Pedra furada. Outras áreas de preservação ambiental importantes são as florestas nacionais do Araripe (a primeira Floresta Nacional do Brasil, estabelecida em 1946) e de Sobral. Existe, ainda, a Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, com 10.000 km², que se estende por 38 municípios do Ceará, Pernambuco e Piauí.[81]
A Depressão Sertaneja.

O Governo do Ceará mantém 13 áreas de conservação. O Parque Ecológico do Cocó e o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio são os únicos parques estaduais do Ceará, sendo o Parque do Cocó o primeiro a ser criado, em 1989, dentro da área urbana de Fortaleza, abrigando o bioma de mangue. Em todo o Ceará existem 58 áreas de proteção ambiental sendo 20 estaduais, 11 federais, 13 municipais e 14 particulares.[82]

Os ecossistemas do Estado estão profundamente danificados e muito pouco preservados.[83] As regiões de floresta tropical e cerrado, nas serras e chapadas de elevada altitude, possuem grande concentração demográfica, intenso uso para fins agropecuários e, comparativamente, pouca preservação e fiscalização ambiental. Os crimes ambientais são praticados constantemente em áreas como a APA Araripe - sobretudo as queimadas e retirada de lenha - e não podem ser reprimidos devido ao parco efetivo de fiscais, dentre outros motivos.[84] Atualmente a mata atlântica ocupa apenas 1,2% do território do Estado, tendo sido bem mais extensa no passado, mas 44% do restante está em áreas de preservação, o que, porém, não tem garantido sua total conservação.[85]

Em situação ainda mais grave está a extensa caatinga cearense, que conta com uma ínfimos 0,45% de preservação, embora represente, em suas variadas formas, 92% do território estadual.[86] 80% da caatinga cearense está devastada,[87] e muitas das áreas restantes, apesar de aparentemente conservadas, não passam de formas vegetais secundárias menos ricas e alteradas pela substituição de espécies vegetais, o que acarreta graves prejuízos para o solo e os já escassos recursos hídricos. A desertificação avança no Estado e atinge níveis preocupantes, sobretudo em Irauçuba.[88]
[editar] Clima
Gráfico climático para Viçosa do Ceará
J F M A M J J A S O N D


149

29
18



256

27
18



348

26
17



288

26
17



155

26
18



52

27
17



22

27
17



6

28
17



4

29
18



7

30
18



18

30
18



57

30
18
Temperaturas em °C • Precipitações em mm
Fonte: [89]

O clima é predominantemente semi-árido, com pluviosidades que, em trechos da região dos Inhamuns, podem ser menor que 500 mm, mas também podem se aproximar de 1.000 mm em outras áreas caracterizadas pelo clima semi-árido brando (presente, por exemplo, na área semi-árida do Cariri e nas cidades relativamente próximas à faixa litorânea). A temperatura média é alta, com pequena amplitude anual de aproximadamente 5 °C,[90] girando entre meados de 20 °C no topo das serras a até 28 °C nos sertões mais quentes.[91] No interior, a amplitude térmica diária pode ser relativamente grande devido à menor umidade.[92]

Em todo o estado, os dias mais frios ocorrem geralmente em junho e julho e os mais quentes, entre outubro e fevereiro.[73] Nas áreas serranas, onde impera o clima tropical semi-úmido e, em altitudes mais elevadas, úmido, as temperaturas são mais baixas, com média de 20 °C a 25 °C,[73] podendo ter mínimas anuais entre 12 °C e 16 °C.[91] Surgem aí vegetações de cerradão e floresta tropical, e as pluviosidades são mais altas, superando os 1.000 mm. Essas áreas contêm mananciais que banham os sopés dessas regiões, tornando-os propícios à atividade agrícola. É nas serras e próximo a elas, assim como nas planícies aluviais, que se concentra a maior parte da população do interior cearense, com densidades superiores a 100 hab./km², por exemplo, em boa parte do Cariri cearense.[93]

No litoral, o clima tropical subúmido possui pluviosidades normalmente entre 1.000mm e 1.500mm. As temperaturas são bastante elevadas, com médias de 26 °C a 28 °C, mas a amplitude térmica é bastante pequena.[73] No geral, as temperaturas variam, durante o dia, de mínimas de 23 °C - 24 °C até máximas de 30º - 31 °C. É raro as temperaturas ultrapassarem os 35 °C na região litorânea, ao contrário do que ocorre no Sertão cearense.
[editar] Secas

O clima do Ceará é marcado pela aridez. As secas são periódicas, e, desde que a ocupação territorial foi consolidada, a população tenta resolver o problema da escassez de água. A Seca de 1606 foi a primeira a marcar a história da ocupação do território. Outras secas importantes foram as registradas em 1777 e 1778, responsáveis pelo enfraquecimento da indústria das charqueadas, que teve seu golpe final no período de grandes secas entre 1790 e 1794.[94]
Imagem da parede do Açude do Cedro.

Durante as décadas seguintes, até 1877, o Ceará viveu relativa tranquilidade, sem estiagem, até que naquele ano e nos dois seguintes uma grande seca prejudicou fortemente a agropecuária no estado.[95] No início dessa, o senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil publicou o primeiro livro sobre esse problema climático, intitulado "O clima e secas no Ceará". Nessa época foi iniciada a construção do Açude do Cedro, em Quixadá, como medida para minimizar a falta de água, mas a obra só foi finalizada na Primeira República.

No começo do século XX foi criada a "Inspetoria de Obras Contra as Secas" que mais tarde passaria a ser o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, com sede em Fortaleza para realizar estudos, planejamentos e obras contra as estiagens, em 1909.[96] Várias barragens foram construídas em todos os estados do Nordeste. Na década de 1930, foi criado o Polígono das secas: quase a totalidade do território cearense está inserido nele.

Atualmente existem muitos órgãos do governo cearense voltados para a problemática do clima. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos juntamente com a Superintendência de Obras Hidráulicas são os órgãos que fazem a gerência de várias barragens e o planejamento de adutoras e canais. A Fundação Cearense de Meteorologia é a responsável pelo monitoramento climático. Finalmente o órgão central é a Secretaria dos Recursos Hídricos que faz toda a estruturação de metas e planos para combater a seca no Ceará.[97]
[editar] Demografia
Vista parcial da cidade do Crato, construída ao sopé da Chapada do Araripe.
Histórico populacional
Censos Pop.
1970 4.361.603
1980 5.288.429
1991 6.336.647
2000 7.431.597
2005 8.106.635
2008* 8.450.527
2009* 8.547.809
(*) Estimativa

Segundo estimativas do IBGE (2008), a população cearense é de aproximadamente 8.450.527 habitantes, o que confere ao estado uma densidade de 56,78 hab./km².[2] Há forte concentração populacional na microrregião de Fortaleza (que inclui municípios da Região Metropolitana de Fortaleza), com 3.255.701 habitantes; na do Cariri, com 519.055 habitantes; e na de Pacajus, com 98.390 habitantes. Somadas, possuem 7.875,767 km² (5,3% do total) e 3.873.146 habitantes (46% do total) o que lhes confere uma densidade populacional de 491,78 hab./km².[2]

As cidades mais povoadas do Estado estão nessas regiões: Fortaleza (8.001,4 hab./km²), Maracanaú (1.908,2), Juazeiro do Norte (1.005,1) e Pacatuba (542,5), respectivamente.[98] Entre 1998 e 2008, persistiu a concentração da população na Região Metropolitana de Fortaleza, que cresce a ritmo mais acelerado que a média estadual (1,75% contra 1,25%, respectivamente).[99]

A transição demográfica tem ocorrido rapidamente no estado: a taxa de natalidade, que nos anos 1970 era bastante alta, caiu para 17,96‰ em 2008, e a taxa de mortalidade nesse ano estava em 6,41‰. A taxa de fecundidade em 2009 foi de 2,15 filhos por mulher, ligeiramente acima da taxa de reposição da população, o que representou um aumento em relação a 2008, fazendo o Ceará apresentar uma taxa superior à média nordestina.[4] A taxa de crescimento demográfico caiu de uma média de 2,6% na década de 1950 para 1,73% durante os anos 1990. Com a transição demográfica em curso, a proporção de idosos no conjunto da população aumentou de 2,4% em 1950 para 6,72% em 2004, e já em 2009 10,5% dos cearenses possuíam 60 anos ou mais.[4] Em sentido contrário, os jovens de 0-14 anos passaram de 45,7% em 1950 para 28,9% em 2006.[100]
Praça Matriz de Itapipoca.

A taxa de urbanização, que em 1940 era de 22,7%, foi estimada em 2006 em 76,4%, tendo se acelerado muitíssimo nas últimas décadas (só em 1980 a população urbana passou a ser majoritária, com 53,1%).[100]

A religião é muito importante para a maior parte da população cearense. O estado é o terceiro mais católico do País, em termos proporcionais, com 86,7% da população seguindo o catolicismo. Em seguida, vêm os protestantes, somando 9,01%; os que não possuem nenhuma religião, com apenas 2,82%; e os fiéis de outras religiões, com 1,34%.[101]
Quixadá é uma das principais cidades do interior semi-árido do Ceará.

A expectativa de vida do cearense foi de 71,0 anos em 2009, com uma das maiores diferenças do País entre os homens (66,8 anos, 0,1 ano a menos que a média nordestina) e as mulheres (75,4 anos, 1,3 ano a mais que a média nordestina). O valor atual representa uma melhora de 5,3% em relação à de 1999 (67,4 anos). Assim, o estado acompanhou e até superou o aumento geral da esperança de vida do brasileiro, que foi de 4,4% (passando de 70,0 para 73,1 anos no mesmo período). Ainda assim, está muito inferior à maior expectativa de vida do País, que é a do Distrito Federal (75,8 anos).[4]

O Ceará foi o estado que mais diminuiu a mortalidade infantil de 1980 a 2006, atingindo 30,8 por mil a partir da altíssima taxa de 111,5 por mil de 1980. Houve, portanto, uma redução de 72,4%. Ainda assim, o Ceará em 2008 estava acima da taxa de mortalidade nacional de 24,9 por mil. Por outro lado, dentre os estados nordestinos, só perde para o Piauí (29,3 mortes por mil nascimentos). Seu desenvolvimento humano, contudo, ainda é muito incipiente, embora tenha gradualmente avançado: de um IDH de 0,604 em 1991, passou a 0,723 em 2005. O componente do IDH que mais avançou foi o da Educação, que passou de 0,604 para 0,808 no mesmo período, sobretudo devido ao grande aumento da matrícula de jovens.[102]

Em 2008, o Ceará atingira índices sociais mais altos que a média do Nordeste em diversos aspectos, como a expectativa de vida, escolaridade média e analfabetismo funcional, e apresentava tendência à diminuição de sua disparidade com relação à média do Brasil, superando já o índice nacional no tocante ao desemprego, ao índice de Gini e à razão entre os 10% mais ricos e os 50% mais pobres da população, denotando uma desigualdade de renda que, outrora maior que a brasileira, tornou-se ligeiramente menor a partir de 2006.[99]

A criminalidade é um problema crescente no estado. A taxa de homicídio foi de 23,2 por 100 mil habitantes em 2007, um expressivo aumento de 57,4% comparado à taxa de 14,8 por 100 mil em 1997. Com esse índice, o estado ocupa a 17ª posição no ranking nacional, acima da 22ª posição que tinha em 1994, mas se mantém abaixo da média brasileira. Por sua vez, Fortaleza subiu da 17ª para a 10ª posição entre as capitais com maior índice de assassinatos, porém continua abaixo da média das capitais do Nordeste. A escalada de violência se iniciou sobretudo após 1999.[103] O Ceará possui 7 de seus 184 municípios entre os 500 com maiores taxas de homicídio do Brasil.[104]
Cidades mais populosas do Ceará
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Posição Cidade Mesorregião População Posição Cidade Mesorregião População

Iracema Beach, Fortaleza, Brazil 1.jpg
Fortaleza
Kitecumbuco2.jpg
Caucaia
7 prediojuazeiro (16).JPG
Juazeiro do Norte
1 Fortaleza Metropolitana 2 505 552 11 Canindé Norte 77 552
2 Caucaia Metropolitana 334 364 12 Crateús Sertões 75 249
3 Juazeiro do Norte Sul 249 829 13 Quixeramobim Sertões 73 571
4 Maracanaú Metropolitana 201 693 14 Pacatuba Metropolitana 71 839
5 Sobral Noroeste 182 431 15 Aquiraz Metropolitana 71 400
6 Crato Sul 116 759 16 Aracati Jaguaribe 69 616
7 Itapipoca Norte 114 441 17 Tianguá Noroeste 68 588
8 Maranguape Metropolitana 110 523 18 Russas Jaguaribe 67 960
9 Iguatu Centro-Sul 97 203 19 Cascavel Norte 67 956
10 Quixadá Sertões 80 447 20 Icó Centro-Sul 65 621
Fonte: IBGE, estimativa populacional 2009[105]
Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Maranguape, Aquiraz e Pacatuba fazem parte da Região Metropolitana de Fortaleza.
[editar] Etnias
Mapa indicando a presença indígena contemporânea no Ceará.

Em 2008, a distribuição da população cearense por cor era a seguinte: 33,05% se autodeclaravam brancos, acima dos 30,02% verificados na contagem de 1998; 3,03% se diziam negros, muito acima dos 1,22% em 1998; e a proporção de pardos diminuiu, contabilizando 63,39% a partir dos 68,69% de 1998. Proporcionalmente, o Ceará possui mais brancos e menos negros que a média nordestina, porém a proporção de pessoas que se autodeclaram negras tem aumentado bastante.[99]
Etnias Indígenas Pessoas[106]
Tremembé 3024
Anacé 1282
Tapeba 6439
Pitaguary 3857
Jenipapo-Kanindé 303
Kanindé 713
Kariri 116
Tupinambá 40
Potiguara 3531
Tabajara 2982
Kalabaça 229
Tubiba-Tapuia 105
Gavião 60
Total 22579

Devido às características econômicas que sempre predominaram no Ceará (a pecuária, atividade bastante móvel, e a cotonicultura) e aos aspectos naturais da terra (como o regime periódico de secas, que gerava graves situações de escassez de alimentos em várias áreas sertanejas), a escravidão africana não vicejou no Estado. Dessa forma, a população negra cearense sempre foi relativamente pequena. Vários negros, contudo, migraram para o Ceará como homens livres, aí fincando raízes.[107] Estudos indicam que a maior parte dos negros cearenses tinham origem em povos bantus e do Benin.[108]

Em 1864, havia apenas 36 mil cearenses escravos, número que, em 1887, reduzira-se para apenas 108 (observe-se que, em 1872, a população total estava em 721.686 habitantes[109]). Em 1813, os escravos representavam 11,5% dos cearenses, dos quais 63% eram negros.[110] Comparando-se com estados escravistas próximos, constata-se quão desimportante era a escravidão na sociedade do Ceará: em 1864, Pernambuco tinha 260 mil escravos, permanecendo ainda com 41.122 em 1887; e a Bahia, 300 mil escravos em 1864 e 76.838 escravos restantes em 1887.[111]

A constituição étnica do povo cearense remonta há muitos séculos. O censo de 1813 mostra uma configuração já tendente à atual, com predominância de pardos: 28% de brancos, 6% de indígenas, 16% de negros e 50% de pardos.[110] Assim, predominam os mestiços, descendentes, em sua maior parte, de brancos e índios, mulatos e caboclos que viviam como vaqueiros, moradores de fazendas, pescadores, dentre outros. Os brancos, em sua grande maioria, descendem de portugueses, com pequena contribuição de holandeses, espanhóis, sírio-libaneses (estimam-se 5 mil descendentes no Estado[112]) e outros, mas grande parcela dos brancos também possui ancestralidade multiétnica como em todo o Brasil.
Cor/Raça Porcentagem[113]
Brancos 33,7%
Negros 2,4%
Pardos 63,5%

Segundo dados do estudo Frequência de Antígenos HLA em uma Amostra da População Cearense, realizado pelo professor Henry Campos, titular da disciplina de Medicina Clinica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, revelou que há um predomínio nítido de um antígeno no grupo de cearenses, que não é o mesmo presente nas populações de negros e portugueses.[114] Comparado esse estudo com outros semelhantes realizados em Pernambuco e Bahia, confirma-se que a predominância indígena no Ceará é relevante.

O Ceará tem, atualmente, quinze etnias indígenas nativas reconhecidas. A população estimada dessas etnias é de 22.500 índios, de acordo com dados do Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (FUNASA). No Ceará muitas pessoas desconhecem a existência dos índios, pois políticas oficiais, durante muito tempo, obrigaram os indígenas a esconderam sua identidade. Um decreto da Assembléia Provincial do Ceará, datado de 1863, declarou que não havia índios na província.[115] Então eles passaram a ser desacreditados, perseguidos e tiveram suas terras invadidas. Somente na década de 1980, os índios cearenses começaram a reivindicar seus direitos de posse de terra e o reconhecimento de suas etnias.
[editar] Política

Ver páginas anexas: Governadores do Ceará e Lista de deputados estaduais da atual legislatura

O poder executivo é exercido pelo governador do Ceará eleito em 2006 para o período de quatro anos 2007 - 2010, Cid Gomes e todas as secretarias de estado, órgãos vinculados e a administração indireta. Exemplos de órgãos que integram essa administração são: Secretaria da Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará e o Departamento de Edificações e Rodovias do Ceará. A administração indireta é feita por autarquias, empresas públicas e fundações tais como: Escola de Saúde Pública do Ceará, Companhia de Água e Esgoto do Ceará e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico.[116]

O poder Legislativo é exercido pela Assembléia Legislativa do Estado do Ceará que é composta por 46 deputados.[117] O legislativo estadual fiscaliza as contas públicas do executivo bem como aprova e regula todas as leis com jurisdição no território do Ceará. A TV Assembléia é um órgão de comunicação da assembléia do Ceará que divulga as ações desta instituição. Na função de fiscal das ativdades do poder executivo a assembleia do Ceará é auxíliada por dois trubunais de contas: Tribunal de Contas do Estado do Ceará, fiscal do governo estadual, e Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará, fiscal das prefeituras, que também auxilia as câmaras municipais nessa tarefa.[118] Mesmo com a atividade desses tribunais e do poder legislativo a corrupção é preocupação marcante na sociedade e na mídia que constantemente reclamam de atividades suspeitas e em época de eleição.[119][120]

O Judiciário cearense tem como instância máxima o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará composto por 27 desembargadores.[121] O Fórum Clóvis Beviláqua, da comarca de Fortaleza, é o maior fórum subordinado ao Tribunal cearense. Atualmente 139 municípios são sedes de comarca sendo 45 vinculadas, 49 de primeira entrância, 40 de segunda entrância, 49 de terceira entrância e Fortaleza que é uma comarca especial. O Ministério Público do Estado do Ceará é a instituição que de forma autônoma auxilia o estado na garantia da justiça e do direito.

O sistema correcional é composto por quatro penitenciárias, dois presídios, duas colônias agrícolas, uma casa de albergado, duas casas de custódia, dois hospitais, e 131 cadeias públicas. Este sistema estava abrigando em 2008 um contingente total de 8.101[122] pessoas. A maior unidade prisional do sistema é o Instituto Penal Paulo Sarasate abrigando 940[122] pessoas.
[editar] Subdivisões

Ver páginas anexas: Lista de municípios do Ceará e Lista de municípios do Ceará por população

Ceará de 1861 sem Crateús e Independência.

O Ceará surgiu como unidade administrativa em 1799 com 14 municípios, sendo o mais antigo, Aquiraz, fundado em 1699, e o último desse período foi Guaraciaba do Norte criado em 1791.[123] Com a Independência do Brasil as províncias foram organizadas em 1823 e nesse ano o território já estava dividido em mais quatro cidades. Durante todo o período imperial do Brasil foram criadas mais 44 cidades desmembrando-se vilas das já então existentes. Em pouco mais de um século o estado passou de 62 para 184 cidades que a partir da constituição de 1988 passaram a serem unidades constitutivas da união em patamar igual aos estados.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística dividiu o território cearense em sete mesorregiões e estas em 33 microrregiões constituindo-se basicamente em divisões estatísticas. O Governo do Ceará dividiu o estado em oito macrorregiões de desenvolvimento e em 20 regiões administrativas.[124]
[editar] Litígio territorial

No governo colonial do Governador Sampaio o engenheiro Silva Paulet apresentou mapa da província em 1818 que mostrou o limite oeste do litoral até a foz do Rio Igaraçu. Desta forma a localidade de Amarração, atual cidade de Luís Correia faria parte do Ceará. Durante o século XIX a localidade teve assistência da cidade cearense vizinha, Granja, até que em 1874 os parlamentares estaduais decidiram elevar a localidade a categoria de vila. Essa atitude chamou a atenção dos políticos do Piauí que reivindicaram seu território. A solução ocorreu pelo Decreto Geral nº 3012, de 22 de novembro de 1880, decidindo que haveria uma "troca" onde o Piauí restabeleceu a totalidade de seu litoral e o Ceará incorporou os municípios de Crateús e Independência.[125]

Desde essa época que na divisa do Ceará com o Piauí persistem vários pontos com indefinições de seus limites.[126] A área total em disputa é de aproximadamente 2.500 hectares. Depois da Constituição de 1988, foi proposto que em 1991 seriam resolvidas as questões de limites entre os estados, mas só em 2008 foi apresentado um acordo entre esses, com o Piauí ficando com 1.500 hectares e o Ceará com 1.000, devendo ainda ser confirmado pelo governo federal.[127]
[editar] Economia

Ver artigo principal: Economia do Ceará

Quase metade da economia cearense se concentra na capital.
Evolução do PIB (R$)
Ano PIB (R$ 1.000) Per Capita
2005 R$ 40.935.000 5.055
2006 R$ 46.303.000 5.634
2007 R$ 50.331.383 6.149
2008 R$ 56.930.000 6.860
2009 R$ 60.790.000 7.385
2010 R$ 65.740.000* 7.898*
*Estimativa do Governo para 2010.

O PIB cearense em valores correntes, em 2005, foi de R$40.923.492,[128] dos quais 48,22% estão concentrados na capital Fortaleza, segundo estudo do Ipece . Muito atrás, destacam-se algumas cidades médias da região metropolitana e do interior: Maracanaú (5,37%), Sobral (3,53%), Caucaia (2,53%), Juazeiro do Norte (2,27%), Eusébio (1,41%), Horizonte (1,23%), Maranguape (1,17%), Crato (1,12%) e Iguatu (1,05%), respectivamente.

Segundo o mesmo estudo, houve leve desconcentração da riqueza de 2002 a 2005, período no qual a participação de Fortaleza no PIB caiu de 49,91% para 48,22%.

Segundo o PIB per capita, a cidade com mais movimentação econômica é Eusébio (R$20.250 per capita), e a com menor, Martinópole (R$1.975 per capita)[98] . Juntos, os 15 municípios de maior PIB representavam, em 2005, 72,2% das riquezas produzidas no estado.[128]

A partir da década de 1960 houve uma progressiva industrialização e urbanização, que ganhou impulso a partir da década de 1980, em parte devido à política de concessão de benefícios fiscais a empresas que se instalassem no estado.[129] Atualmente, embora sendo ainda uma economia sub-industrializada em relação a vários outros estados do Brasil, a economia cearense não é mais baseada sobretudo nas atividades agropecuárias, sendo preponderante o setor terciário de comércio e serviços, com grande destaque para o turismo. Apesar disso, aquelas ainda possuem grande relevância na economia do estado, em especial a pecuária, mas há também crescente importância de cultivos não-tradicionais no estado, como a produção de frutas e legumes no Vale do Rio Jaguaribe e de flores na Serra da Ibiapaba e no Cariri.

Desde 2004 a economia cearense vem crescendo, moderada, mas sustentadamente, entre 3,5% e 5% ao ano.[130] Em 2007 o crescimento foi de 4,4%, e em 2008 de 6,5%, sendo o primeiro inferior à média brasileira para aquele ano e o segundo bastante superior, principalmente devido à forte recuperação da agropecuária cearense (24,59%) aliada à manutenção em níveis altos do crescimento da indústria (5,51%) e do setor de serviços (5,21%). Em 2009, apesar da crise econômica internacional e de perdas no setor primário, o PIB cearense cresceu 3,1%, bastante acima do resultado do PIB brasileiro, de -0,2%, sobretudo devido ao bom desempenho do setor de serviços.[3] Com isso, o PIB cearense atingiu pela primeira vez um patamar de mais de 2% da produção nacional.[131]
[editar] Setor primário
Cajueiro, de onde se retira um dos principais produtos agrícolas do Ceará: a castanha de caju.

Destacam-se na atividade agrícola: feijão, milho, arroz, algodão herbáceo, algodão arbóreo, castanha de caju, cana-de-açúcar, mandioca, mamona, tomate, banana, laranja, coco e, mais recentemente, a uva.[132] Recentemente tem crescido um pólo de agricultura irrigada dirigida principalmente à exportação, em áreas próximas à Chapada do Apodi, dedicando-se especialmente ao cultivo de frutas como melão e abacaxi. Outro destaque muito recente é o do cultivo de flores, que tem ganhado importância especialmente na Cuesta da Ibiapaba.

Na pecuária os rebanhos de maior representatividade são: bovinos, suínos, caprinos, eqüinos, aves, asininos, carcinicultura e ovinos.[133]

Os principais recursos minerais extraídos do solo cearense são: ferro, água mineral, calcário, argila, magnésio, granito, petróleo, gás natural, sal marinho, grafita, gipsita, urânio bruto. O município de Santa Quitéria, na localidade de Itataia, possui uma das maiores reservas de urânio do Brasil.[134]
[editar] Setor secundário
J Macêdo, uma das maiores indústrias de massas do Brasil.

Os principais setores da indústria cearense são vestuário, alimentícia, metalúrgica, têxtil, química e calçadista. A maioria das indústrias esta instalada na Região Metropolitana de Fortaleza, com destaque para Fortaleza, Caucaia e Maracanaú onde se encontra o Distrito Industrial de Maracanaú sendo um importante complexo industrial, dinamizando a economia do estado do Ceará.[135] Em Caucaia e São Gonçalo do Amarante será instalada a ZPE do Ceará no Complexo Industrial e Portuário do Pecem onde serão instaladas uma siderúrgica e uma refinaria de petróleo.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará é a entidade sindical dos donos das empresas. A entidade congrega a maioria dos donos e dirigentes industriais. Algumas das grandes empresas do Ceará com alcance nacional vinculadas a FIEC são: Aço Cearense, Companhia de Alimentos do Nordeste, Grendene, Café Santa Clara, Grande Moinho Cearense, Grupo Edson Queiroz, Indústria Naval do Ceará, J. Macêdo, M. Dias Branco, Troller e Ypióca.[136]
[editar] Setor terciário

O comércio é muito marcante na economia do Ceará compondo o PIB do estado com mais de 70%.[137] A Associação Comercial do Ceará foi a primeira instituição classista cearense, fundada em 1866. Atualmente a principal instituição comercial no estado é a Federação do Comércio do Estado do Ceará (Fecomercio). Algumas redes de comércio varejista filiadas a Fecomercio com destaque no nacional são Rede de Farmácias Pague Menos, Cone Pizza, Otoch e Esplanada.

Em 2009 foi iniciada a construção da segunda central de abastecimento do estado que ficará na região do Cariri e complementará a distribuição de alimentos juntamente com a Ceasa da RMF.[138] Complementando a atividade comercial da Ceasa, todas as cidades mantêm mercados municipais.

Em Fortaleza existem vários Shopping centers: Iguatemi Fortaleza, North Shopping (Fortaleza), Shopping Aldeota, Shopping Benfica, Shopping Center Um, Shopping Del Paseo e Shopping Via Sul. Além desses, somente outros dois shoppings ficam fora da capital: o Maracanau Shopping Center, que fica em Maracanaú e o Cariri Shopping, que fica em Juazeiro do Norte.[139]
[editar] Infraestrutura
[editar] Ciência e Tecnologia

Ver artigo principal: Ciência e tecnologia do Ceará

Imagem área de Sobral com vista para a Igreja do Patrocínio e o Museu do Eclipse, importante museu científico do Ceará.

O Ceará mantém a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico como principal instituição de fomento científico e tecnológico do estado.[140] Fazem parte ainda do sistema de C&T do Ceará a Fundação Cearense de Meteorologia, a Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará e as universidades estaduais. O Governo federal tem duas unidades da Embrapa no estado: Embrapa Agroindústria Tropical em Fortaleza e Embrapa Caprinos em Sobral. Instituições privadas de destaque são o Instituto Atlântico e o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação.

O principal espaço de desenvolvimento científico do estado é o Campus do Pici, em Fortaleza, abrigando boa parte dos laboratórios da Universidade Federal do Ceará e outras instituições como o Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho no Nordeste e a sede da rede GigaFOR e vários cursos de pós-graduação. Em todo o estado são ofertados 108 cursos de pós-graduação sendo 69 de mestrado e 29 de doutorado.[141]

O Ceará tem destaque na história e na pesquisa astronômica do Brasil. O Rádio-Observatório Espacial do Nordeste do INPE instalado em Eusébio é o maior radiotelescópio do Brasil. A Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia (SBAA), com sede em Fortaleza, é uma das principais instituições divulgadoras da astronomia no país.[142]
Esqueleto do Anhanguera no "North American Museum of Ancient Life".

Em 2009, Ano Internacional da Astronomia, o Ceará passou e integrar a Rede Internacional de Centros para Astrofísica Relativística (Icranet). Essa integração visa orientar os cursos de graduação em física das universidades UVA e UECE, respectivamente em Sobral e Fortaleza, para estudos nas áreas de astrofísica, astronomia e criar um programa de pós-graduação específico na UECE.[143]

O primeiro registro de fósseis no Brasil se deu com o livro "Viagem pelo Brasil" (Reise in Brasilien), publicado entre 1823 e 1831, relatando a descoberta de um peixe Rhacolepis na atual cidade de Jardim.[144] A bacia sedimentar da Chapada do Araripe conta com uma formação muito rica em fósseis da flora e fauna do Cretáceo, boa parte em excelente estado de preservação, sobretudo na cidade de Santana do Cariri.[145] Os fósseis da região tem sido importantes para comprovar a deriva dos continentes africano e sul-americano.[146]

Nessa área foi estabelecido o Geoparque Araripe, o primeiro do gênero no Hemisfério Sul, visando a proteger sua significativa importância geológica e paleontológica.[146] O trecho mais importante do geoparque é a Formação Santana, que se destaca por conter os primeiros registros de tecidos moles (não ósseos) de pterossauros e tiranossauros do mundo, as primeiras fanerógamas fósseis da América do Sul e várias espécies de peixes fossilizados.[144] Na cidade de Santana do Cariri existe o Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri que ajuda no estudo e divulgação científica paleontológica.
[editar] Educação

Ver artigo principal: Educação no Ceará

A primeira instituição de ensino do Ceará foi o Liceu do Ceará fundado em 1845 em Fortaleza.[147] Fortaleza concentra o maior número de escolas particulares do estado. O Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará, transformado em Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, que comanda as unidades de ensino técnico em várias cidades do interior do estado e o Colégio Militar de Fortaleza são importantes unidades de ensino federal no estado..[148]
Imagem da Biblioteca pública de Sobral.

No Ceará a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade em 2007 foi de 19,2% e de analfabetos funcionais foi de 30,7%, valores acima da média nacional.[149] A média de estudo dos cearenses acima de 10 anos é de 5,9 anos, acima da média nordestina, mas bem abaixo da nacional, e a grande disparidade entre a capital e o interior fica clara, com a Região Metropolitana de Fortaleza obtendo média muito superior, de 7,2 anos.

Dados de 2008 demonstram que as gerações mais antigas sofreram com o escasso acesso à educação comparado aos jovens: a média de anos de estudo chega a 8,9 anos na faixa de 20-24 anos, mas cai abruptamente para só 2,8 anos na faixa de 60 anos ou mais de idade.[4] Quanto ao índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB), o Estado obteve em 2009 as melhoras notas da Região Nordeste em todas as categorias: para alunos da 4ª e 5ª séries do ensino fundamental, 4,4 (11ª mais alta no ranking nacional), seguida por Pernambuco (4,1); para os da 8ª e 9ª séries, a nota 3,9 (10ª melhor do País), seguida por Piauí (3,8); e para os do 3º ano do ensino médio, 3,6 (8ª melhor), seguida por Paraíba (3,4).[150]
Resultados no ENEM Ano↓ Português↓ Redação↓
2006[151]
Média 34,74 (12º)
36,90 51,59 (10º)
52,08
2007[152]
Média 46,73 (15º)
51,52 55,10 (14º)
55,99
2008[153]
Média 38,13 (13º)
41,69 59,15 (9º)
59,35

A rede de ensino do estado no ano de 2007 era composta por 17.234 escolas sendo 7.668 pré-escolares, 8.773 de ensino fundamental e 793 de ensino médio.[154] Estas escolas receberam 2.290.213 matriculas sendo 261.030 no pré-escolar, 1.624.943 no fundamental e 404.240 no ensino médio.[154] Servindo a rede havia 92.636 docentes sendo 12.988 no pré-escolar, 63.651 no fundamental e 15.997 no ensino médio.[154]

Em 2005 o Ceará abrigava 47 instituições de ensino superior com 6.797 docentes e 99.597 alunos matriculados.[154] A Universidade Federal do Ceará foi a primeira do estado, fundada em 1954.[155] Atualmente existem além da UFC, mais 4 universidades: Universidade Estadual do Ceará, Universidade Regional do Cariri e Universidade Estadual Vale do Acaraú mantidas pelo governo do estado e a Universidade de Fortaleza particular. Futuramente é prevista a criação da Universidade Federal de Integração Luso-Afrobrasileira na cidade de Redenção.
[editar] Energia

O Estado era, até o final do século XX, totalmente desprovido de grandes unidades geradoras de energia.[156] Na década de 2000 estão sendo feito investimentos pessados na geração de energia eólica com a possibilidade de o Ceará gerar toda sua demanda energética em seu próprio solo.[157]

Atualmente a maior parte da demanda de energia elétrica é suprida pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco[156] por meio da geração nas usina hidrelétrica de Paulo Afonso, Xingó, Sobradinho e Moxotó. O Ceará também é servido pela energia gerada na Usina Hidrelétrica de Tucuruí no Pará.

A Companhia Energética do Ceará é a empresa responsável pela distribuição da energia no estado. O consumo médio do estado gira em torno de 650 gigawatts por mês.[158] Em 2007 99,3% dos domicílios urbanos e 90,4% dos domicílios rurais eram servidos pela rede de distribuição elétrica, contabilizando 2.688.746 clientes.[159]

O estado é o maior produtor de energia eólica do país.[160]
[editar] Mídia

Os jornais foram a primeira mídia de massa do estado. O primeiro jornal cearense foi o Diário Oficial publicado em 1825. No final do século XIX haviam centenas de jornais e publicações periódicas em todo o território, com mensagens de cunho político e social. Em 1881 chegaram à costa cearense os cabos submarinos da The Western Telegraph Company interligando o Brasil a Europa por meio telegráfico.[161] Estes cabos foram interligados aos já existentes no Ceará e dai para o resto do país.

A primeira estação de rádio surgiu na década de 1930. Era uma entidade de rádio amador chamada de Ceará Rádio Clube.[162] Em 1959 entrou no ar a TV Ceará Tupi, primeiro canal de televisão do Ceará. Em 31 de março de 1972 chegou a vez da tv a cores no estado e em 2009 teve início a transmissão do sinal de televisão digital. Atualmente o sistema de rádio e televisão conta com 143 emissoras de rádio e 13 de televisão.[159] Os principais jornais do estado são: O Povo, Diário do Nordeste e O Estado.

A telefonia iniciou-se no Ceará, primeiro em Fortaleza, em 1891 com a fundação da empresa telefônica do Ceará. Em 1938 o serviço passou a ser automático com a instalção de equipamentos da Ericsson do Brasil. A Companhia Telefônica do Ceará surgiu em 1971 e foi privatizada em 1998. Atualmente existem 2.490.224 linhas telefônicas no estado.[159]
[editar] Saúde

Ver artigo principal: Saúde no Ceará

Durante o século XIX somente oitenta cearenses foram diplomados pelas duas faculdades de medicina existentes no Brasil.[163] Desses, somente trinta voltaram para o Ceará. Em 1861 ficou pronto o primeiro hospital do estado, Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, que foi o foco de combate à várias pestes que assolaram o estado: varíola, febre amarela e cólera na década anterior.[163] Nos primeiros anos do século XX foi fundada a primeira entidade médica do Ceará, Associação Médica Cearense, em 1913. Em 1925 iniciou-se as atividades da Santa Casa de Misericórdia de Sobral, sendo até hoje o maior hospital do interior cearense. Durante toda a década de 1930 houve um surto de malária no estado.

Os principais hospitais públicos do estado estão concentrados na Capital. Atualmente o sistema de saúde pública cearense é composto por hospitais municipais e estaduais, totalizando 164 unidades hospitalares com internação e 2.198 sem internação.[164] O Hospital Geral de Fortaleza é o maior hospital público. O Instituto Doutor José Frota é o maior hospital de emergência. Dois hospitais de grande porte serão construídos durante o atual governo do estado nas regiões do Cariri e Sobral para diminuir a superlotação do sistema de saúde cearense.[165] O sistema também é composto por centenas de postos de saúde e centenas de equipes do Programa de Saúde da Família em quase todos os municípios. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência está sendo implantado em todas as regiões do Ceará. O atendimento médico privado é bastante desenvolvido com um total de 127 hospitais, destacando-se os hospitais São Mateus, Antônio Prudente, Unimed, Monte Klinikum.[164]

Há grande disparidade no acesso a médicos e a leitos hospitalares. Os municípios com mais médicos por mil habitantes são Barbalha (3,6 por mil), Guaramiranga (2,6) e Aracoiaba (2,3) — Fortaleza é a 9ª com mais médicos em termos proporcionais (1,5 por mil) —, enquanto os que possuem menos são Varjota, Granja e Pires Ferreira, todos com apenas 0,2 médico por mil. Barbalha também se destaca como a cidade com mais leitos por mil habitantes (8,1), seguida por Brejo Santo (6,0), Jati (5,9) e Crato (5,4), enquanto as que apresentam menos leitos possuem índices muito menores: Forquilha (0,1), Pacatuba (0,3) e Beberibe (0,5).[98]
[editar] Segurança pública

O Governo do Ceará, desde o início da década de 1990, realiza ações para integração das forças policiais: militar, civil e bombeiro. A primeira ação foi a reformulação do sistema de chamadas 190 que passou a funcionar integrado com o nome de CIOPS - Centro Integrado de Operações de Segurança - e que na Capital do estado integra também o sistema municipal de controle de tráfego e Guarda Municipal. O mais recente passo na integração das forças policiais do estado foi a criação da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará que formará conjuntamente o pessoal de todas as forças de segurança.[166]

A Polícia Militar do Ceará tem um contingente de aproximadamente 13 mil policiais[167] divididos em sete batalhões, um batalhão de choque, um batalhão de segurança patrimonial, um esquadrão de polícia montada, uma companhia de polícia rodoviária, um centro integrado de operações aéreas, uma companhia de polícia do meio ambiente, um pelotão de motos e a unidade de polícia de turismo. O efetivo da Polícia Civil é de aproximadamente 2.200[168] policiais distribuídos em 34 distritos policiais, oito delegacias metropolitanas, 19 delegacias regionais, 23 delegacias municipais e 18 delegacias especializadas. O Corpo de Bombeiros Militares é composto pelo efetivos de aproximadamente 1.400 bombeiros[169] distribuídos em 5 grupamentos, um em Fortaleza com 11 seções de comando e os outros quatro no interior subordinando 13 seções.

Em 2007 foi implantado em Fortaleza o Ronda do Quarteirão, programa de segurança pública do Governo do estado que tem por objetivo diminuir o tempo de resposta a ocorrências policiais. Em 2008, o programa foi expandido para Caucaia e Maracanaú. Neste mesmo ano foi criada a polícia científica do estado, Perícia Forense do Estado do Ceará que atuará em sua área de forma autônoma e desvinculada de outras forças policiais. Apesar dos esforços, o combate a violência não tem surtido o efeito desejado somente com ações policiais e ainda é crescente a criminalidade.[170]
[editar] Transporte

Ver artigo principal: Transportes do Ceará

Mapa dos transportes do Ceará.

No Ceará existem dois aeroportos administrados pela Infraero. O Aeroporto Internacional de Fortaleza é o maior do estado movimentando anualmente mais de 3 milhões de passageiros e o Aeroporto Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, é o maior do interior do estado e um dos mais movimentados do interior do Nordeste.[171] O Governo do Ceará tem cadastrado 68 aeroportos e pista de pousos. O Aeroporto de Aracati no litoral leste, o Aeroporto de Camocim no litoral oeste e o Aeroporto de Quixadá no sertão cearense destacam-se por dar acesso a regiões turísticas. Outros aeroportos regionais de destaque são o Aeroporto de Sobral e o Aeroporto de Iguatu.

O sistema ferroviário do estado é operado em conjunto com a malha do Nordeste pela empresa Transnordestina Logística S.A, que está construindo a ferrovia Transnordestina. O estado é cortado por 1.431 km de caminhos de ferro interligando o estado de norte a sul e de leste a oeste entre a capital e o interior.[172] Ainda no transporte ferroviário existem dois sistemas de metrô em construção. O Metrofor é o metrô de Fortaleza interligando vários bairros da cidade e também as cidades de Maracanaú e Caucaia e o Metrô do Cariri que interligará as cidades do Crato e Juazeiro do Norte.

Ao longo dos 570 km de litoral do Ceará estão instalados 13 faróis em pontos estratégicos para auxiliar a navegação de cabotagem, sendo controlados pela Capitania dos Portos do Ceará.[173] Os principais portos do estado são: o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, que é administrado pelo governo federal e o Terminal Portuário do Pecém, inaugurado em 2002, construído para estruturar o Complexo Industrial e Portuário do Pecém com planejamento de terminal para uso siderúrgico e de refinaria de petróleo.

Em Fortaleza tem início a rodovia federal mais importante do Brasil, a BR-116, que liga a Capital do Ceará às regiões Sudeste e Sul do país até o Rio Grande do Sul. Em Fortaleza também tem início a BR-222 que faz ligação com a região Norte indo até o Pará. A BR-020 faz a ligação de Brasília com Fortaleza. A rodovia BR-230 Transamazônica corta o estado na região sul e a BR-304 liga o Ceará ao Rio Grande do Norte. As rodovias estaduais somam um total de 10.657,9 km, sendo 5.767,6 km pavimentados e 4.890,3 não-pavimentados. A extensão total da malha rodoviária, incluindo rodovias municipais, estaduais e federais, é de 53.325,4, segundo o Departamento de Edificações e Rodovias do Ceará.[174] Todas as sedes dos municípios têm acesso por estradas pavimentadas.[175] Atualmente o sistema encontra-se com algumas estradas danificadas em decorrência de fortes chuvas,[176] mas a maioria das rodovias apresenta boa condição de trafegabilidade.[177][178]
[editar] Cultura

Ver artigos principais: Cultura do Ceará e Dialeto cearense.

O governo do Ceará criou a primeira secretaria estadual de cultura do Brasil em 1966.[179] A instituição organiza e fomenta a cultura cearense e auxilia outras instituições particulares na manutenção das tradições da população do estado.
[editar] Arte popular
Rendeira cearense trabalhando com bilros.

A cultura cearense é de base essencialmente européia e ameríndia, com algumas influências afro-brasileiras, assim como em todo o sertão nordestino. Quando da introdução da cultura portuguesa no Ceará, ao longo do século XVII, os índios já produziam um diversificado artesanato a partir de vegetais como o cipó e a carnaúba, bem como dominavam técnicas primitivas de tecelagem do algodão,[180] inclusive tingindo os tecidos de vermelho com a casca da aroeira.[181] Com a colonização, diversas técnicas européias se somaram a essa base cultural, formando uma arte popular que viria a ser renomada nacional e internacionalmente.

Com origens portuguesas e relevante influência indígena, têm destaque a produção de redes com os mais diversos bordados e formas e intrincadas rendas feitas em bilros, talvez o maior destaque da produção artesanal cearense, sendo uma arte tradicional no Ceará desde, pelo menos, o século XVIII.[182] As rendas e os labirintos possuem maior destaque nas imediações do litoral, enquanto o interior se destaca mais pelos bordados.[180] As pedras semipreciosas também são exploradas, transformadas em jóias criativas, sobretudo em Juazeiro do Norte, Quixadá e Quixeramobim.

Ademais, o artesanato feito em madeira e barro se destaca bastante, com produção de esculturas humanas, representando tipos da região; quadros talhados em madeira e vasos adornados. Outro importante item do artesanato cearense são as garrafas de areias coloridas, onde são reproduzidas, manualmente, paisagens e temáticas diversas. São ainda encontrados, em diversas cidades - em especial Massapê, Russas, Aracati, Sobral e Camocim, dentre outras, cestarias, chapéus e trançados com variadas formas e desenhos feitos da palha da carnaúba, do bambu e do cipó.[182] Por fim, como conseqüência natural de uma economia que, durante séculos, foi essencialmente pecuarista, o couro é trabalhado artesanalmente, em especial, para a produção de chapéus e outras peças da roupa de vaqueiros, assim como de móveis e esculturas. As principais cidades no artesanato coureiro são Morada Nova, Juazeiro do Norte, Crato, Jaguaribe e Assaré.[181]

Em diversas áreas do interior cearense, os cordéis, assim como os repentistas e poetas populares, especialistas no improviso de rimas, ainda estão presentes e ativos, seguindo uma tradição que remonta aos trovadores e poetas populares da Idade Média lusitana. Outra forte influência portuguesa se encontra na grande importância das festas religiosas nas cidades de todo o interior, particularmente as festas de padroeiro, que estão entre as principais festividades da cultura cearense, abarcando não só cerimônias religiosas, mas também danças, músicas e outras formas de entretenimento, numa complexa mistura de aspectos sagrados e profanos. Destaca-se a Festa de Santo Antônio em Barbalha, famosa pelo pau da bandeira e comemorada nessa forma a 78 anos.[183]
[editar] Artes plásticas

O movimento de maior destaque na história da pintura cearense foi o modernismo com o surgimento da Sociedade Cearense de Artes Plásticas em 1944 que reuniu vários pintores como Antônio Bandeira, Otacílio de Azevedo, Aldemir Martins, Inimá de Paula, Zenon Barreto e outros.[184] Bandeira é considerado um dos maiores pintores abstracionistas do Brasil. Antes desse movimento alguns importante pintores cearenses foram Raimundo Cela e Vicente Leite que no começo do século XX retrataram várias paisagens do sertão e litoral do estado.

Na segunda metade do século XX o suíço Jean-Pierre Chabloz em passagem pelo Ceará descobriu a arte do acreano de origem cearense Chico da Silva no Pirambu retratando figuras primitivas de dragões e outros animais com carvão e tinta guache. Seu estilo foi classificado como arte naïf e teve grande destaque até a década de 1980. No final do Século XX o pintor Leonilson foi o maior destaque cearense na pintura.[185] Contemporaneamente temos os nomes de Roberto Galvão e Bruno Pedrosa dentre outros.
[editar] Humor

O Ceará se tornou conhecido nacionalmente como berço de talentos humorísticos como Chico Anysio, Renato Aragão e Tom Cavalcante, dentre vários outros. Embora a percepção de que há um Ceará moleque, como verdadeira identidade do povo cearense, seja controversa, a história do estado é repleta de casos verídicos e curiosos que parecem corroborar com essa idéia, destacando-se, sobretudo, figuras populares como o Bode Ioiô, que era famoso em Fortaleza e inclusive foi eleito vereador da cidade, e o Seu Lunga, de Juazeiro do Norte, famoso pela sua intolerância com perguntas óbvias, assim como eventos como a vaia ao sol também em Fortaleza, depois de quase um dia inteiro de céu nublado na cidade.[186] A novela humorística da Record, Ceará contra 007, de 1965 ajudou a formar esse imaginário de um Ceará Moleque.
[editar] Literatura
José de Alencar, o mais famoso escritor cearense.

O Ceará é terra de muitos escritores e poetas importantes, podendo-se citar, dentre muitos outros: José de Alencar, Domingos Olímpio, Rachel de Queiroz, Adolfo Caminha, Antônio Sales, Jáder Carvalho, Juvenal Galeno, Gustavo Barroso e Patativa do Assaré.[187]

A literatura cearense foi sempre caracterizada por florescer em torno de grupos literários. O primeiro desses grupos de desenvolvimento literário foi Os Oiteiros, que, embora mantendo os padrões típicos do Arcadismo, soube encontrar uma cor local para descrever o fugere urbem e o carpe diem típicos daquela escola.[187]

No final do século XIX, surgiu a Padaria Espiritual, uma agremiação cultural formada por jovens escritores, pintores e músicos. Vários autores criticavam as instituições e valores então vigentes com discurso irônico, irreverência, espírito crítico e sincretismo literário.[188] Para alguns críticos literários e historiadores, essa agremiação pode ser considerada um movimento pré-modernista que já apresentava alguns aspectos do Modernismo, que só surgiria com força em São Paulo em 1922. Contemporânea à Padaria Espiritual, a Academia Cearense de Letras foi fundada em 1894 sendo uma das principais instituições literária do estado, congregando alguns dos nomes mais ilustres da literatura estadual.[189] Hoje, existem diversas instituições similares em todo o Ceará.

O Modernismo se consolidou no Ceará por meio do movimento Clã, fundado nos anos 1940, que congregou diversos escritores renomados cearenses: Moreira Campos, João Clímaco Bezerra, Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros, Otacílio Collares, Artur Eduardo Benevides, Antônio Martins Filho, Braga Montenegro, Manuel Eduardo Pinheiro Campos, Fran Martins, José Camelo Ponte, José Stênio Lopes, Milton Dias, Lúcia Fernandes Martins e Mozart Soriano Aderaldo.[190]

Na década de 1970, surgiram outros dois importantes grupos literários no Ceará: O Saco, uma revista artística inusitada, pois era distribuída com folhas soltas guardadas dentro de um saco; e o Grupo Siriará, que reuniu diversos jovens escritores, propondo uma literatura cearense autêntica e desvinculada dos estereótipos que se estabeleceram na retratação literária do ambiente cearense.[191]

O Ceará também possui escritores pós-modernistas renomados, embora, em sua maior parte, pouco conhecidos. Podem-se citar, dentre eles, Pedro Salgueiro, Natércia Campos, Airton Monte, Tércia Montenegro, Raymundo Netto dentre outros.[192]

A literatura de cordel tem destaque nas letras cearenses desenvolvendo-se expressivamente em Juazeiro do Norte, desde as primeiras décadas do século passado. Em Fortaleza, a Literatura de Cordel surgiu no período da Oligarquia de Nogueira Accioly, período esse, em que circularam alguns folhetos destratando a figura do governador cearense. Patativa do Assaré é um dos maiores destaques nesse tipo de literatura.[193]
[editar] Música
Rainha do Maracatu cearense em desfile carnavalesco na cidade de Caucaia.

O gênero musical mais identificado com o Ceará é o forró, em suas variadas formas, notadamente o tradicional forró pé-de-serra. Nos anos 1940, o cearense Humberto Teixeira formou uma famosa parceria com o pernambucano Luiz Gonzaga, criando o baião, que se tornou muito apreciado.[194] Uma das principais tradições da música cearense - e, principalmente, do Cariri - são também as bandas cabaçais, que utilizam pífanos, zabumbas e pratos e freqüentemente fazem acompanhar sua música com movimentos e acrobacias com facões, com destaque para a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto. Outros representantes tradicionais da música cearense são os seresteiros e repentistas.

Dos anos 1980 em diante, cresceu bastante o chamado forró eletrônico, que adotou novos instrumentos e absorveu muitas influências de diversos estilos populares, afastando-se um pouco da tradição do "pé-de-serra" e ganhando grande popularidade no estado.[195]

O importante momento musical dos anos 1960, no qual floresceram a MPB e o tropicalismo no Brasil, também teve grande influência no Ceará, onde se revelaram artistas como Ednardo, Belchior, Fagner, Amelinha, J. Camelo Ponte e outros, alguns dos quais conseguiram projeção nacional, recebendo da crítica musical o apelido de "pessoal do Ceará".[194]

Inusitadamente, o Ceará tem também tido certo destaque na música clássica brasileira, embora aí não encontre grandes incentivos. Um dos mais destacados compositores clássicos brasileiros foi o cearense Alberto Nepomuceno, considerado o "pai" do nacionalismo na música erudita do Brasil,[196] que em Fortaleza batiza o Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. Outro representante da música clássica foi o renomado regente Eleazar de Carvalho, um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira e professor de maestros célebres, como Claudio Abbado e Zubin Mehta.[197] Em sua homenagem foi criada a Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho. Nessa seara, há também iniciativas que unem a música à filantropia como a Orquestra Filarmônica da Chapada do Araripe,[198] em Araripe e a Sociedade Lírica do Belmonte,[199] no Crato.
[editar] Religião

Ver artigo principal: Religiões no Ceará

Estátua do Padre Cícero na colina do Horto em Juazeiro do Norte.

A religião é muito importante na cultura da maior parte dos cearenses. A Igreja Católica é a religião hegemônica e deixou várias marcas na cultura cearense. Foi a única reconhecida pelo governo até 1883 quando, na capital do estado, foi fundada a Igreja Presbiteriana de Fortaleza.[200] A religiosidade católica cearense adota vários elementos de origem popular e apresenta influências de crenças indígenas.

Durante todo o século XX várias igrejas se instalaram no Estado e no final desse houve um aumento considerável de pessoas de outras religiões. Contudo, o Ceará é ainda o segundo estado brasileiro com maior proporção de católicos, que são 84,9% da população segundo dados de 2000.[201] Os evangélicos são 8,2%, os espíritas 0,4%, os membros de outras religiões 0,9%, e os sem religião, 3,8%.[202]

O catolicismo tem uma extensa rede de igrejas e organizações religiosas em todo o Ceará. A Província Eclesiástica de Fortaleza, encabeçada pela Arquidiocese de Fortaleza, lidera oito dioceses: Quixadá, Iguatu, Tianguá, Crato, Crateús, Limoeiro do Norte, Sobral e Itapipoca. A Igreja Católica foi uma grande força política no passado, sobretudo até a primeira metade do século XX, época em que organizações católicas influenciaram decisivamente os rumos da política estadual.[203]

Todos os 184 municípios cearenses possuem padroeiros. O padroeiro do Ceará é São José, daí porque o seu dia, no calendário religioso - 19 de março - é feriado estadual. Segundo a tradição popular cearense e os Profetas da chuva, essa data tem grande significado, pois, se nesse dia houver chuva, o "inverno" (estação chuvosa) estará garantido. Do contrário, a seca estará inegavelmente caracterizada.[204] Essa data curiosamente coincide com o equinócio.

A fé sertaneja, muitas vezes associada ao messianismo e marcada por profunda relação com os santos, rituais e datas religiosas, foi e continua sendo bastante influente na história cearense e nos costumes e festejos cearenses. A cidade de Juazeiro do Norte surgiu de um assentamento que, sob orientação do Padre Cícero, considerado pela fé popular um santo, tornou-se um local de peregrinação religiosa e, nos últimos anos, atrai milhares de crentes de vários locais do Nordeste. Outro local de grande peregrinação religiosa no Ceará é a cidade de Canindé que abriga um santuário importante é o de Canidé, em devoção a São Francisco, considerado o maior das Américas.[205] O Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, em Quixadá, tem se tornado outro centro de peregrinação católica.
[editar] Maçonaria

A maçonaria chegou ao Ceará por meio de personagens ilustres da história. O governador Sampaio foi ativo na luta contra os revolucionários maçons da Revolução Pernambucana de 1817 que alcançaram a província. Alguns destes, notadamente os ligados a família Alencar foram perseguidos e em 1824 durante a Confederação do Equador foram presos e executados, como Azevedo Bolão, Feliciano Carapinima, Francisco Ibiapina e Padre Mororó.[30]

Consta que José Martiniano de Alencar manteve reuniões da maçonaria em sua residência durante seus governos, mas não foi formalizada a criação de loja maçônica nesse período. A primeira loja maçônica só surgiu em 1859 com a criação da Fraternidade Cearense.[206]

Atualmente existem vários organizações de Obediências Maçônicas no estado, destacando-se a Grande Loja Maçônica do Ceará fundada em 1928,[207] sendo a primeira do gênero no estado, o Grande Oriente Estadual do Ceará fundado em 1937[208] e o Grande Oriente do Ceará fundado em 1973.[209]
[editar] Esporte

Ver artigo principal: Esporte no Ceará

Derrubada do boi na vaquejada.

No Ceará é muito popular a vaquejada. São realizadas anualmente mais de cem vaquejadas e junto com este esporte o hipismo também é bastante popular, notadamente em Fortaleza e Sobral, cidades com grande tradição em corridas de cavalo. Sobral tem um dos clubes de hipismo mais antigo do Brasil, o Derby Clube Sobralense fundado em 1871.[210] O Jockey Club Cearense, em Fortaleza, é outra tradicional instituição cearense.

O futebol é o esporte mais popular. O Estádio Castelão é um dos maiores do Brasil e abriga os principais jogos do Campeonato Cearense de Futebol. Na capital, os principais clubes são Ceará Sporting Club, Ferroviário Atlético Clube e Fortaleza Esporte Clube. No interior, Guarany Sporting Club e Icasa se consagram como principais. Com a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo FIFA de 2014, o Governo do Ceará e a Prefeitura de Fortaleza organizaram documentos para que a cidade venha a sediar jogos com uma reforma no Castelão. No futebol de salão o Ceará foi destaque durante o início da Taça Brasil de Futsal com o time Sumov Atlético Clube. O estado é sede da Confederação Brasileira de Futebol de Salão.[211]
O estádio Castelão é o maior do estado.

O Ceará foi o primeiro estado do Nordeste a ter um pista de automobilismo[212] com a construção do Autódromo Internacional Virgílio Távora em 1969. Atualmente abriga provas de várias categorias nacionais e locais tais como Fórmula Truck, Pick-up Racing, Fórmula 3 e CTM2000. O motociclismo tem seu espaço em várias modalidades, mas as categorias de rali são as mais populares, inclusive no automobilismo com o Rally dos Sertões.
Vista aérea do Autódromo Internacional Virgílio Távora.

No estado se pratica quase todas as modalidades de esportes olímpicos. Recentemente foram criadas federações de esportes pouco populares como o pentatlo moderno,[213] badminton[214] e ginástica.[215] Outros esportes populares que renderam bons atletas foram o vôlei de praia com os atletas Franco Neto, Shelda Bede e Márcio Araújo. No tênis de mesa o atleta Thiago Monteiro é o atual campeão brasileiro e pan-americano.

Por ter um extenso litoral o Ceará também tem destaques em esportes náuticos e ligados ao litoral como o beach soccer, kitesurf, windsurf, wakeboard, sandboard e surfe, sendo Tita Tavares uma das maiores surfistas do Brasil. O triatlon e mergulho também são atividades com boa organização e desenvolvimento no estado. Outros esportes de aventura praticados no Ceará são o pára-quedismo, rappel, escalada, trekking, orientação e vôo livre onde Quixadá, cuja geografia é marcada por colinas e inselbergs, a prática de esportes como o rappel e o vôo de asa-delta ganha destaque internacional.[216]

Entre as lutas, vários tipos são praticados, destacando-se o vale-tudo, capoeira e taekwondo. Outras modalidades existentes são o boxe, aikido, hapkido, jiu-Jitsu, judô, karatê, kung fu, luta de braço, wrestling e wushu.[211] O tiro esportivo é bem organizado com vários clubes e atletas praticantes.
[editar] Festas e eventos
Maquete do Pavilhão de Feiras e Eventos de Fortaleza.

O Miss Ceará é um dos eventos de maior tradição do estado. Sua primeira edição ocorreu em 1955 e logo com a eleição de Emília Barreto Correia Lima como Miss Brasil.[217] A outra Miss Brasil do Ceará foi Flávia Cavalcanti Rebelo, apesar de ser natural de Salvador, representava o Ceará na competição nacional. Vanessa Vidal, Miss Ceará de 2008 ficou em segundo lugar, sendo a primeira concorrente a Miss Brasil com deficiência auditiva.

O Cine Ceará é um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil.[218] Acontece em Fortaleza, anualmente desde 1991 e a partir de 2006 o festival aceita inscrições de produções internacionais.

O Fortal é uma micareta que acontece anualmente desde 1991 sempre no final de julho. Várias outras micaretas menores ocorrem em cidades do interior. Um dos maiores festivais de música pop do Brasil é o Ceará Music que acontece anualmente desde 2001 reunindo em alguns dias várias bandas nacionais.[219]

A maior festa religiosa no Ceará ocorre em junho com as festas juninas. Durante este mês, o forró é o ritmo mais ouvido e tocado em todo o estado[194] e comidas e vestimentas típicas são comuns nas ruas e praças de quase todas as cidades, destacando-se Juazeiro do Norte com o Juaforró. O carnaval também é outra grande festa, com destaque para as festas organizadas nas cidades litorâneas. Outra grande festa religiosa é o Halleluya que acontece em Fortaleza e é aberto gratuitamente ao público, anualmente desde 1995.No setor agropecuário, o evento de destaque no Ceará é a ExpoCrato, realizado anualmente em Crato.

Os dois principais espaços para realização de feiras, eventos e convenções do Ceará são o Pavilhão de Feiras e Eventos de Fortaleza e o Centro de Convenções Edson Queiroz. O pavilhão terá sua construção iniciada em 2009 e será terminado em 2010.[220] O Siará Hall é outro importante espaço de eventos do Ceará.
[editar] Pontos turísticos

Ver página anexa: Lista do patrimônio histórico no Ceará

Insano, o maior toboágua do mundo, no Beach Park.

O Ceará tem atrativos diversos por todo seu território com destaque para o seu litoral que é bastante explorado. As praias de maior destaque são: Jericoacoara, a Praia do Futuro, a Canoa Quebrada e a Porto das Dunas, onde existe o Beach Park, um dos maiores parques temáticos da América Latina.[221]

Alguns dos espaços culturais importantes do estado são: Casa de José de Alencar (que abriga o Museu da Renda, o Museu da Antropologia, a Pinacoteca Floriano Teixeira e a Biblioteca Braga Montenegro), Museu da Imagem e do Som do Ceará, Museu do Ceará, Theatro José de Alencar, um dos mais importantes exemplos da arquitetura art nouveau no Brasil; Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, grande obra onde se apresentam e expõem diversas obras e performances artísticas, além de construções históricas; Museu Sacro São José de Ribamar e Museu Dom José[222] ambos importantes museus de arte sacra do Brasil e os centros históricos da cidades de Sobral, Icó, Aracati e Viçosa do Ceará que foram tombados como patrimônio nacional pelo Iphan.

Outras atrações destacáveis são: Arquivo Público do Estado do Ceará, Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, Casa de Juvenal Galeno, Centro Cultural Bom Jardim, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, Sobrado do Doutor José Lourenço, Academia Cearense de Letras, Instituto do Ceará, Instituto Cultural do Cariri, Museu dos Inhamuns, Academia Sobralense de Estudos e Letras.[
oão Pessoa
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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados de João Pessoa, veja João Pessoa (desambiguação).

Município de João Pessoa
Em cima: Orla de João Pessoa; no meio, da esquerda para a direita: Manaíra e Tambaú, Avenida Rui Carneiro, Manaíra à noite; em baixo: Panorama do município.
"Jampa"
"Porta do Sol"
"Cidade Verde"
"Jardim do Brasil"
Brasão de João Pessoa

Bandeira de João Pessoa
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário {{{aniversário}}}
Fundação 5 de agosto de 1585 (425 anos)
Gentílico pessoense
Lema Intrepida ab Origine
"Intrépida desde a origem"
Prefeito(a) Luciano Agra (assumiu em 31/03/2010) (PSB)
(2009–2012)
Localização
Localização de João Pessoa
Localização de João Pessoa na Paraíba
Localização de João Pessoa em Brasil
João Pessoa
Localização de João Pessoa no Brasil
07° 05' 00" S 34° 50' 00" O07° 05' 00" S 34° 50' 00" O
Unidade federativa Paraíba
Mesorregião Mata Paraibana IBGE/2008[1]
Microrregião João Pessoa IBGE/2008[1]
Região metropolitana João Pessoa
Municípios limítrofes Cabedelo (N), Conde (S), Bayeux e Santa Rita (O).
Características geográficas
Área 210,45 km²
População 723.514 hab. IBGE/2010[2]
Densidade 3 437,9 hab./km²
Altitude 40 m
Clima Tropical Aw
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,783 médio PNUD/2000[3]
PIB R$ 6 760 023 mil reais (BR: 54º) – IBGE/2007[4]
PIB per capita R$ 10 018,00 IBGE/2007[4]
Outras informações
Ficha técnica
CEP 58000[5]
Padroeiro Nossa Senhora das Neves
Vínculo diocesano Arquidiocese da Paraíba
Vereadores 21
Comarca Comarca de João Pessoa
Eleitores - 458.297 eleitores registrados (2010)[6]
País Brasil
Macrorregião Nordeste
Índice Gini 0,63 (2000)[7]
Potencial de consumo - 0,41057 (2010)
Trabalhadores - 491.758[8]
website - Prefeitura de João Pessoa

João Pessoa é um município brasileiro, capital do estado da Paraíba. É conhecida como "Porta do Sol", devido ao fato de no município estar localizada a Ponta do Seixas, que é o ponto mais oriental das Américas.

Fundada em 1585 com o nome de Nossa Senhora das Neves, João Pessoa é a terceira capital de estado mais antiga do Brasil e também a última a ser fundada no país no século XVI. A cidade é também notável pelo clima tropical, por ser a maior em economia (indústrias, comércio e serviços) e arrecadação de impostos para o estado, pelas suas praias e pelos vários monumentos de arquitetura e arte barroca.

Durante a ECO-92, a conferência da ONU sobre o meio ambiente, João Pessoa recebeu o título de segunda cidade mais verde do mundo. Segundo um cálculo baseado na relação entre número de habitantes e área verde, a cidade perderia apenas para Paris.[9]

Como de costume, João Pessoa é uma cidade muito limpa, tranquila e organizada, agradando assim os turistas e os próprios moradores da cidade.

Com o Coeficiente de Gini de 0,63, João Pessoa é considerada a capital com a menor desigualdade social do Nordeste e uma das menos desiguais do Brasil, além de ser a 2ª capital com melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste.


Índice
[esconder]

* 1 Mudança de nome
* 2 Etimologia
* 3 História
* 4 Economia
o 4.1 Parque industrial
* 5 Geografia
o 5.1 Hidrografia
o 5.2 Meio-ambiente
o 5.3 Tecnologia
* 6 Demografia
o 6.1 Etnias
o 6.2 População e Domicílios
o 6.3 Religião
* 7 Política
* 8 Subdivisões
o 8.1 Região metropolitana
* 9 Infraestrutura
o 9.1 Saúde
o 9.2 Mercado imobiliário
o 9.3 Educação
o 9.4 Comunicação
o 9.5 Transportes
+ 9.5.1 Ferroviário
+ 9.5.2 Aeroporto Internacional Castro Pinto
+ 9.5.3 Fluvial
+ 9.5.4 Rodoviário
+ 9.5.5 Sistema de Bicicletas Públicas
+ 9.5.6 Projetos futuros
* 10 Cultura
o 10.1 Esporte
* 11 Ver também
* 12 Referências
* 13 Ligações externas

[editar] Mudança de nome

Existem hoje movimentos para que a capital seja novamente renomeada (o que a tornaria uma das cidades com o nome mais vezes alterado da história). Os nomes mais cotados são "Parahyba", proposta pelo Movimento Paraíba Capital Parahyba (MPCP), e "Filipeia" (mas sem Nossa Senhora das Neves).
[editar] Etimologia

No ano da fundação da cidade, no 5 de agosto de 1585, a padroeira da cidade, Nossa Senhora das Neves, foi a homenageada, dando o primeiro nome à cidade, "Povoação de Nossa Senhora das Neves", variando para Cidade de Nossa Senhora das Neves em 1589 e Cidade de Filipeia de Nossa Senhora das Neves em 1600, em homenagem ao rei Felipe da Espanha.

Logo após a sua conquista pelo os Países Baixos a cidade passou a se chamar Frederikstadt, a partir de 1635. Depois do declínio da Nova Holanda e com a saída dos Neerlandeses, a cidade retoma o nome de Cidade de Nossa Senhora das Neves em 1655.

Depois passando para Cidade da Paraíba em 1817. No dia 26 de Julho de 1930, o Presidente da Província, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, é assassinado no Recife. Com isso, atendendo ao apelo do povo, a cidade passa a se chamar Cidade de João Pessoa.[10]
[editar] História

Foi fundada em 5 de agosto de 1585 com o nome de Nossa Senhora das Neves, a santa do dia em que foi firmada a aliança com os Tabajara (5 de agosto) (depois da aliança com os Tabajara, demorou ainda 3 meses para ser fundada, de fato, a cidade). João Pessoa já nasceu com o status de cidade, jamais vivendo a condição de vila, fato esse ocorrido porque foi fundada pela cúpula da Fazenda Real numa Capitania Real da Coroa Portuguesa.[carece de fontes?]

Com o passar do tempo, foi recebendo várias denominações: Filipeia de Nossa Senhora das Neves, em 1588, homenageando o rei Filipe II de Espanha, quando da União Ibérica, período em que o Reino de Portugal foi incorporado à coroa espanhola. Durante a ocupação holandesa, entre 1634 e 1654, designou-se Frederikstadt (Cidade Frederica), em homenagem ao príncipe de Orange, Frederico Henrique.

Com a reconquista portuguesa, passou a chamar-se Cidade da Parahyba. Por conta de uma visita temporária de D. Pedro II do Brasil à cidade em fins de 1859, recebeu provisoriamente o título de Imperial Cidade.

Sua denominação atual, João Pessoa, é uma homenagem ao político paraibano João Pessoa, assassinado em 1930 na cidade do Recife, quando era presidente do estado e concorria, como candidato a vice-presidente, na chapa de Getúlio Vargas. O fato causou grande comoção popular, sendo praticamente o estopim da Revolução de 30, embora se discuta se realmente houve motivação política no ato, que foi executado por João Duarte Dantas, cujo escritório fora invadido por tropas governamentais, tendo sido suas cartas amorosas à professora Anayde Beiriz trazidas a público.

A Assembleia Legislativa Estadual aprovou a mudança do nome da capital em 4 de setembro de 1930. Há algum tempo, cidadãos pessoenses discutem a possibilidade de rever a homenagem e substituir o nome de João Pessoa por outro, entre os quais, figuram "Paraíba", "Filipeia" e "Cabo Branco",[11] sendo que alguns movimentos até manifestam apoio à ideia de um plebiscito para tal nomenclatura ou uma consulta popular, como faz atualmente o Coletivo Cultural Anayde Beiriz, projeto em andamento do Movimento Paraíba Capital Parahyba;[11][12] entre outros argumentos, alega-se que a mudança de nome (assim como a alteração da bandeira estadual), em 1930, foi realizada em um momento de comoção e de instabilidade social, quando vários adversários políticos do grupo de João Pessoa foram presos e mortos. Acrescenta-se ainda que não há consenso sobre as virtudes de pessoa e de gestor público as quais confeririam o mérito ao ex-presidente da Paraíba (na época, denominação para o cargo de governador) para tal homenagem. De outra parte, os defensores da manutenção do nome argumentam que João Pessoa foi político exemplar e combateu o coronelismo e as oligarquias.

A cidade de João Pessoa nasceu nas margens do rio Sanhauá, a partir de onde subiu as ladeiras em direção ao que hoje é o Centro. A expansão urbana ocupou a antiga área rural. A partir da segunda metade dos anos 70, com a ascensão da orla marítima, a economia da área perdeu um pouco de sua importância de outrora. No que diz respeito à arquitetura, os bairros do Centro comportam a maior parte das áreas que são objeto de tombamento pelos órgãos de proteção ao patrimônio, dentre elas, o Centro Histórico, Rua das Trincheiras e as proximidades da Rua Odon Bezerra, no bairro de Tambiá.
Getúlio Vargas e João Pessoa.
[editar] Economia

João Pessoa é a cidade com maior economia do Estado da Paraíba, tendo um PIB quase três vezes maior que a segunda colocada, Campina Grande. Com dois distritos industriais em desenvolvimento, um na BR-101 e outro no bairro de Mangabeira (João Pessoa).

O turismo é um grande produtor de renda e gerador de empregos, além do comércio, que também possui grande participação econômica na cidade.
[editar] Parque industrial

Há um parque industrial complexo, formado por diversos segmentos: alimentos, automobilístico (bugres), bebidas, bentonita, cimento, concreto, couro, metalúrgico, móveis, ótica, papel, pisos cerâmicos, química, têxtil, tecnologia da informática, dentre outros. João Pessoa possui o maior parque industrial do estado da Paraíba, destacando-se algumas indústrias de renome internacional, como a AmBev, Coca-Cola, Euroflex, Vijai Elétrica, Coteminas e a British American Tobacco
[editar] Geografia
Gráfico climático para João Pessoa
J F M A M J J A S O N D


43

32
26



58

32
26



106

32
26



191

31
25



187

31
24



168

30
23



143

29
23



99

29
23



73

30
24



70

31
25



74

31
26



69

32
26
Temperaturas em °C • Precipitações em mm
Fonte: The Weather Channel[13]

A cidade localiza-se na porção mais oriental das Américas e do Brasil, com longitude oeste de 34º47'30" e latitude sul de 7º09'28. O local é conhecido como a Ponta do Seixas.

A altitude média em relação ao nível do mar é de 37 metros, com altitude máxima de 74 metros nas proximidades do rio Mumbaba, predominando em seu sítio urbano terrenos planos com cotas da ordem de 10 metros, na área inicialmente urbanizada.

O clima da cidade é quente e úmido, do tipo intertropical, com temperaturas médias anuais de 26 °C. A menor temperatura já registrada na cidade foi a de 15°C e a maior registrada foi a de 35°C. O "inverno" inicia-se em março e termina em agosto. São duas estações climáticas definidas apenas pela quantidade pluviométrica, sem alteração significativa na temperatura (vide climograma). As chuvas ocorrem no período de "outono e inverno" e durante todo o resto do ano o clima é de muito sol. A denominação mais usual para o clima da cidade é o de tropical úmido. O excesso de calor e a umidade relativa do ar, alta o ano todo, torna o clima desconfortável para trabalho e produção.

* Umidade relativa do ar: a média anual é de 80%. Entre os meses de maio a julho, o índice atinge o máximo, 87%, correspondendo à "época das chuvas". No período mais seco, é reduzido para 68%.
* Vegetação: Mata Latifoliada Perenifólia Costeira (Mata Atlântica). Embora bastante devastada, a cidade conta com importantes resquícios da Mata Atlântica original preservados. (vide item: Meio Ambiente, abaixo)
* Densidade demográfica: 3.336,8 habitantes por km².[9]

[editar] Hidrografia

Ver página anexa: Rios de João Pessoa

Em João Pessoa existem cerca de doze rios. O Rio Jaguaribe nasce no conjunto Esplanada, cruza o jardim botânico da cidade, no meio da Mata do Buraquinho, e desemboca no Oceano Atlântico na divisa com o município de Cabedelo. A água para abastecimento das casas é retirada do sistema Gramame-Mumbaba, da CAGEPA. Nesse sistema, esses dois rios se revezam no fornecimento de água para a cidade. Entretanto, o rio mais importante historicamente é o Rio Sanhauá, pois foi nas suas margens que nasceu a cidade e foram construídas as primeiras casas.[14]
Manaíra e Bessa.
Praia em João Pessoa.

A capital paraibana conta com um litoral de cerca de 24 quilômetros de extensão, com praias de areias brancas e águas cristalinas e muitas com Mata Atlântica preservada.

Dentre elas, pode-se citar a Praia de Tambaú, que tem cerca de 8 quilômetros de extensão, composta de areia batida e fina, com águas de cor verde-azulada, e também Manaíra, uma praia totalmente urbana, formada por recifes, o que torna as suas ondas fracas, e por águas claras no verão. É ponto de vários quiosques e bares, contando com quadras de esportes na sua orla.

Praias

* Praia fluvial do Jacaré
* Praia de Intermares
* Praia do Bessa
* Praia de Manaíra
* Praia de Tambaú
* Praia do Cabo Branco
* Praia do Seixas
* Praia da Penha
* Praia de Jacarapé
* Praia do Sol
* Praia da Barra de Gramame

[editar] Meio-ambiente
Vista de um trecho do rio Sanhauá.

João Pessoa é considerada a "segunda capital mais verde do mundo", com mais de 7 m² de floresta por habitante, perdendo somente para Paris, França.[9] Esse título de distinção lhe foi dado em 1992, durante a ECO-92.[carece de fontes?]

João Pessoa possui, dentro da cidade, duas grandes reservas de Mata Atlântica, que funcionam como verdadeiros pulmões, além de mitigar o avanço da poluição. A primeira delas fica no bairro central do Róger e denomina-se Parque Arruda Câmara (ou "Bica", como é popularmente conhecida, devido à presença da Fonte Tambiá no local). Um misto de jardim zoológico e reserva florestal, a Bica possui exemplares da fauna e flora brasileiras, assim como animais de outros continentes. A outra reserva florestal importante é a Mata do Buraquinho, da qual uma parte foi recentemente transformada em Jardim Botânico. Com cerca de 515 hectares de mata virgem, cortada por riachos e fontes naturais, fica situada num dos maiores reservatórios que abasteciam a cidade. A Mata do Buraquinho umidifica o clima de João Pessoa e mantém sua temperatura mais estável e branda, mesmo no verão. A mata é preservada e cercada com intuito de proteção contra depredação, servindo como local de estudo para pesquisadores que se preocupam com a preservação da qualidade do meio ambiente. No entanto, são visíveis as invasões às margens da reserva Mata do Buraquinho. Podem ser constatados casos de invasão de território de preservação e desmatamento (favela Paulo Afonso), além da criação de comércios clandestinos, como a conhecida "Sucata do Italiano", no bairro de Jaguaribe. Mapa
Vista Panorâmica de Parte do Bairro do Bessa.
Vista Panorâmica de Parte do Bairro do Bessa.
[editar] Tecnologia

Jampa Digital

Além de ser uma das capitais tecnológicas do Brasil, João Pessoa dispõe do "Jampa Digital" um serviço que traz cobertura Wi-Fi gratuita a vários pontos da cidade, inclusive na orla, sendo a primeira no Nordeste, e uma das primeiras no Brasil a contar com esse serviço.

Nesta primeira etapa do projeto, cerca de 35% da cidade vai estar coberta pelo serviço. Serão mais de cem pontos de assinante digital, que interliga a administração em uma rede de praças, escolas, estações digitais e a orla, abrangendo do Mag Shopping à Estação Cabo Branco. O serviço também vai alcançar as comunidades ao redor do ponto, em uma distância de até 800 metros. Nesta etapa do projeto, a expectativa é que 400 pessoas usem simultaneamente cada ponto disponibilizado.

O planejamento da equipe da Secitec é que até o mês de dezembro sejam colocadas dez estações, o que vai permitir que 85% do território de João Pessoa esteja inserido no projeto. A meta é que toda a população da cidade, os mais de 702 mil habitantes, sejam beneficiados. Até agora, a Prefeitura da Capital e o Ministério da Ciência e Tecnologia já investiram R$ 27 milhões na compra de equipamentos, que vão dar a infraestrutura física de tráfego de sinal, e nos aplicativos e conteúdo, dando com isso a estrutura necessária de conectividade e acessibilidade.
[editar] Demografia
[editar] Etnias

Pelo censo do IBGE referente a 2000, a maior parte dos pessoenses são de Pardos com 285.334 pessoas (47,72%), seguidos de Brancos com 281.400 pessoas (47,06%), Pretos com 23.706 pessoas (3,96%), Indígenas com 1.789 pessoas (0,30%) e Amarelos com 752 pessoas (0,13%), 4.954 pessoas (0,83%) não se declararam.[15] João Pessoa possui ainda um significativo número de descendentes de imigrantes de origem italiana, alemã, portuguesa, espanhola, argentina, judaica e escocesa, estes sobretudo na Ilha Stuart.
[editar] População e Domicílios
Crescimento populacional:[16] 1872 a 2009
Ano Habitantes
1872 24.714
1890 18.645
1900 28.793
1920 52.990
1940 94.333
1950 119.326
1960 153.175
1970 221.546
1980 329.942
1991 497.214
1996 549.363
2000 595.429
2008 693.082
2009 702.235

Na cidade há pouco mais de 170 mil famílias, numa média de 3,48 pessoas por domicílio, o que reflete a diminuição de pessoas na família média pessoense. Segundo censos, a redução no tamanho da família pessoense deve-se a função do rápido e intenso processo de diminuição da fecundidade nas últimas duas décadas e no aumento na parcela de domicílios que são mantidos financeiramente por mulheres. Na década de 70, a família pessoense média tinha pouco mais de 5 membros. Hoje em dia a composição tradicional da família é pai, mãe e filho.

João Pessoa revela um aprofundamento de algumas tendências e o afloramento de alguns novos padrões de distribuição espacial da população. No censo de 2000, pessoas não-naturais do município alcançaram 28,5 mil pessoas. Dez anos depois a população da capital aumentou em quase 100 mil pessoas, sendo que boa parte delas é de filhos de pessoas naturais de outras cidades do estado, de outros estados do Brasil ou de outros países. Ainda segundo o censo de 2000, o número de estrangeiros na cidade é crescente, sendo que a maioria é de origem portuguesa (16,5%), peruana (10%), chilena (8%), seguidos de alemães, argentinos e bolivianos.

75,4% dos pessoenses residem em domicílios próprios, 18,3%, em imóveis alugados e outros 6,3%, em locais cedidos. Apesar de muitas famílias pessoenses terem seus domicílios próprios, se encontram domicílios muito pequenos com famílias numerosas e domicílios bem maiores com poucos moradores. Outro dado domiciliar relevante é a crescente verticalização, boa parte da cidade é alvo de verticalização excessiva. É crescente o número de pessoas residindo em apartamentos, por causa do enorme crescimento do número de unidades habitacionais deste tipo ao longo da década.[10]
[editar] Religião

Em relação à religiosidade, a cidade, assim como o país, é dominada majoritariamente por católicos. Porém, há pequenas mudanças na religiosidade do pessoense. Em 1970, 94% dos pessoenses se consideravam da religião católica, contra 74% registrados em 2000. Enquanto que 5% da população pertenciam à religião evangélica em 1970, em 1991 esse número cresceu e chegou a 6,6% e alcançou 16% em 2000, 1,10% são espíritas e 7,41% não tem religião. Outras religiões tem pouca representatividade e não alcançam ao menos 1% cada uma.[17]
[editar] Política

Ver página anexa: Prefeitos de João Pessoa

[editar] Subdivisões

Ver página anexa: Bairros de João Pessoa

João Pessoa possui oficialmente 65 bairros, sendo Mangabeira o maior deles, com uma população de aproximadamente 100 mil habitantes.[18] Abaixo, alguns bairros:

Zona Norte

Centro, Varadouro, Róger, Torre, Tambiá, Jardim 13 de Maio, Padre Zé, Bairro dos Estados, Bairro dos Ipês, Mandacaru, Alto do Céu, Jardim Esther, Jardim Mangueira e Conjunto Pedro Gondim.

Zona Sul

Castelo Branco, Conjunto Cehap I, Bancários, Jardim São Paulo, Anatólia, Jardim Cidade Universitária, Água Fria, Ernesto Geisel, Valentina Figueiredo, Paratibe, Praia do Sol, Conjunto Boa Esperança, José Américo, Cidade dos Colibris, Costa e Silva, Mangabeira(I a VIII), Cidade Verde, Esplanada, Ernani Sátiro, Funcionários (I a IV), Grotão, João Paulo II, Distrito Industrial e Bairro das Indústrias.

Zona Leste

Cabo Branco, Tambaú, Tambauzinho, Expedicionários, Bessa, Jardim Oceania, Aeroclube, Manaíra, Altiplano, Miramar, Jardim Luna, João Agripino, São José, Bairro dos Ipês, Intermares e Brisamar.

Zona Oeste

Cruz das Armas, Renascer, Jaguaribe, Oitizeiro, Rangel, Cristo Redentor, Bairros dos Novais, Alto do Mateus, Ilha do Bispo e Jardim Veneza.
Parte do bairro do Altiplano e a esquerda alguns bairros da zona leste de João Pessoa.
Parte do bairro do Altiplano e a esquerda alguns bairros da zona leste de João Pessoa.
[editar] Região metropolitana

Ver artigo principal: Região Metropolitana de João Pessoa


A Lei Complementar Estadual no. 59, de 2003, criou o Condiam e a Região Metropolitana de João Pessoa, constituída pelos municípios de Bayeux, Cabedelo, Conde, Cruz do Espírito Santo, João Pessoa, lucena, Alhandra, Pitimbu, Caaporã, Mamanguape, Rio Tinto e Santa Rita. A região abriga atualmente uma população de 1.146.461 habitantes. IBGE/2009.


[editar] Infraestrutura

João Pessoa possui uma ótima infraestrutura, sendo a 2ª capital mais saneada do Nordeste, com mais de 83% da cidade saneada, 100% das residências atendidas pela energia elétrica e 100% ligados ao abastecimento de água.

* IDH: 0,783 (IBGE — 2000)

[editar] Saúde

* Mortalidade infantil: 12,7 por mil nascidos vivos. JP tem um dos menores índices em mortalidade infantil
* Esperança de vida ao nascer: 71,3 anos. (IBGE — Censo 2000)

[editar] Mercado imobiliário
Rua no bairro de Manaíra, um dos bairros mais verticalizados de João Pessoa.


João Pessoa ultimamente passa por uma enorme expansão imobiliária. A cidade é um verdadeiro canteiro de obras com muitos empreendimentos. Há prédios e arranha-céus de altíssimo luxo sendo construídos, tanto que João Pessoa já é considerada a capital do Nordeste com o maior número de arranha-céus e a quarta capital mais verticalizada do Nordeste. 5 dos 6 maiores prédios do Nordeste atualmente estão em João Pessoa. O Tour Geneve (Que em breve será o maior arranha-céu do Brasil) é um dos diversos empreendimentos sendo construídos. A alta demanda e o fato de muitos estrangeiros (pricipalmente europeus) estarem adquirindo imóveis causou uma altíssima especulação imobiliária e comercial. A cidade é uma das capitais mais caras do Norte-Nordeste em termos de aquisição de moradia assim como Natal no Rio Grande do Norte.
[editar] Educação

* Taxa de analfabetismo: 14%. (IBGE — Censo 2000)

Instituições públicas de ensino superior

* Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
* Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
* Instituto Federal da Paraíba (IFPB)

Instituições privadas de ensino superior

* Associação Paraibana de Ensino Renovado (ASPER)
* Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ)
* Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (FCM-PB)
* Faculdade de Ensino Superior da Paraíba (FESP)
* Faculdade Maurício de Nassau
* Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE)
* Faculdade de Medicina Nova Esperança (FAMENE)
* Faculdade de Enfermagem São Vicente de Paula (FESVIP)
* Faculdade de Ciências Contábeis Luiz Mendes (LUMEN)
* Faculdade Unida da Paraíba (UniPB)
* Faculdade Santa Emília de Rodat (link externo)
* Faculdade Potiguar da Paraíba (FPB)
* Faculdade de Tecnologia de João Pessoa (FATEC)
* Instituto Paraibano de Ensino Renovado (INPER)
* Instituto Paraíba de Educação e Cultura (IPEC)
* Instituto de Educação Superior da Paraíba (IESP)
* UNAVIDA Universidade Aberta Vida (UNAVIDA)
* Faculdade de Tecnologia do Uniuol (UNIUOL)

[editar] Comunicação

Canais de Televisão
Ver página anexa: Canais de televisão aberta de João Pessoa

João Pessoa possui diversas revistas e jornais impressos diários, são eles: Correio da Paraíba, Jornal a União, Diário da Justiça, O Norte, Jornal da Paraíba, Diário da Paraíba, Revista Nordeste, Revista Cenário Cultural, Revista Conexão Tambiá, Revista Viagem Classe A, Revista O Lojista (CDL) e outros.

Quanto à telefonia fixa, seis companhias telefônicas atuam no município, são elas Oi Fixo, TIM Fixo, Vivo Fixo, Net Fone(via Embratel), Livre Embratel e GVT. Já na telefonia móvel, Oi, TIM, Vivo e Claro mantêm cobertura na região.
[Esconder]
v • e
Bandeira de João Pessoa Estações de rádio de João Pessoa
FM 91,5 MHz - Cabo Branco FM • 92,9 MHz - Sucesso FM • 93,7 MHz - Mix FM • 95,3 MHz - Arapuan FM • 96,1 MHz - 96 FM • 98,3 MHz - 98 FM/Correio Sat • 99,7 MHz - Liberdade FM • 100,5 MHz - 100,5 FM • 101,7 MHz - 101 FM • 102,5 MHz - Tambaú FM • 103,3 MHz - Clube FM • 104,9 - Faixa Comunitária • 105,5 MHz - Tabajara FM • 107,7 MHz - Miramar FM
AM 920 KHz - Maná • 1110 KHz - Tabajara AM • 1230 KHz - CBN • 1280 KHz - Sanhauá • 1340 KHz - Consolação
Em implantação 106,5 MHz - Rádio Senado
[editar] Transportes
Ônibus passando pela na Avenida Rui Carneiro.

O transporte público na cidade de João Pessoa é feito, em grande parte, por linhas de ônibus, sendo uma das capitais com a maior frota de ônibus do Nordeste. É possível ir para qualquer lugar da cidade pagando-se apenas uma passagem. As conexões podem ser feitas através de um Terminal de Integração do Varadouro, onde o passageiro pode descer e pegar um novo ônibus sem precisar pagar uma nova passagem e de um Sistema de Integração Temporal. Há também o Sistema de Bilhetagem Eletrônica por meio do cartão “Passe-Legal”. João Pessoa foi a primeira cidade do Nordeste a implantar este sistema, Além de que toda a frota de ônibus da cidade é rastreada por satélite.

João Pessoa também é a capital com a frota de veículos mais nova do Brasil.[carece de fontes?]
[editar] Ferroviário

Existe também uma linha de trem da CBTU, de circulação diária, que cobre a maior parte da Região Metropolitana, com extensão de 30 km. Conta com nove estações de passageiros e interliga as cidades de Cabedelo, João Pessoa, Bayeux e Santa Rita, com o transporte aproximado de 7.500 passageiros em 15 viagens diárias.
[editar] Aeroporto Internacional Castro Pinto
Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto.

A cidade também conta com o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto — localizado na cidade limítrofe de Bayeux, dentro da região metropolitana e distante 8 km do centro.
[editar] Fluvial

Na região metropolitana de João Pessoa, na cidade de Cabedelo existe um transporte de balsa que atravessa o Rio Paraíba, permitindo a ligação com o município de Lucena.
[editar] Rodoviário

A rodoviária, para transporte intermunicipal, localiza-se no bairro do Varadouro e permite a conexão de ônibus com outras cidades do estado e do Brasil.

Divisão das Linhas de Ônibus Urbano e Grandes Corredores:

* Número da linha iniciando por l - circula pela Av. Cruz das Armas. Ex: 101, 102, 105, 109
* Número da linha iniciando por 2 - circula pela Av. Dois de Fevereiro, Rangel. Ex: 203
* Número da linha iniciando por 3 - circula pela Av. Pedro II. Ex: 301,302, 303
* Número da linha iniciando por 4 - circula pela Av. Min. José Americo (Beira Rio). Ex: 401, 404
* Número da linha iniciando por 5 - circula pela Av. Epitácio Pessoa. Ex: 501, 502
* Número da linha iniciando por 6 - circula pela Av. Trancredo Neves / Airton Senna. Ex: 601, 604
* Número da linha iniciando por 7 - circula pelo Acesso Oeste. Ex: 701

Circulares:

* 1500 e 1510 parte do ponto final ao centro passando por cruz das armas e do centro ao ponto final via Av. Epitacio Pessoa, sendo que as linhas

5100 e 5110 fazem o percurso contrario

* 2300 passa via Av. Dois de Fevereiro e retorna pela Av. Pedro II e 3200 faz a rota inversa.


[editar] Sistema de Bicicletas Públicas

João Pessoa é a primeira Capital do Nordeste e a terceira cidade do País a ter um sistema de bicicletas públicas.

O ‘Pedala João Pessoa’, um sistema de locação de bicicletas, com quatro estações distribuídas inicialmente na orla da Capital, com o objetivo de oferecer um meio de transporte mais saudável e ecológico aos pessoenses e Turistas.

O ‘Pedala João Pessoa’ caracteriza-se como uma solução tecnológica sustentável para a utilização de bicicletas, facilitando o deslocamento das pessoas na Capital e já foi implantado, com sucesso, no Rio de Janeiro e em Blumenau, no Estado de Santa Catarina. “Além de poder estar em um ambiente agradável, respirando um ar mais puro e ser bastante saudável pedalar pela orla de João Pessoa, esta novidade torna-se mais uma opção de lazer” Elas são gerenciadas por um computador alimentado por baterias e que conta com um painel de exibição de informações, como mapa de localização das estações, instruções de uso e publicidades. Nas bicicletas estão instalados dispositivos eletromecânicos de travamento e liberação, lâmpadas de sinalização e um chip de identificação.

Na cidade encontram - se várias ciclovias, inclusive na orla onde está localizado a base do sistema de bicicletas públicas.
[editar] Projetos futuros

Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)

A cidade está com um projeto de implementação de um Veículo leve sobre trilhos (VLT - pequeno trem urbano, geralmente movido a eletricidade, uma espécie de "bonde" moderno tornando-se alternativa em cidades de médio porte). O projeto é do Governo Federal.
[editar] Cultura
Farol do Cabo Branco.
Recife de Picãozinho.
Lagoa do Parque Solon de Lucena à noite.

Ver artigo principal: Turismo na cidade de João Pessoa

Uma das capitais que emerge como um forte destino turístico no Nordeste do Brasil é João Pessoa, cidade que vem apresentando grande crescimento do fluxo de visitantes todos os anos. A conquista de um espaço no disputado ranking turístico está fazendo com que o Governo Municipal invista principalmente na qualidade de vida como um dos principais atrativos do lugar. Várias campanhas se espalham pela cidade. Numa garantia de cidadania e bem estar para todos os habitantes de João Pessoa e seus visitantes.[19]

Localidades históricas
Ver página anexa: Lista do patrimônio histórico da Paraíba

* Casa da Pólvora
* Casarão 34
* Casarão dos Azulejos
* Fonte do Tambiá (localizada no Parque Arruda Câmara)
* Fonte de Santo Antônio (localizada no Conjunto São Francisco)
* Fábrica de Vinho de Caju Tito Silva & Cia (tombada pelo Iphan)
* Forte de Santa Catarina (localizado no município de Cabedelo)
* Hotel Globo (Centro Histórico)
* Palácio da Redenção
* Porto do Capim

Igrejas

* Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (tombada pelo IPHAN)
* Igreja de Santo Antônio
* Igreja São Frei Pedro Gonçalves
* Igreja do Carmo (tombada pelo IPHAN)
* Igreja da Misericórdia (tombada pelo IPHAN)

Parques

* Parque Sólon de Lucena (Mais conhecido como Lagoa)
* Parque Arruda Câmara (Zoológico)

Monumentos

* Farol do Cabo Branco
* Estação Cabo Branco
* Ponto de Cem Reis
* Centro Histórico de João Pessoa

Centros de Educação e Cultura

* Espaço Cultural José Lins do Rêgo
* Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Arte

Museus

* Museu Cultural do Centro de São Francisco
* Museu José Lins do Rego
* Casa do Artista Popular
* Espaço Energisa
* Memorial Augusto dos Anjos
* Museu e Cripta do Presidente Epitácio Pessoa
* Arquivo Histórico do Estado da Paraíba
* Museu José Américo de Almeida

Teatros

* Teatro Santa Roza
* Teatro Paulo Pontes (Espaço Cultural)
* Teatro de Arena (Espaço Cultural)
* Teatro Lima Penante
* Teatro Ednaldo do Egypto
* Teatro Ariano Suassuna (Colégio Marista Pio X)
* Sala de Cultura (Shopping Sul)

Shopping Centers

* Manaíra Shopping
* Tambiá Shopping
* Mag Shopping
* Shopping Sul
* Moriah Shopping
* Shopping Sebrae
* Altiplano Iguatemi (Em projeto)

Cinemas

* Box Cinemas (Manaíra Shopping)
* Mutiplex Tambiá 6 (Tambiá Shopping)
* Cine Bangüe (Espaço Cultural)
* Unibanco Arteplex (Em Breve) (Mag Shopping)

Galerias de Arte

* Galeria Gamela
* Núcleo de Arte Contemporânea (NAC)
* Galeria Usina Cultural Energisa
* Centro Cultural São Francisco
* Galeria Archidy Picado (Espaço Cultural)
* Louro e Canela Arte Contemporânea
* Galeria de Arte (Zarinha Centro de Cultura)

[editar] Esporte

Clubes de futebol

* Botafogo - Tem como cores o Preto, Branco e a estrela Vermelha. É o time detentor de maior número de títulos estaduais, conhecido como "Belo" pelos seus torcedores.
* Auto Esporte Clube - Tem como cores o Branco e Vermelho. É conhecido como o "Clube do Povo" e tem o Macaco como seu mascote. É detentor de seis títulos estaduais.
* Centro Sportivo Paraibano - Tem como cores o Azul e Branco. Possui o Tigre como seu mascote, e é o atual campeão paraibano da segunda divisão.

Estádio de futebol

* Estádio José Américo de Almeida Filho (Almeidão)
* Estádio Evandro Lélis (Mangabeirão)
* Estádio Leonardo Vinagre da Silveira (Estádio da Graça)
* Estádio Ayrton

Ginásio esportivo

* Ginásio Poliesportivo Ronaldo Cunha Lima (Ronaldão)
* Ginásio Poliesportivo Rei Ayrton (O Reino)
Praia de Porto de Galinhas
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(Redirecionado de Porto de Galinhas)
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Coordenadas: 8º30'15" S, 35º00'04" W
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Vista das jangadas em Porto de Galinhas.

Porto de Galinhas é uma conhecida praia do nordeste brasileiro, localizada no município de Ipojuca, no estado de Pernambuco. Sua fama se deve, principalmente, às belezas naturais: piscinas de águas claras e mornas formadas entre corais, estuários, mangues, areia branca e coqueirais. Inicialmente, a praia era chamada de Porto Rico, e a madeira de Pau Brasil era o principal produto comercializado. No auge da escravidão no Brasil, este porto era o principal ponto de comércio de escravos ilegais no nordeste brasileiro, muitas vezes os mesmos chegavam escondidos embaixo de engradados de galinhas d'angola. A chegada dos escravos ilegais ao porto costumava ser anunciada pela frase "tem galinha nova no porto!". Desta forma, a praia de Porto Rico ficou conhecida como Porto das "Galinhas"[carece de fontes?].

Toda a região é muito frequentada por turistas, que admiram a beleza natural da região. Porto de Galinhas também é frequentada por surfistas, de diversas nacionalidades.
São Caetano do Sul
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Município de São Caetano do Sul
Montagem de São Caetano do Sul.
"Sanca"
Brasão de São Caetano do Sul

Bandeira de São Caetano do Sul
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário
Fundação 28 de julho de 1877
Gentílico sulsancaetanense
Lema
Prefeito(a) José Auricchio Júnior (PTB)
(2009–2012)
Localização
Localização de São Caetano do Sul
Localização de São Caetano do Sul em São Paulo
Localização de São Caetano do Sul em Brasil
São Caetano do Sul
Localização de São Caetano do Sul no Brasil
23° 37' 22" S 46° 33' 03" O23° 37' 22" S 46° 33' 03" O
Unidade federativa São Paulo
Mesorregião Metropolitana de São Paulo IBGE/2008 [1]
Microrregião São Paulo IBGE/2008 [1]
Região metropolitana São Paulo
Municípios limítrofes Santo André, São Bernardo do Campo e São Paulo.
Distância até a capital 11[2] km
Características geográficas
Área 15,360 km²
População 152.093 hab. (SP: 48º) – est. IBGE/2009 [3]
Densidade 9.901,9 hab./km²
Altitude 760 m
Clima Subtropical Cwa
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,919 (SP: 1°) – muito elevado PNUD/2000 [4]
PIB R$ 9.047.607 mil (BR: 37º) – IBGE/2007 [5]
PIB per capita R$ 62.459,00 IBGE/2007 [5]

São Caetano do Sul, ou simplesmente São Caetano, é um município brasileiro do estado de São Paulo, na mesorregião Metropolitana de São Paulo e microrregião de São Paulo. A população aferida em 2009 foi de 152.093 habitantes[3] e a área total da cidade é de 15,3 km², o que resulta numa densidade demográfica de 9.430,8 hab/km². Situa-se a uma altitude de 744 metros.

É a cidade com o melhor IDH do Brasil (PNUD/2000), e também com o 37º maior PIB, à frente de capitais como Natal, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, entre outras. É intensamente conurbada com São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo, fazendo com que se percam os limites físicos entre as cidades.
Índice
[esconder]

* 1 História
* 2 Economia
* 3 Geografia
* 4 Clima
o 4.1 Demografia
o 4.2 Hidrografia
* 5 Lazer e turismo
* 6 Cidades irmãs
* 7 Ver também
* 8 Referências
* 9 Ligações externas

[editar] História

* Fundação: 28 de julho de 1877
* Emancipação de Santo André: 24 de outubro de 1948

A região em que hoje se situa o município de São Caetano do Sul é ocupada desde o século XVI, quando era conhecida como Tijucuçu. Foi área de fazendas de moradores do antigo povoado, depois vila (1553), de Santo André da Borda do Campo, extinta por ordem do governador-geral. Sua população e seu predicamento de vila (município) foram transferidos para o povoado jesuítico de São Paulo de Piratininga- 1560.

A partir do começo do século 17, fazendeiros e sitiantes da hoje região do ABC começaram a migrar para o Vale do Paraíba, onde surgiriam as vilas de Taubaté e de Santana das Cruzes de Mogi (Mogi das Cruzes). Dois desses fazendeiros e criadores de gado doaram suas terras para o Mosteiro de São Bento da vila de São Paulo, um onde viria a ser São Bernardo e outro onde viria a ser São Caetano. Nesta última região, o doador foi o capitão Duarte Machado, em 1631, que participara da bandeira de Nicolau Barreto aos sertões dos índios Temiminó, em 1602, para captura e escravização de indígenas. Foi ele também membro da Câmara da Vila de Piratininga, onde exerceu a função de almotacel.

Quarenta anos depois, em 1671, Fernão Dias Paes Leme arrematou em leilão o sítio do falecido capitão Manuel Temudo, também no Tijucuçu, e o doou ao mesmo Mosteiro de São Bento. Formou-se, assim, a Fazenda do Tijucuçu, utilizada pelos monges beneditinos na criação de gado.

Em 1717, os monges ergueram no lugar onde está hoje a Matriz Velha de São Caetano uma capela dedicada a São Caetano di Thiène, o santo patrono do pão e do trabalho. Passou a fazenda a chamar-se Fazenda de São Caetano do Tijucuçu, depois apenas Fazenda de São Caetano. Alguns anos depois, em 1730, os monges fundaram ali uma fábrica de telhas, tijolos, lajotas, louças e adornos cerâmicos para ornamento de casas e igrejas na cidade de São Paulo. Esse material era diariamente transportado, pelo rio Tamanduateí, de um porto que havia na Fazenda para o Porto Geral de São Bento, onde é hoje a rua 25 de Março, ao pé da Ladeira Porto Geral. Até o século XVIII, o trabalho da fazenda era realizado por escravos indígenas e a partir dessa época também por escravos negros de origem africana. A fábrica funcionou até a década de setenta do século 19.

Ao redor da Fazenda desenvolveu-se o Bairro de São Caetano, no mesmo território da cidade de São Paulo. Foi recenseado pela primeira vez em 1765, quando o Morgado de Mateus determinou que se fizesse o censo da população da Capitania de São Paulo. Seus habitantes eram agricultores e tropeiros e recebiam os sacramentos na Capela de São Caetano.

Em 1871, no dia seguinte ao da Lei do Ventre Livre, a Ordem de São Bento decidiu, em seu Capítulo Geral da Bahia, libertar todos os seus escravos, em todo o Brasil, mais de quatro mil. Privada de mão-de-obra, a Fazenda de São Caetano foi desapropriada pelo Governo Imperial para nela instalar o Núcleo Colonial de São Caetano em 28 de julho de 1877. As terras da Fazenda foram divididas e distribuídas a colonos italianos entre 1877 e 1892, quando entrou no Núcleo a última família de imigrantes. O primeiro grupo de famílias assentado no Núcleo embarcara no porto de Gênova e chegara ao Brasil no navio italiano Europa. Procedia todo ele de Cappella Maggiore, província de Treviso, na região do Vêneto, norte da Itália.
Fonte em praça da cidade.

Em 1883, a São Paulo Railway inaugurou a estação de São Caetano e em 1889 o governo da província refez o Caminho do Mar e o Caminho Velho de Santo André da Borda do Campo , que desde o século XVI atravessava a região, de modo a torná-lo tributário da ferrovia.

Originalmente, os colonos do Núcleo Colonial dedicaram à produção da batata inglesa, ou batatinha. Mas em seguida vários deles plantaram videiras e passaram a produzir vinho de mesa, o Vinho São Caetano, comercializado num estabelecimento de Emílio Rossi, colono em São Caetano, que havia no Largo do Tesouro, em São Paulo. As videiras de São Caetano foram contaminadas pela filóxera, a partir de parreiras do bairro da Mooca. Em dois anos a produção de uva e vinho c0aiu verticalmente. Essa praga destruiu parreirais no mundo todo. Emílio Rossi, que em 1887 e 1888 trocou ideias a respeito com o médico e cientista Luís Pereira Barreto, resolveu fazer enxertias com cepas da chamada uva americana, resistente à praga, que deram certo. Mas era tarde. Muitos colonos empobrecidos começaram a vender seus lotes de terra e pela época da proclamação da República as primeiras indústrias começaram a instalar-se na região, em terras compradas aos colonos. O núcleo agrícola se transformava em bairro operário.
Estátua de São Caetano de Thiene, o padroeiro da cidade, no Parque Ecológico Chico Mendes.

Nesse período, os colonos que haviam recebido terras nas várzeas úmidas do rio Tamanduateí e do rio dos Meninos, remanescentes do antigo pântano do Tijucuçu montaram olarias e começaram a produzir tijolos. Um desses colonos, Giuseppe Ferrari foi um dos fornecedores de tijolos para construção do Museu do Ipiranga, a partir de 1895, de que se encarregara o italiano Luigi Pucci.

Pouco antes da proclamação da República foi criado o município de São Bernardo, desmembrado do de São Paulo, e a maior parte do Núcleo Colonial e do antigo bairro de São Caetano foi a ele anexada. Cerca de um quinto da antiga localidade de São Caetano permaneceu no território do município de São Paulo e constitui a área dos hoje bairros de Vila Carioca, Sacomã e Heliópolis. Nesse mesmo ano, um censo do Núcleo Colonial contou 322 habitantes, cujas famílias estavam distribuídas em 92 lotes de terra.

Até aqui todas as informações históricas procedem dos livros de José de Souza Martins: São Caetano do Sul em Quatro Séculos de História, 1957, A Imigração e a Crise do Brasil Agrário, 1973, Subúrbio, 1992, A Escravidão em São Caetano, 1988, Diário de Fim de Século, 1998.

Em 1905, São Caetano era elevado a Distrito Fiscal. A fixação das primeiras indústrias coincidiu com a elevação de São Caetano a Distrito de Paz, em 1916. Em 1924, o arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, dava ao núcleo a sua primeira paróquia e seu primeiro vigário, o padre José Tondin. A vila transformava-se em cidade.
Teatro Municipal Paulo Machado de Carvalho.

A primeira manifestação de autonomia para o Distrito de São Caetano aconteceu em 1928, com a liderança do engenheiro Armando de Arruda Pereira, diretor da Cerâmica São Caetano, residente na localidade. Para divulgar a idéia emancipacionista, foi fundado o São Caetano Jornal que convocava a população para votar nos seus candidatos a vereador e Juiz de paz nas eleições municipais de 1928. Entretanto, os resultados não foram os esperados. Na década de 1940, o sonho da emancipação voltou a empolgar os caetanenses, com o segundo movimento emancipacionista.

Em 1947, em movimento liderado pelo Jornal de São Caetano, foi realizada uma lista com 5.197 assinaturas e enviada à Assembleia Legislativa do Estado, solicitando um plebiscito. A consulta popular foi realizada em 24 de outubro de 1948; 8.463 pessoas votaram a favor da autonomia, e 1.020 votaram contra. A 24 de dezembro de 1948, o governador do estado de São Paulo, Ademar de Barros, ratificou a decisão e criou o "município de São Caetano do Sul", através da lei Estadual n. 233, de dezembro de 1948, acrescentando-lhe o apêndice do Sul, para distingui-lo de homônimo pernambucano. Em 30 de dezembro de 1953, foi criada a Comarca de São Caetano do Sul, instalada no dia 3 de abril de 1955.
[editar] Economia
Edifício comercial na região da Rua Amazonas.
Edifício comercial na Avenida Goiás.

São Caetano do Sul pertence à região do ABC Paulista, a qual foi marcada pelo desenvolvimento industrial e automobilístico. Alguns exemplos são as indústrias localizadas na divisa com São Paulo, e a sede da General Motors no Brasil, na avenida Goiás, o principal centro financeiro da cidade. Atualmente, na avenida, encontram-se instaladas matrizes e filais de várias empresas.

Pessoas de várias regiões da metrópole vão a cidade a trabalho, vindas principalmente da região do próprio ABC e dos distritos das zonas sul e leste paulistanas que fazem divisa com a cidade.

O comércio é também um forte alvo econômico da cidade, que abriga a matriz da rede de lojas Casas Bahia, fundada em 1952 pelo imigrante judeu Samuel Klein.

São Caetano possui o 37º maior PIB brasileiro, o qual é superior ao de várias capitais estaduais do Brasil, além de grandes cidades do interior.
[editar] Geografia

São Caetano do Sul situa-se a uma altitude média de 760 metros.

São Caetano do Sul apresenta os melhores indicadores sociais de todo o país, uma cidade considerada exemplar em vários aspectos do chamado IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU, estando em 1º lugar na lista dos municípios brasileiros por IDH. Não existem favelas (apesar de haver algumas em suas cercanias, como Heliópolis) e o analfabetismo é nulo.

* Principais nacionalidades de origem de imigrantes radicados em São Caetano: - italiana, espanhola, árabe, negra, japonesa, portuguesa e alemã. A partir do fim dos anos quarenta, estabeleceu-se forte corrente migratória de brasileiros do Nordeste.

O centro de São Paulo no horizonte, visto da Vila Barcelona, a cerca de 11 a 13 quilômetros.
O crescimento vertical da cidade ocorre devido ao fato de que não há mais espaço para a mesma crescer em sentido horizontal.
A variação de tecidos urbanos. Percebe-se o crescimento da verticalização e a organização da estrutura urbana.
Rio Tamanduateí na divisa com São Paulo. À direita, a capital paulista, e à esquerda, São Caetano do Sul.
[editar] Clima

O clima da cidade, como em toda a Região Metropolitana de São Paulo, é o Subtropical. Verão pouco quente e chuvoso. Inverno ameno e subseco. A média de temperatura anual gira em torno dos 19.9ºC, sendo o mês mais frio Julho (Média de 16.1°C) e o mais quente Fevereiro (Média de 23.1°C). O índice pluviométrico anual fica em torno de 1400 mm. ( http://www.cpa.unicamp.br/outras-informacoes/clima_muni_548.html )
[editar] Demografia

Dados do Censo - 2000

População total: 172.159

* Urbana: 172.159
* Rural: 0 - não há zona rural no município.
o Homens: 65.517
o Mulheres: 74.642

Densidade demográfica: 9.160,72 hab./km²

Mortalidade infantil até 1 ano: 1,38 por mil

Expectativa de vida: 78 anos

Taxa de fecundidade: 2,56 filhos por mulher

Taxa de alfabetização: 99,01%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,919

* IDH-M Renda: 0,896
* IDH-M Longevidade: 0,886
* IDH-M Educação: 0,975

Posse de bens e serviços domésticos

* Telefone celular : 45,7% da população
* Telefone fixo : 97 % da população
* Automóvel : 67,3% da população
* Microcomputador : 41,1% da população
* TV em cores : 99,9% da população
* Geladeira : 100% da população

Total de empresas estabelecidas (por categoria econômica)

* Indústrias : 753
* Estabelecimentos comerciais : 4.632
* Prestadores de serviços (inclui autônomos) : 19.105
* Concessionárias : 10

Dados socioeconômicos

* Renda familiar líquida média : R$ 2.212,56
* Produto interno bruto municipal : US$ 2,3 bilhões
* Potencial de consumo/2001 : US$ 657 milhões
* Renda per capita estimada : US$ 16.500/ano

Classificação socioeconômica da população

* Classe A : 13,1%
* Classe B : 45,2%
* Classe C : 32,2%
* Classe D : 9,5%

Frota 2006

O município é servido pelos trens da linha 10 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

Automóveis - 75.668

Caminhões - 2.459

(Fonte: IPEADATA|Prefeitura de São Caetano do Sul)
[editar] Hidrografia

*
o Rio Tamanduateí (divisa com São Paulo)
o Córrego dos Meninos (divisa com São Paulo e São Bernardo do Campo)
o Córrego de Utinga (divisa com Santo André)
o Córrego das Grotas (divisa com Santo André)
o Córrego do Moinho

[editar] Lazer e turismo
Parque Chico Mendes, um dos parques mais conhecidos no ABC Paulista.
Mercure na cidade.

São Caetano do Sul assim como toda a região metropolitana de São Paulo, é beneficiada pelo fluxo turístico da capital paulista, recebendo visitantes de várias localidades.

A cidade se baseia no turismo de negócios, cultural e de lazer, contando com diversos hotéis, dentre eles, o Mercure, teatros, anfiteatros e diversos auditórios,[6] sete parques municipais: Espaço Verde Chico Mendes, Parque Botânico e Escola Municipal de Ecologia Jânio da Silva Quadros, Parque Catarina Scarparo D’Agostini, Parque Santa Maria, Cidade das Crianças, Parque Municipal São José (Bosque do Povo) e Espaço de Lazer e Recreação José Agostinho Leal.[7] São Caetano também recebe diversos eventos.
AeC lança Código de Ética Empresarial
Publicado em 15/12/2009 por Redação

Código estabelece os princípios e valores da empresa, além de complementar as instruções de conduta estabelecidas pelo Probare

A AeC lança este mês seu Código de Ética Empresarial, que estabelece os princípios e valores da empresa e qualificar as práticas corporativas desejadas, como empreendedorismo, respeito aos investidores e comprometimento com os resultados. A iniciativa também complementa as instruções de conduta estabelecidas pelo Probare - Programa Brasieiro de Auto Regulamentação.

Em nota, a AeC comenta que, assim, reforça seu compromisso com o consumidor e empera fotalecer o relacionamento com outros públicos, como clientes, fornecedores, governo, acionistas, colaboradores e imprensa.

A empresa também criou uma comissão de ética para dar suporte ao cumprimento das normas e uma ouvidoria interna para acolher opinioes, sugestões, críticas, reclamações e elogios dos funcionários.



Novas regras para impostos ameaçam o setor de Call Center
Publicado em 10/02/2010 por Redação

O Sintelmark alerta para os impactos negativos que as novas regras para o pagamento de impostos do INSS causarão nas empresas. Sindicato solicita que a medida seja revogada
Novas regras para impostos ameaçam o setor de Call Center

O Sintelmark (Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos) esta tentando, junto ao governo, suspender a aplicação das novas regras para o pagamento do RAT (Riscos Ambientais do Trabalho), para o setor de call center. A medida, em vigor desde 1º de janeiro, aumenta a alíquota cobrada das empresas, além disso, o FAB (Fator Acidentário de Prevenção), medida imposta na mesma data, aumentará a carga tributária das empresas que não cumprirem com a redução do numero de acidentes de trabalho.

O Sindicato já enviou ofícios para o Ministério da Previdência Social, Confederação Nacional de Serviços e para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio pedindo a revisão da lei. A solicitação se baseia no fato do setor de call center se diferenciar dos demais, já que os acidentes que ocorrem com seus colaboradores acontecem durante o trajeto de ida e volta ao trabalho e não pela execução da atividade em si.

“O setor não foi consultado e esse acréscimo vai impactar diretamente na folha de pagamento das prestadoras de serviço. Com contratos já fechados, elas terão de arcar com esse valor adicional, explica Stan Braz, diretor presidente executivo do Sintelmark.

Segundo o Sindicato, o setor investe constantemente em ações que visam os cuidados com a saúde de seus colaboradores, sendo que, para isso, já existem normas regulamentadoras de proteção. “A justificativa dada pelo governo de que a aplicação da nova lei privilegiará as empresas que investirem na prevenção de acidentes de trabalho demonstra total desconhecimento da própria lei”, comenta Braz.

Para o Sindicato, se não houver essa diferenciação, o setor poderá ter seu desenvolvimento e faturamento prejudicados. Trabalham em call centers cerca de 1 milhão de pessoas no país e é esperado que cerca de 125 mil novas vagas sejam abertas apenas no estado de São Paulo.



Lei do SAC completa um ano e...
Publicado em 04/12/2009 por Redação

As reclamações mensais ao PROCON diminuíram 44% se comparadas a dezembro do ano passado Companhias do setor de atendimento investiram mais de R$ 1 bilhões para suprir a demanda foram criadas cerca de 100 mil vagas mas os setores de telefonia fixa e móvel, cartões de crédito e TV por assinatura ainda são os campeões de queixas
Lei do SAC completa um ano e...

Atire a primeira pedra quem nunca ficou “pendurado” ao telefone ouvindo aperte 1, agora identifique seu CPF, confirme o seu endereço e quando finalmente você pensou que conseguiria falar, segue aquela música que insiste em ficar tocando no seu ouvido por diversos minutos antes de algum operador finalmente atender a ligação.

Este pesadelo teve fim em dezembro de 2008 quando entrou em vigor a regulamentação proposta pelo governo para melhorar o Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) nos segmentos de telefonia fixa e celular, TV por assinatura, instituições financeiras, transporte aéreo e terrestre, seguradoras, empresas de cartões de crédito, energia elétrica e planos de saúde.

Um dos serviços mais criticados pelos consumidores precisava atender uma ligação em 60 segundos, oferecer a opção de cancelamento e fale com atendente no menu de atendimento, aceitar telefonemas de qualquer parte do país mesmo que via celular, disponibilizar um número gratuito. Ainda o cliente só podia relatar seu problema uma vez, a ligação não deve ser interrompida e nem transferida para outros colaboradores e a solução deve ser apresentada num prazo máximo de cinco dias.

Muitas mudanças e pouco tempo para adequação, já que a regra foi aprovada em julho. Porém, a maioria das empresas depois de um ano já está adaptada, é o que afirma Roberto Meir, especialista internacional em relações de consumo e atendimento, presidente da Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente (ABRAREC). “O setor de contact center investiu pesado em tecnologia, infraestrutura, treinamento, contratação, planejamento para agir de acordo com a lei e isto já pode ser sentido no SAC de qualquer companhia”.

Uma pesquisa realizada pelo Portal Call Center, do Grupo Padrão em parceria com a ABRAREC, corrobora com a opinião de Meir, pois segundo os resultados, 77% das corporações já atendem em um minuto, 93% delas mantêm um 0800 (sem ônus para o cliente), 94% aceitam ligações de telefones móveis e de qualquer região do Brasil e 83% possuem a alternativa de cancelar e conversar com operador.

Claro que nada é perfeito, já que aqueles “velhos” conhecidos dos consumidores como cartões de crédito, TV por assinatura e telefonia ainda não conseguiram acabar com as reclamações.

De acordo com o PROCON, as multas aplicadas até o momento somam R$ 10 milhões e foram recebidas 5.419 denúncias sobre não resolução dentro do prazo, a espera para ser atendido superou um minuto, consumidor teve que relatar o problema mais de uma vez, a ligação foi interrompida e telefone inacessível.

Para o presidente da ABRAREC, “as corporações já tiveram tempo suficiente para modificar suas operações e atender o cliente da melhor forma possível. Mas com a crise financeira e a consequente queda de assinantes, corte de investimentos, algumas não se preocuparam com a qualidade do atendimento”.

A lei em geral foi positiva para o setor de contact center que se consagrou como o maior empregador e formador de mão de obra do País, uma vez que de um em cada 4 empregos que surgem são do segmento. Segundo estudo do Grupo Padrão em parceria com a E-Consulting, somente no ano passado foram contratados 448,07 mil profissionais e até o final de 2009, o número total de funcionários deve fechar em 1,3 milhões. Isso sem contar o faturamento que se manteve em alta, lucrando mais de R$ 21 bilhões em 2008 e prometendo chegar à casa dos R$ 23,66 bilhões, no ano que vem.
Um balanço da Lei do SAC
Publicado em 11/12/2009 por Valdir Antonelli

Com doze meses de vigência, o Decreto 6.523, mais conhecido como a lei do SAC, obrigou as empresas a investirem em tecnologia e pessoal e o atendimento ao consumidor realmente melhorou em alguns pontos
Um balanço da Lei do SAC

“Para falar com um de nossos atendentes escolha uma das opções a seguir”. Na sequência, um número enorme de opções era apresentado ao cliente, mas nenhuma o levava diretamente ao atendente. Se o consumidor quisesse cancelar um produto ou serviço, o processo seria ainda mais lento. Sem falar naquela “musiquinha” irritante que parecia ficar horas tocando enquanto não conseguíamos falar com alguém.

Há pouco mais de doze meses, a situação acima refletia a realidade da maioria dos SACs e era um dos principais motivos de reclamação por parte dos consumidores. Com o Decreto 6.523/2008, assinado em 31 de julho de 2008, o consumidor passou a encontrar uma URA mais bem estruturada, com poucas opções, e soluções de reconhecimento por voz que guiam o cliente para o melhor atendimento. Da mesma forma, a opção de “falar com o atendente”, assim como a de “cancelar um produto ou serviço”, obrigatoriamente passaram a constar no menu eletrônico. Além de que, agora, as empresas devem atender o cliente em até 60 segundos e têm cinco dias para responder a uma solicitação.

Se para o consumidor isso é uma vitória, para as empresas foi gerador de custos. Previsões feitas pela Accenture em agosto de 2008 indicavam que os investimentos envolvendo tecnologia e treinamentos aumentariam de 15 a 20%. Por outro lado, Anna Zappa, diretora de marketing da Plusoft, acreditava que o decreto impulsionaria o mercado como um todo, desde a consultoria de processos focados em atendimento, passando pelo segmento de tecnologia de hardware e software, e atingindo o mercado de outsourcing.

Para a Abrarec – Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente, as empresas não acompanharam o crescimento no número de consumidores ativos durante os últimos anos, o que obrigou o governo a criar as normas. “De dez anos para cá, houve um crescimento muito grande do setor, quase 450%, e da economia voltada para as classes ‘C’ e ‘D’. Isso foi deteriorando os serviços”, afirma Stan Braz, diretor executivo da associação.

O investimento aumentou, assim como o número de agentes, mas será que o consumidor sentiu alguma melhora no atendimento? Roberto Pfeiffer, diretor executivo do Procon-SP, afirma que “ainda não foi possível sentir o impacto no atendimento, o que se observa é que algumas irregularidades tiveram uma sensível melhora: a não divulgação do número do SAC e de número específico para deficientes, antes bastante relatada, já não é mais uma irregularidade citada pelos consumidores. Todavia, há outras determinações essenciais para o consumidor que precisam ser melhor observadas, como a demora para contato com o atendente, a necessidade de relatar mais de uma vez o problema e a ligação cair antes de ser finalizada, e a falta de solução do problema em cinco dias”, pontua.

“A questão não é ser mal visto pelo consumidor”, acredita Clarice Kobayashi, diretora de estratégia da NetCallCenterOrbium. “A questão mais importante é que o serviço ainda não é efetivo, falta informação na ponta”, afirma. Clarice também acredita que a falta de autonomia do SAC é conseqüência do modelo que utilizado para a sustentação da operação, sendo encarado como um mal necessário.

Miguel Windt, diretor comercial da CSU.Contact, não tem essa mesma visão. Para o executivo apenas os casos considerados problemáticos, cerca de 20%, é que aparecem para o mercado, justamente os “que demandam um atendimento mais complexo e mais moroso, gerando a percepção de atendimento que não condiz com a expectativa do consumidor”. Para o executivo, o “Decreto Lei 6.523 veio para agilizar este atendimento e aumentar o índice de satisfação do consumidor”, pontua.

Essa imagem, de não oferecer o atendimento esperado pelo consumidor, pode sido criada pela ineficiência do setor em mostrar sua realidade. “Temos maus médicos, maus advogados, maus governantes. Generalizar é uma responsabilidade do setor, porque nós não fomos capazes de mostrar a contrapartida”, explica Alexandra Periscinoto, presidente da SPCom. “Somos o maior empregador de mão-de-obra e o maior formador de mão-de-obra. Estamos preparando a pessoa para TI, gestão de conhecimento e ainda propicia tempo para estudo. E nada disso é reconhecido pela sociedade”, lamenta.

Investimentos em pessoas e tecnologia – Mesmo com as dificuldades enfrentadas no auge da crise financeira, de acordo com a Abrarec, as empresas investiram cerca de R$ 1 bilhão em melhorias tecnológicas e em treinamento, aproximadamente de 7% do faturamento, além de terem feito mais de 100 mil novas contratações, para se adequarem à lei do SAC.

“Grande parte das empresas já trabalhava na sofisticação de suas centrais de atendimento, mas em muitos casos, a necessidade de adaptação ao decreto exigiu a alteração de prioridades, mas sem grandes aumentos de investimentos”, afirma Carlos Louro, diretor-superintendente da Wittel. “Neste momento, acredito que as empresas voltaram a trabalhar de acordo com um cronograma de atividades normal e os investimentos continuam a ser realizados”, pensa.

Elaine Ferreira, presidente da Altitude Software para América Latina, lembra que para muitas empresas, o prazo para a adaptação foi curto e o dinheiro a ser investido na adequação da estrutura não estava previsto no orçamento. “Os SACs investiram em infra-estrutura física e tecnológica, treinamento de pessoal e revisão de processos”, afirma Elaine. “O investimento em tecnologia continua, mas em menor escala, pois o primeiro grande impacto já passou. Já estamos na fase de maturidade e as empresas hoje conseguem ter uma noção melhor do incremento da demanda na central de atendimento”.

Já a Voxline não mudou seu orçamento em tecnologia ou infra-estrutura por causa do Decreto, mas investiu em treinamento, monitoria e nas áreas de planejamento e inteligência de projetos. “Não houve no nosso caso investimentos maiores em tecnologia ou infra-estrutura, pois nossa empresa possui todos os recursos necessários e atualizados para um bom desempenho”, explica Lucas Mancini, diretor superintendente da empresa.

Mas esse movimento pode ter efeito contrário em médio prazo. Assim como aconteceu nos setores automobilístico e bancário, a tendência é que a tecnologia tome o lugar do agente. Como o call center “é um canal de distribuição, ativo ou receptivo, de custo equilibrado, a partir do momento que este custo comece a se desequilibrar, o empresário buscará uma forma de equilibrá-lo. Essa migração de canal não acontecerá em um, dois meses, mas já temos clientes buscando alternativas de auto-atendimento”, comenta Alexandra.

O atendimento melhorou – Apesar da sensação de “nada mudou” por parte do consumidor, e até mesmo pelas multas aplicadas por órgãos de defesa do consumidor – de acordo com o Procon-SP as empresas já foram multadas em mais de R$ 10 milhões desde dezembro de 2008 -, para o setor a sensação é de melhoria no atendimento ao cliente devido às mudanças dos processos internos e investimentos em treinamento, além da obrigatoriedade de fazer, em alguns setores, o atendimento durante 24 horas por dia, ampliando o acesso ao SAC.

Para Elaine, executiva da Altitude, “o balanço é positivo, com melhoria dos processos, maior foco no cliente e maior treinamento dos agentes para resolução de problemas e solicitação no primeiro contato. Como consumidor, é possível perceber essas melhorias quando contatamos um SAC atualmente”.

Um fenômeno interessante, acredita Clarice Kobayashi, da NetCallCenterOrbium, são as empresas que não foram afetadas que passaram a buscar a melhoria de seus processos de atendimento (veja Box 1). “No mínimo, este movimento está ajudando a fomentar mudanças na linha de otimização de custos e maximização do processo de atendimento”, afirma.

Ainda assim, algumas empresas continuam oferecendo serviços de baixa qualidade, mas, para Carlos Louro, da Wittel, o mercado se encarregará de eliminá-las. Louro também acredita que pouca coisa mudou devido ao decreto. “A maioria das empresas já oferecia um serviço que atendia ao previsto na lei do SAC, porém alguns ajustes foram necessários”, comenta.

Um outro ponto que deve ser levado em consideração é a adoção, ainda que não de forma tão rigorosa, de boa parte das normas da lei por empresas que não são obrigadas a segui-la. “Há uma preocupação grande dos contratantes regulados, e dos não regulados, em seguir a lei. O Decreto acabou servindo como parâmetro para o atendimento de todas as empresas, afinal o consumidor é o mesmo. Ele compra uma passagem aérea e pode ligar para uma empresa que não foi regulada”,lembra Alexandra, da SPCom.

“Vamos ter problemas? Sim, vamos. A lei vai solucionar 100% dos problemas? Não. Mas o atendimento melhorou”, completa.


Aneel baixa resolução que obriga call center
Publicado em 27/04/2009 por Valdir Antonelli

Concessionárias que atendam mais de 60 mil clientes são obrigadas a manter um Call Center para seus usuários. Lei do SAC exige que todas as empresas do setor elétrico, independentemente do tamanho, mantenham uma central de atendimento
Aneel baixa resolução que obriga call center

Resolução baixada hoje pela Aneel obriga às concessionárias com mais de 60 mil usuários a manterem um serviço de atendimento ao cliente por telefone. Anteriormente, de acordo com a agência, apenas as empresas com mais de 120 clientes eram obrigadas.

A resolução também baixou o tempo de espera para 30 segundos e reforçou que as empresas de energia elétrica devem cumprir com as regras do setor. Apesar do tempo ser inferior ao que rege o Decreto 6523 - que limita em 60 segundos a espera - as empresas têm a obrigação de direcionar apenas 85% das ligações para um atendente em 30 segundos.

A resolução pode ser usada pelas empresas de energia elétrica como desculpa para não seguirem o Decreto 6523, que exige que todas as empresas do setor, independentemente do tamanho, mantenham um SAC para seus clientes.Restrição do Call Center Ativo: Problema ou Oportunidade?
Publicado em 22/04/2009 por Redação

Call Center ativo restrito para ligar aos consumidores torna-se um problema ou oportunidade? Vamos ver como o consumidor moderno se comporta. Quais os problemas que a variedade de produto trás ao mercado. Como este cenário complexo pode tornar-se uma oportunidade. Falaremos ainda de uma classe ávida por consumir que está crescendo intensivamente. Mais uma vez abre-se uma porta para as empresas que souberem compreender o dinamismo do mercado
Restrição do Call Center Ativo: Problema ou Oportunidade?

Começou a vigorar no Brasil, a partir do dia 27 de Março, no estado de São Paulo, a nova regra para o Call Center ativo. A partir de uma lista (lei Estadual nº. 13.226/08) criada pela Fundação PROCON (órgão vinculado à Secretaria da justiça e da Defesa da Cidadania), as empresas ficam impossibilitadas de ligar para os consumidores cadastrados. No dia 10 de abril já existiam mais de 280 mil consumidores de telefones fixos e móveis cadastrados nesta lista.

O principal objetivo é preservar a privacidade do consumidor, que por vários anos, invadido seu dia a dia por empresas de Call Center Ativos, com telefonemas em horários inadequados, insistindo em vender algo, que geralmente não era desejável.

Por um lado, houve um abuso por parte das empresas da liberdade antes usufruída, por outro isto pode significar um grande problema para esta categoria.

Qual seria então a saída que possibilitasse um novo cenário para estas empresas? Analisando a dinâmica do mercado nos últimos 20 anos, percebe-se que houve uma explosão exponencial na variedade de artigos no mercado brasileiro. No início da década de 90 para se comprar um tênis os modelos eram basicamente o Bamba, Kichute, Conga e mais alguns. Hoje lidamos com uma “parede” infindável disposta nas lojas.

Isto traz um problema que é a dificuldade do consumidor “saber” qual modelo realmente será adequado a ele. Este fenômeno gera uma complexidade no consumidor em “conhecer” o que realmente quer, denominado de “Dissonância Cognitiva”. Isso faz com que as decisões passem a ser tomadas cada vez mais no Ponto de Vendas (PDV). O que isto tem a ver com o Call Center ativo? Se somarmos a dificuldade que temos em escolher produtos ao escasso tempo que nos resta em ir aos shoppings, as operadoras de Call Center tem neste cenário uma boa oportunidade para incrementar suas vendas.

Fernando Arbache - divulgação

A venda consultiva, torna-se fundamental para ajudar ao consumidor a “decidir” o que ele necessita, mostrando-se um grande caminho para as operadoras de Call Center Ativo. O possível ganho de confiança passa a gerar perenidade na relação entre ambos. Para isto seria necessária uma nova cultura e postura de treinamento e gerenciamento da informação que envolveria o uso de assertivo do CRM (Customer Relationship Management), novos scripts e novas formas de comunicação entre PA (posição de atendimento) e cliente. Isto na realidade envolve muito investimento e tempo.

Vamos a um segundo cenário, quem realmente quer bloquear uma operadora de Call Center? São as pessoas que já conhecem o serviço e perderam o encantamento por ele. Você acredita que um novo consumidor, ou seja, aquele que nunca teve um telefone, iria ficar chateado com o telefonema de uma empresa ofertando-lhe algum produto? Ele certamente iria se sentir lisonjeada, acreditando que a escolha da empresa por ele é muito significativa. Então temos um novo público entrante, que apesar de possuírem renda mais baixa, estão em franco crescimento do poder aquisitivo. Este fenômeno é denominado de Mobilidade Social. Há uma perspectiva de crescimento do consumo nas classes C e D em mais de 10% este ano, apesar da crise. Se considerarmos que existe neste segmento uma imensa demanda reprimida, temos então ai uma grande oportunidade.

Se analisarmos o crescimento de linhas no Brasil, entre fevereiro de 2008 a fevereiro de 2009 o número de telefones móveis passou de quase 124 mil para 152 mil linhas, ou seja, um crescimento de 22% segundo a Anatel. No mesmo período, houve um aumento de aproximadamente 3% na telefonia fixa, que apesar de menor, ainda significa um grande avanço.

Tem-se ai um novo grupo, ávido por comprar e ser bajulado. Mais uma vez atender a esta demanda requer uma mudança de postura e comunicação. O volume de investimento requerido por esta segunda opção, no entanto, é imensamente menor que a anterior.

Tem-se ai uma possível solução que seria o atendimento às bases da pirâmide, buscando oportunizar a infraestrutura existente, permitindo ganhar tempo para financiar a nova postura de atendimento ao ápice da pirâmide.

Oportunidades temos, porém necessitamos compreender que o mercado está em mudança e ficará assim por pelo menos uma década. O mercado consumidor é dinâmico e cada vez mais exigente, e se não formos tão flexíveis e ágeis quando ele, ficaremos fora.

Esta nova lei não é um problema é sim uma OPORTUNIDADE para aqueles que desejam realmente servir ao nosso CONSUMIDOR MODERNO.
Novas regras para telemarketing entram em vigor nesta segunda

Objetivo é melhorar atendimento das empresas para o consumidor.
Companhias que não seguirem normas poderão ser multadas.
Começam a valer a partir desta segunda-feira (1º) as novas regras para o atendimento de telemarketing nas empresas de tele-atendimento. Para atender às exigências do decreto, estipulado pelo Ministério da Justiça, as empresas tiveram que adaptar muitos processos. A regulamentação padroniza o acesso e a qualidade do serviço de atendimento.



O objetivo é enquadrar as empresas que não fazem um atendimento adequado para os consumidores. As companhias que não cumprirem as determinações ficarão sujeitas a multas de R$ 200 a R$ 3 milhões por cada reclamação de consumidor.Regras

Uma das novas determinações é que as empresas que atuam em setores regulados por agências terão 60 segundos para atender os consumidores. Há algumas exceções para esse prazo.



Os bancos, por exemplo, terão de atender os consumidores em 45 segundos, mas o tempo sobe para 90 segundos nas segundas-feiras, no quinto dia útil de cada mês e nos dias posteriores a feriados. As companhias de energia elétrica também terão prazo de 90 segundos quando as ligações surgirem por causa de quedas de energia.


Vários setores que antes não tinham qualquer prazo de atendimento terão de cumprir os 60 segundos, como aviação, planos de saúde e transportes terrestres. Os Serviços de Atendimento ao Consumidor (SACs) terão de funcionar 24 horas por dia e sete dias por semana.



Obrigatoriedade

Muitos temas que eram objeto de reclamações recorrentes dos consumidores se tornarão procedimentos obrigatórios. Até esta segunda, para falar com um atendente, o consumidor era obrigado a fornecer dados. A partir dehoje, o contato deve ser direto e sem a exigência das informações. Essa opção deve estar logo na primeira lista de opções oferecida no começo da ligação.



O cancelamento também será uma das opções que estarão no menu inicial e a ligação não pode ser transferida, mas o Procon está preocupado com o cumprimento dessa regra.

“Há um numero grande de empresas que não implementaram todos os itens necessários para atender o decreto. Por exemplo, o item relativamente simples que é a inserção da opção de cancelamento no menu”, afirmou na última sexta o diretor-executivo do Procon-SP, Robert Pfeiffer.



O órgão de defesa diz que o consumidor deve ficar atento a alguns setores em especial e denunciar. “Preocupa mais, em primeiro lugar, o setor de planos de saúde e, em segundo, o setor de telegonia fixa”, alertou Pfeiffer.


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Veja as principais mudanças definidas pela portaria
- A empresa deve garantir, no primeiro menu eletrônico e em todas suas subdivisões, o contato direto com o atendente;


- Sempre que oferecer menu eletrônico, as opções de reclamações e de cancelamento têm que estar entre as primeiras alternativas;


- No caso de reclamação e cancelamento, fica proibida a transferência de ligação. Todos os atendentes deverão ter atribuição para executar essas funções;


- As reclamações terão que ser resolvidas em até cinco dias úteis. O consumidor será informado sobre a resolução de sua demanda;



- O pedido de cancelamento de um serviço será imediato;



- Deve ser oferecido ao consumidor um único número de telefone para acesso ao atendimento;



- Fica proibido, durante o atendimento, exigir a repetição da demanda ao consumidor;


- Ao selecionar a opção falar com o atendente, o consumidor não poderá ter sua ligação finalizada sem que o contato seja concluído;



- Só é permitida a veiculação de mensagens publicitárias durante o tempo de espera se o consumidor permitir.



Como denunciar

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em caso de desrespeito às regras, o consumidor pode denunciar a empresa aos Ministérios Públicos, às unidades do Procon e Defensorias Públicas. As empresas que violarem as regras estarão sujeitas a multas previstas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), que vão de de R$ 200 a R$ 3 milhões.